Serena e Rafael também foram ao estacionamento.
Chegando à mansão, os dois pequenos ouviram o barulho e vieram correndo.
"Zarinha, o resfriado passou?" Serena se abaixou para examinar a filha.
Zara acenou devagar com a cabeça, a voz mole: "Passou."
Em seguida pegou a mão de Serena e encostou na própria testa.
"É, não tem mais febre." Serena soltou o ar aliviada.
Virou para Henrique: "Quinho dormiu bem ontem?"
O corpo dela finalmente havia se recuperado. Era hora de retomar o tratamento do filho de verdade.
"Dormiu seis horas." Henrique respondeu.
O problema psicológico dele já tinha sido resolvido, mas o corpo ainda tinha memória.
Para dormir mais de nove horas como uma criança da idade dele, precisaria de mais tempo.
"A partir de hoje à noite a gente retoma o tratamento." Serena disse.
Os quatro se sentaram juntos para jantar. Serena olhava para os filhos e ficou um pouco pensativa.
Lorenzo ia terminar o treinamento em breve. Eles não podiam mais continuar na mansão de Rafael. Ela não queria deixar o filho morando num hotel.
Mas se fossem se mudar, Henrique ficaria triste?
Então à noite, na hora de dormir, Serena disse: "Quinho dorme comigo hoje, que eu faço um tratamento mais completo."
Os olhos do menino acenderam na hora.
Rafael viu isso e não disse nada. Mas alguns segundos depois sentiu algo se agarrar na perna.
Zara levantou os olhos para ele, cheios daquela dependência genuína: "Zarinha quer dormir com o papai."
Serena levou um susto: "Zarinha, você chamou ele de quê?"
"Papai." Zara estendeu os braços para Rafael: "Quer colo!"
Rafael pegou a menina no colo sem hesitar, encaixou no dobrar do braço.
O rosto normalmente fechado dele abriu num sorriso que parecia estar curtindo cada segundo.
Zara bem acomodada no colo explicou devagar:
"Ontem Zarinha estava com febre e o tio Rafael cuidou. Agora o tio Rafael é o papai da Zarinha!"
Serena sentiu uma dor de cabeça chegando. Ela perguntou para Rafael: "Você deixa ela chamar assim?"
Rafael estava completamente à vontade: "É que eu gosto de filha."
Zara se inclinou e deu um beijo sonoro na lateral do rosto de Rafael, os olhinhos curvados num sorriso.
Rafael sentiu o coração derreter completamente. Então se abaixou e deu um beijo no rostinho branco da menina também.
Serena não conseguia nem olhar. E ainda sentiu um negócio azedo se mexendo por dentro.
Mas Henrique ao lado a alcançou pela mão, ergueu o rosto e sorriu para ela.
O filho mais velho raramente sorria com iniciativa própria. O coração de Serena ficou completamente aquecido.
Logo chegou a hora de dormir. Rafael pegou Zara nos braços e foi em direção ao próprio quarto.
Serena se lembrou que eram de sangue. Filha gostando do pai era natural.
E se em um ou dois anos o veneno dela ainda não se resolvesse...
Se ela realmente não aguentasse, teria que deixar os filhos com Rafael.
Serena levou Henrique de volta para o quarto.
"Mamãe, esses dias alguém te incomodou?" Henrique perguntou, sério.
Serena ficou surpresa: "Foi o seu pai que te contou?"
"Não foi o papai." Henrique ficou levemente sem jeito: "Tenho conta na Aliança."
Nesses dias ele tinha visto as notícias e ficado tentando esclarecer as coisas em nome da mãe. Mas havia gente demais, e as mensagens dele sempre eram engolidas.
"A conta do Quinho é...?" Serena perguntou surpresa.
Henrique fez login na Aliança, e as informações apareceram na tela:
Usuário da sede da Aliança: Kior. Nível de acesso: A.
Serena olhou para o filho na frente dela com os olhos arregalados: "Quinho, você é o Kior?"
O investidor livre famoso em toda a Aliança. O oráculo do mercado financeiro. O toque de ouro dos investimentos.
Henrique ficou levemente corado, um pouco sem jeito:
"Futuramente vou comprar casas e carros e ilhas e navios de cruzeiro pra mamãe e pro irmão e pra irmã..."