Vendo Rafaela continuando a chorar, Rafael perdeu a última parcela de paciência.
Pegou o telefone fixo e ligou para o RH: "Vem ao meu escritório. Traz Rafaela Sousa pra fazer o desligamento."
Em pouco tempo, Rafaela foi levada. O escritório ficou em silêncio.
Rafael finalmente teve tempo de abrir o fórum.
Mas quando fez login, várias mensagens diretas pularam na frente:
Raios: "Grande chefe, não se preocupe, já estou providenciando o contato com a Médica Fantasma."
LuaNoCrepúsculo: "Chefe, já deixei seu contato com a Médica Fantasma."
419: "Chefe, mandei mensagem, a Médica Fantasma ainda não respondeu. Assim que tiver novidade te aviso."
Rafael respondeu cada um, e então abriu o fórum.
Foi direto para a última página.
Quando viu o conteúdo, ficou parado por um momento:
"Thea, me desculpe. Não devia ter repetido o que diziam sem checar."
"Não soube distinguir a verdade. Thea, me perdoe."
"Thea, me desculpe. Errei."
A tela inteira estava coberta de pedidos de desculpa, cada um mais sincero que o outro.
Rafael tinha visto o vídeo da câmera de manhã e depois foi tratar de outros assuntos.
Agora, ao ver as desculpas, os cantos da boca subiram sozinhos.
A curiosidade ficou aguçada. Ele queria ver o que aquela mulherzinha tinha feito para virar esse jogo.
Ele foi virando as páginas para trás até encontrar as respostas de Raios e do grupo.
A expressão congelou.
O que ele estava lendo?
Serena conhecia a Médica Fantasma? As duas tinham trabalhado juntas num experimento?
Rafael quis fazer o tempo voltar algumas horas para ir matar aquele idiota que tinha saído por aí pedindo para seus contatos localizarem a Médica Fantasma.
Bem, qualquer vestígio de dignidade tinha ido por água abaixo. Aquela mulherzinha com certeza estava rindo por dentro dele.
E de fato, Serena naquele momento estava lendo as mensagens dos amigos.
Todos diziam que um grande nome a estava procurando com urgência, e que tinham deixado o contato dele.
Era um número de celular que Serena reconheceu imediatamente.
Era o número pessoal de Rafael. Ele tinha dois contatos, um profissional e um pessoal.
Serena entendeu numa fração de segundo por que Rafael estava tentando falar com ela.
Ela soltou uma risada que não conseguiu conter.
Mas alguns segundos depois, a risada foi embora.
Por dentro, uma warmth pequena começou a se espalhando devagar. Era a sensação de ser cuidada por alguém.
Estranha. Ela ficou resistindo por instinto. Mas os cantos da boca já tinham subido sozinhos.
Aquele homem ia ver as respostas do fórum em breve.
Ia ficar constrangido quando descobrisse.
Então, enquanto ela não ficasse envergonhada, quem ficaria era Rafael.
Serena decidiu fingir que não sabia de nada.
Fazia vários dias sem aparecer no trabalho, e havia acúmulo de tarefas.
Especialmente alguns experimentos que ficaram parados.
Ela tinha vindo como consultora especial, e cabia a ela orientar os experimentos.
Quando foi caminhando em direção ao laboratório, cruzou com Valentina e o grupo dela saindo.
O rosto delicado de Valentina estava cheio de uma altivez fria. Ela pousou o olhar em Serena por meio segundo.
E então desviou, com a expressão de quem está olhando para algo insignificante.
Serena também não se importou. Ela chamou o pessoal para o laboratório.
Mas dois pesquisadores pararam de repente.
"Com licença, a gente queria entrar no grupo da senhorita Valentina." Um deles disse.
O outro emendou: "Eu também..."
Serena parou na hora. Cruzou os braços, a voz neutra: "Quem mais? Muda de uma vez."
Mais cinco pessoas deram um passo à frente voluntariamente.
E então, ao lado de Serena, só restou uma pesquisadora que tinha chegado ao instituto há seis meses: Li Qianqian.