A semana passou num sopro.
O banquete de reconhecimento foi organizado na casa de hóspedes do distrito militar, e metade do quartel compareceu. Henrique segurava minha mão, com os dedos entrelaçados com força, e sussurrou um aviso sombrio perto do meu ouvido.
"Espero que tenha pensado bem nesses últimos dias. Não quero escândalos hoje".
Não respondi e nem olhei para ele.
Até que o menino de sete anos foi empurrado para a minha frente e, diante de todos, me chamou de "mamãe". Olhei para ele de cima para baixo.
"Eu não sou sua mãe. E nunca vou te aceitar como filho".
O salão mergulhou num silêncio absoluto por um instante, antes de explodir em burburinhos. As pessoas cochichavam, lançando olhares estranhos para Henrique. Ele, perdendo a compostura, apertou meu pulso com uma força brutal.
"O que você pensa que está fazendo?"
"Se você não o reconhecer hoje, eu te levo para o hospital agora mesmo".
Ele falava com uma determinação implacável. Eu nunca imaginei que, sendo pai, ele seria capaz de dizer algo assim. Henrique sabia o quanto eu tinha sofrido para carregar esse bebê. Foram inúmeras xícaras de remédios amargos e tantas injeções para segurar a gravidez que meus braços estavam cobertos de marcas. E agora, por causa de um bastardo, ele simplesmente descartava nossa filha.
"Eu não vou criar o filho de outra mulher".
Beatriz, que estava ali perto, ficou com os olhos marejados instantaneamente.
Nesse exato momento, o telão do salão se acendeu. Fotos íntimas de Henrique e Beatriz começaram a passar, uma após a outra. Eram registros de sete anos atrás. A cena se tornou um caos completo. Henrique ficou paralisado, pregado no chão, encarando a tela.
Beatriz logo apontou o dedo para o meu rosto, com a face vermelha de fúria.
"Heloísa! Se você me odeia, me ataque diretamente! Por que expor essas fotos desse jeito?"
"O que aconteceu há sete anos foi um erro meu, o Henrique bebeu demais e me confundiu com você".
"Mas o que isso tem a ver com o agora? Por mais que você esteja insatisfeita, não pode negar que o Enzo é o filho legítimo do Henrique!"
As pessoas ao redor finalmente entenderam tudo.
"Ah, então é um filho fora do casamento".
"Com razão ele escondeu isso por tantos anos".
"Que belo espetáculo nos proporcionaram hoje".
Risadinhas irônicas ecoavam pelos meus ouvidos. Henrique, desesperado para que desligassem o telão, virou-se e me deu um bofetada violenta no rosto. O gosto metálico de sangue invadiu minha boca, e eu me senti zonza.
Levantei o olhar e encontrei os olhos de Henrique transbordando ódio. Com o peito arfando, ele fez um sinal para que os guardas me levassem para o hospital. Eu lutei com todas as minhas forças, mas os seguranças eram fortes demais e me arrastaram à força.
Uma dor aguda e lancinante atingiu meu ventre, e senti algo quente escorrer pelas minhas pernas.
Ao chegarmos no hospital, o médico se preparou para aplicar a medicação de emergência. Mas Henrique falou de repente:
"Interrompa tudo. Eu não quero mais essa criança".
Minha mente explodiu.
"Não fui eu que coloquei aquelas fotos!"
Ele deu um sorriso de canto, amargo.
"Não importa se foi você ou não. Quero apenas que você aprenda a lição, para que nunca mais se atreva a maltratá-los".
Segurei minha barriga, implorando em prantos.
"Eu errei, eu não devia ter feito cena! O bebê é inocente, é uma vida..."
"Henrique, eu te imploro, me deixa ter essa criança. Eu a levo embora comigo, não vou atrapalhar a vida de vocês..."
Mas não importava o quanto eu suplicasse, foi em vão. Henrique me mandou para a sala de cirurgia, e o bebê nasceu morto. Era uma menina, que não teve a chance de ver o mundo nem por um segundo.
Deitada naquela mesa de cirurgia gelada, cobri o rosto e oscilei entre o choro e um riso histérico.
Não me lembro de como recebi alta. Só me recordo de deixar o acordo de divórcio assinado sobre a cadeira do quarto do hospital.
O vento de inverno soprava cortante, castigando meu rosto. Segurei aquele pequeno fardo nos braços e caminhei para fora, passo a passo.
Há sete anos, eu tive um momento de fraqueza e perdoei.
Desta vez, não haverá volta