A família Cullen não se moveu com tanta frequência entre meados dos anos 80 e meados dos anos 90.
Eles permaneceram tempo suficiente para concluir o ensino médio novamente em 1987 antes de ingressarem em universidades locais e obterem mais um diploma.
Jasper explorou o campo das artes, Emmett considerou educação física, Alice desenvolveu uma paixão por design, enquanto Edward e Rosalie aprofundaram seus conhecimentos médicos.
As modas vinham e iam, e as roupas mudavam levemente a cada nova fase.
Emmett se divertiu bastante quando os filmes de The Terminator estavam em alta, chegando a implorar para Rosalie e Esme deixarem que ele levasse um tiro e andasse mais rápido que qualquer humano.
Todos riram da ideia, mas concordaram que isso deveria ficar apenas para uma fantasia de Halloween.
Quando tudo foi dito e feito, foi em maio de 1995 que a família se mudou novamente para uma pequena cidade no Alasca, e depois, em 2003, quando Forks se tornou sua nova residência permanente.
Carlisle havia feito suas pesquisas, impulsionado pelo crescimento da internet — algo que ele ao mesmo tempo admirava e temia.
Não que sua família nunca tivesse vivido na região antes, mas ele reconhecia o quanto tudo havia mudado em cerca de oitenta anos.
A reserva Quileute ficava próxima, e o tratado, apesar de antigo, permanecia muito vivo em sua mente.
Ele sabia que Ephraim Black já não estaria mais vivo, mas tinha certeza de que seus descendentes conheciam as histórias.
Voltar para Washington exigiria cautela. Carlisle sabia que teria que explicar o tratado para Alice e Jasper, mas acreditava que poderiam coexistir em harmonia se todos respeitassem as regras.
Forks parecia o lugar perfeito para recomeçar.
O clima favorecia seu estilo de vida, com muitos dias nublados ao longo do ano, permitindo que circulassem pela cidade e frequentassem a escola sem chamar atenção.
Enquanto isso, Carlisle já havia conseguido um emprego no hospital local, sendo bem recebido graças à sua reputação impecável.
“No ano passado houve 287 dias nublados,” disse Alice, analisando dados em um site. “Perfeito.”
Ela sorriu para Jasper. “Desde que você não coma ninguém, vai dar tudo certo.”
“É uma piada válida,” disse ele, meio sério.
“Se não se sentir confortável—” começou Carlisle.
“Ele vai se sair muito bem,” interrompeu Alice. “Eu já vi.”
Carlisle sorriu, confiando em seu dom. “Temos sorte de ter você.”
Jasper sorriu e a beijou rapidamente.
Alice levantou-se animada. “Vamos escolher roupas. Vai nevar à tarde, então talvez botas sejam uma boa ideia.”
O ano de 2003 havia começado. Alice, Jasper e Edward iniciariam como calouros, enquanto Rosalie e Emmett seriam do segundo ano.
Como sempre, treinadores tentavam recrutar Emmett por sua aparência atlética, mas ele sempre recusava, lembrando-se do aviso de Rosalie de que poderia acabar “matando alguém por competitividade”.
Alice passou pelo quarto de Rosalie e Emmett e entrou. “Rosalie! Você parece rainha do baile.”
“E daí?” disse ela, olhando-se no espelho.
“Temos que parecer normais.”
“Você escolheu essa roupa,” respondeu Rosalie.
“Ela está incrível,” disse Emmett.
“Guarde isso para fora da escola,” disse Alice.
“Rosie só tem olhos para mim,” disse Emmett, levantando-a.
Rosalie riu e o beijou. “Vou deixar mais discreto.”
“Obrigada,” disse Alice, satisfeita.
Ela seguiu até o quarto de Edward, que olhava pela janela para a paisagem coberta de neve. “Pronto para o primeiro dia?” perguntou.
“São três da manhã,” respondeu ele.
“A escola começa às 7:05.”
“Geometria… de novo,” disse Edward, sarcástico.
“Anima-te,” disse Alice, abraçando-o. “Novo começo.”
“Parece a mesma rotina,” respondeu ele.
“Só é chato se você quiser,” disse ela.
Ele sorriu de leve.
“Vou arrumar seu cabelo às seis,” disse Alice.
“Não perderia por nada,” respondeu ele.
Quando ficaram sozinhos, Edward sentou-se ao piano. A música era seu refúgio. Ao redor dele, todos estavam em pares — Alice e Jasper, Rosalie e Emmett, Carlisle e Esme. Ele suspirou. Sua solidão não o incomodava completamente, mas às vezes pesava.
Esme bateu à porta.
“Oi, Edward.”
Ela o abraçou. “Queria te desejar um bom primeiro dia.”
“Isso significa muito para mim,” disse ele.
“Se precisar de ajuda…”
Ele sorriu. “Obrigado.”
Ela voltou para Carlisle.
“Ele está bem?” perguntou ele.
“Sim. Eu gosto de verificar.”
Eles conversaram sobre o tratado.
“Vai ser um problema?” perguntou Esme.
“Não,” disse Carlisle. “Respeitaremos os limites.”
Ela suspirou aliviada.
“Vai ser um novo começo,” disse ela.
“Também acho,” respondeu ele.
“E Jasper…” ela hesitou.
“Alice não viu problemas,” disse Carlisle.
“Ótimo.”
Ela sorriu.
Carlisle a beijou.
“Obrigado por sempre me acompanhar.”
“Você salva vidas,” disse ela. “E é muito bom nisso.”
Ele riu.
“Eu iria com você a qualquer lugar,” disse Esme.
“Feliz.”
Carlisle sorriu e a beijou novamente antes de segui-la até a cozinha.
Enquanto caminhavam, ele pensava: será que alguém desconfiaria? Será que tudo daria certo?
Mas, no fundo, ele já sabia a resposta.
Eles sempre dariam um jeito.