Os dois foram direto para a festa da família Viana.
A família tinha uma propriedade no centro da cidade, mas o evento desta vez era numa vinícola nos arredores.
Quando Rafael e Serena chegaram, vários convidados já estavam lá. A entrada da vinícola parecia uma exposição de carros de luxo.
Todo mundo sabia o lugar de Valentina dentro da família Viana.
A mãe dela tinha tido sete filhos homens até que, por último, nasceu uma menina. Foi tratada como a joia da família desde o primeiro dia.
Além disso, Valentina era brilhante por conta própria. Entrou na Aliança Médica ainda jovem e chamou a atenção do próprio presidente.
O futuro dela era promissor por onde se olhasse.
Quem queria se aproximar da família havia muitos. Quando o carro de Rafael chegou, atraiu olhares imediatamente.
Só porque a placa do carro era impossível de ignorar.
O motorista desceu e abriu a porta traseira para os dois.
Primeiro apareceu um par de sapatos sociais pretos brilhantes.
O dono deles desceu, as pernas compridas chamando atenção antes de qualquer coisa.
Ele não foi embora logo. Deu a volta até o outro lado, abriu a porta, e estendeu a mão para dentro.
Uma mão branca e delicada pousou na palma de Rafael, e Serena desceu aproveitando aquele apoio suave.
Ela estava com um vestido verde claro, cintura marcada, decote V na frente e nas costas, com a cauda de trás um pouco mais longa.
Serena olhou para o broche que estava no peito dela e ficou levemente sem saber o que dizer.
Ela originalmente ia de vestido preto tomara que caia, mas Rafael não deixou.
Foi ao guarda-roupa dela e escolheu a opção mais comportada que havia ali.
Mesmo assim, a região do decote ainda deixava ver a linha do colo.
E o tal homem foi buscar um broche e colocou ali, deixando a respiração dela um pouco mais difícil.
Se não fosse Lorenzo já estar esperando lá, Serena teria desistido de ir.
Mal foi dar um passo, a mão dela foi presa por Rafael.
Ele olhou para baixo: "De mãos dadas ou braço a braço. Escolhe um."
Serena olhou para aquela mão e deixou ele segurar a dela.
Afinal, ela tinha fome daquela mão. Daquele jeito ficava bem pra ela.
E ainda dava pra irritar Valentina lá dentro.
Deixar a aniversariante de mau humor era uma forma de se vingar também. Afinal, quem era de guardar rancor que a perdoasse.
Naquele instante, uma voz chamou:
"Papai."
Lorenzo desceu de outro carro e foi a passos rápidos até Rafael.
Ele estava de camisa branca e casaca preta, igualzinho a um príncipe saído de livro ilustrado.
"Chegou." Rafael disse, e estendeu a mão para ele.
E assim, ele saiu segurando uma mão de cada lado, a imagem perfeita de uma família de três.
No momento em que os três entraram no salão, todos os olhares foram neles.
Rafael alto e imponente, de traços elegantes e frieza que prendia o olhar.
Serena esbelta e de pele que resplandecia, cada gesto e sorriso uma beleza que deixava quem olhava sem reação.
E ao lado deles, o menino com o mesmo rosto de Rafael, mas muito mais macio e adorável.
Ele não demonstrou nem um pingo de timidez. No instante em que entrou, levantou a mão e acenou para os presentes com uma desenvoltura encantadora.
Os convidados abriram caminho para os três sem perceber.
Rafael foi com Serena e Lorenzo até o fundo do salão.
A três metros de distância, o olhar frio de Valentina prendeu as mãos entrelaçadas dos três.
Foi a primeira vez que ela não foi cumprimentar Rafael por conta própria.
"Valentina, feliz aniversário." Rafael disse, e estendeu o presente que havia preparado.
Era Gabriel quem tinha escolhido o que estava dentro. Rafael nem tinha perguntado.