“Ei, Alice,” disse Emmett, colocando os pés para cima enquanto assistia a Back to the Future pela vigésima vez.
“Vai existir skate voador algum dia? Tipo depois do ano 2000?”
Ela riu alto e continuou rindo durante a resposta.
“Não que eu saiba, Em. Pra que você quer um skate voador?”
“Eu só acho que seria incrível,” disse ele com um sorriso largo.
Rosalie levou a mão à testa e balançou a cabeça.
“Só me faltava você voando pela cidade em um skate.”
“Carlisle, você tem que assistir esse filme do começo ao fim,” disse Emmett, olhando para onde ele estava sentado com um livro no colo.
“Sim, eu vou,” respondeu.
“Esme!” chamou Emmett pela casa.
“Faz ele relaxar e se divertir um pouco!”
Carlisle sorriu ao ouvir a risada leve dela e percebeu que estava completamente absorto nas leituras sobre novas descobertas médicas.
Fechou o livro e o colocou na mesa ao lado.
“Eu fico com isso,” disse Rosalie, piscando, enquanto Emmett virava a cabeça para encará-la.
“Estudar, estudar, estudar… é só isso que vocês fazem.”
“Talvez você devesse tentar um dia,” provocou ela. Emmett riu e apoiou o braço atrás dela no sofá, olhando o livro com desinteresse.
“Não é pra mim.” Rosalie segurou o rosto dele e o beijou.
“Estou tentando ser mais inteligente que o Carlisle, estou quase lá, então não me atrapalha,” sussurrou.
Carlisle sorriu, sabendo que ela falou alto de propósito, e nesse momento Esme entrou, olhando para a televisão.
“Quanto do filme já passou? Eu queria ver para entender o que todo mundo comenta.”
“Clássico instantâneo,” disse Alice de outro cômodo.
Emmett levantou.
“Vou voltar. Só passaram uns quinze minutos e eu já vi antes.”
“Nós sabemos,” disse Rosalie, sorrindo.
Ele balançou a cabeça, sorrindo, e reiniciou o filme para que Carlisle e Esme assistissem desde o começo.
“Você não vai ver, amor? Hoje é noite de casais.”
Esme riu com a brincadeira e com a forma como Emmett chamou aquilo.
Apesar de gostar de estudar, Rosalie gostava mais da companhia dele e acabou cedendo, deixando o livro de lado.
Esme sentou-se com Carlisle, que a acomodou em seu colo.
“Alice! Noite de casais!” gritou Emmett.
Carlisle riu, Esme também, encostando a testa nele enquanto ria.
Ele a abraçou mais forte e aproveitou para roubar alguns beijos enquanto os outros se distraíam.
“Jasper está caçando com Edward,” disse Alice da cozinha.
“Eu entro depois, estou assando algo.”
“Já senti que não vai ser apetitoso,” disse Emmett.
“Você está cheio de piadas hoje, não está?” respondeu Alice, fazendo todos sorrirem novamente.
“Só não me agrada como sangue,” disse ele.
“É para as meninas da escola,” explicou ela.
O vídeo voltou ao início e Emmett apertou o play.
“O que fazíamos sem TV?” perguntou ele.
“Destruíamos casas,” respondeu Rosalie.
Esme e Carlisle riram, lembrando-se disso.
Os quatro conversaram até o filme começar.
Quando o filme já estava acabando, Edward e Jasper voltaram.
Alice correu até Jasper e o beijou, puxando-o para o sofá.
“Você perdeu um bom filme,” disse ela.
“Como foi a caça?”
“Foi boa,” respondeu Edward.
“O que vocês estavam vendo?”
“Back to the Future,” disse Alice.
“Ah, eu vi no cinema,” comentou ele.
“Sozinho?” perguntou Rosalie.
Ele assentiu.
Carlisle olhou ao redor: todos estavam em casal, menos Edward.
Sentiu um leve aperto, imaginando que deveria haver alguém para ele também. Edward percebeu e sorriu.
“Está tudo bem.” Carlisle disfarçou e sorriu de volta.
Rosalie levantou-se.
“Vamos caçar,” disse, puxando Emmett, que saiu com ela após tirar a fita.
“Você trabalha hoje?” perguntou Edward.
“Não,” respondeu Carlisle.
“Faz dias que não caço,” disse Edward.
Esme olhou os olhos dele.
“Você foi trabalhar assim?” Carlisle riu.
“Estou precisando caçar.” “Vamos?” disse ela.
“Nós ficamos,” disse Alice, batendo no joelho de Edward.
Carlisle e Esme saíram de mãos dadas. Dentro de casa, Alice sugeria jogar Monopólio.
Na floresta, caminharam juntos, conversando até encontrarem uma clareira. Sentaram-se.
“Vamos ter que nos mudar em breve,” disse Carlisle, puxando Esme para perto.
“Eu sei,” respondeu ela, colocando as mãos sobre as dele.
“Está chateada?” perguntou ele.
Eles estavam em New Hampshire, um lugar que lembrava muito Maine.
“Não,” disse ela. “Qualquer lugar com você e a família é suficiente.”
“Tem certeza?” ele perguntou, beijando sua bochecha. “Absoluta.”
Ela virou o rosto e o beijou mais uma vez antes de se acomodarem novamente.
À frente deles, uma pequena família de cervos apareceu sob a luz da lua. Esme ficou tensa, mas não se moveu.
Carlisle sorriu ao perceber que ela resistia.
Ele mexeu o pé levemente e os cervos olharam para eles.
Nenhum dos dois se moveu.
Depois de alguns segundos, os animais voltaram a comer. Esme sorriu.
“Eu gosto que eles não tenham medo de nós.”
Carlisle riu e acariciou seu braço. “Eu nunca teria esse controle antes.”
“Era para ser uma caçada,” disse ele. Esme observou os cervos.
“Eu não posso separar a família deles.”
Carlisle ficou surpreso, mas feliz. Sua esposa, um predador natural, não queria matar uma mãe por causa dos filhotes.
“Eu te amo,” disse ele, perto do ouvido dela.
Esme riu, arrepiada com o toque das palavras.
“Eu também te amo.”
Eles se beijaram novamente e ficaram ali, observando os cervos sob a lua.