Esme ficou maravilhada ao ouvir as histórias do passado de Alice e Jasper. Ela não conseguia imaginar uma jovem tão alegre e cheia de vida sendo constantemente rebaixada, chamada de coisas inimagináveis e depois trancada contra a própria vontade em uma espécie de prisão.
“Então o vampiro que te transformou… não foi esse… James?” perguntou Edward, como se estivesse reproduzindo a história na mente enquanto ainda captava pensamentos remanescentes de Alice.
“Não,” ela balançou a cabeça, “ele era um zelador do hospital onde eu estava. Sei que ele se alimentava de alguns humanos ali, mas foi o único que fez amizade comigo; ele acreditou nas minhas visões. Quando percebeu que minha vida acabaria nas mãos de James, decidiu me transformar para que eu não sofresse. Meu sangue ‘cantava’ para James, e pelo que entendi ele conseguiria me alcançar de qualquer forma.”
Carlisle olhou para Esme e depois para os novos amigos. À luz do ambiente, todos perceberam as cicatrizes que cobriam o corpo de Jasper. Ele havia explicado sua transformação pelas mãos de uma mulher manipuladora chamada Maria, e a vida trágica que teve depois como uma espécie de executor sem vontade própria.
“Sinto muito por tudo que vocês passaram,” disse Esme com sinceridade, sem conseguir desviar completamente o olhar das marcas no corpo do jovem. Ela tentou não encarar demais, e se Jasper percebeu, não demonstrou.
“Tudo mudou quando conheci Alice,” disse Jasper. Apesar de manter uma postura firme, seus olhos revelavam emoção. “Sem ela, não sei o que teria sido de mim. Eu era um monstro… e deixei que me convencessem de que não havia outro caminho.”
Alice passou a mão pelo rosto dele e depois por seus cabelos loiros ondulados. “Nunca mais vamos olhar para trás.” Ela beijou sua bochecha com delicadeza, e Jasper fechou os olhos por um instante. Eles se olharam, compartilhando algo silencioso, antes de voltarem a sorrir.
“Alice disse que você é médico,” disse Jasper, olhando para Carlisle.
Ele assentiu. “Sim.”
“Como você aguenta?” perguntou. “O sangue… deve haver muito dele ao seu redor.”
“Levei muito tempo para desenvolver o controle que tenho hoje,” explicou Carlisle. “Fui transformado no século XVII por um imortal desconhecido e me exilei nas florestas próximas a Londres. Não sabia que havia outra forma até que minha sede me levou a atacar um cervo. Estava sozinho… mas não consigo imaginar o que é ser forçado a matar humanos naquele início tão confuso.”
“Não sei o que teria sido de mim se não fosse Carlisle,” disse Edward.
“Você o transformou?” perguntou Jasper.
Carlisle assentiu.
“E a Esme também,” acrescentou Edward. “Nós dois estávamos morrendo.”
“Vocês já se conheciam… antes?” perguntou Alice.
“Não,” disseram os dois ao mesmo tempo.
“Nós nos vimos uma vez antes,” disse Esme. “Dez anos antes de eu… tentar tirar minha própria vida.”
Jasper ficou surpreso. Carlisle colocou a mão sobre o joelho dela, e Esme entrelaçou os dedos com os dele. Alice sorriu ao ver o gesto, mas continuou ouvindo.
“Eu era casada com um homem horrível,” disse Esme. “Fui forçada a esse casamento e acabei engravidando. Não queria criar um filho naquele ambiente, então fugi. Perdi meu bebê… e achei que não havia mais nada para mim. Então pulei de um penhasco.”
Alice olhou para Carlisle, que a observava com tristeza.
Jasper sentia a dor nas emoções dela.
Mas Esme sorriu.
“Tudo isso foi apagado quando Carlisle me salvou. Ele me mostrou um amor que eu nunca conheci.”
“Vocês já tinham se encontrado antes?” perguntou Jasper.
“Sim,” disse ela. “Eu quebrei o braço e fui atendida por ele.”
Ela sorriu timidamente.
“Eu tinha uma queda por ele.”
Alice sorriu e olhou para Edward, percebendo que ele também se alegrava com aquela história. Carlisle tentou sorrir, mas ainda sentia dor ao lembrar da vida humana de Esme. Jasper percebeu isso e usou seu dom.
Edward notou.
Carlisle relaxou.
“Melhor?” perguntou Alice.
Edward riu. “Ele usou o dom.”
Esme sorriu. “Sério?”
Jasper assentiu.
Carlisle sorriu novamente.
Edward e Alice começaram a se conectar rapidamente. Carlisle ficou feliz ao ver um lado mais leve de Edward surgir. Eles conversaram sobre seus dons, sobre o peso que eles traziam.
“Mal posso esperar para conhecer Rosalie e Emmett,” disse Alice. “Emmett deve ser divertido.”
“Ele é,” disse Edward rindo.
“Edward,” disse Esme, repreendendo.
Jasper sorriu com a cena.
Carlisle então disse a Jasper: “Vou te ajudar com sua sede. Todos nós passamos por isso.”
Jasper assentiu. “Obrigado.”
Carlisle percebeu o quanto ele faria qualquer coisa por Alice.
Assim como ele por Esme.
Assim como Emmett por Rosalie.
E, no fundo, desejava isso para Edward também.
“Não caçamos recentemente,” disse Alice. “Viemos direto até vocês.”
Carlisle percebeu a sede em Jasper.
“Há muitos animais por perto,” disse ele.
“Escolhemos lugares isolados,” disse Esme.
Edward percebeu que Carlisle queria acompanhar Jasper… mas decidiu não sugerir.
Alice parecia confiante.
“Vamos ficar bem,” disse ela, segurando a mão dele.
Ela o beijou.
Ele sorriu.
“Voltamos já,” disse Alice.
“Claro,” disse Esme.
Eles saíram.
—
Silêncio.
“Alice e Jasper…” disse Esme sorrindo.
Carlisle sorriu.
Edward riu.
“Gosto mais dela que da Rosalie.”
“Edward.”
Eles riram.
“Devemos preparar um quarto,” disse Carlisle.
Edward sorriu.
“Eles vão ficar.”
Ele subiu correndo.
Carlisle e Esme o seguiram.
—
O quarto de Edward…
não era mais dele.
Tudo havia mudado.
Uma cama delicada.
Cores suaves.
Perfeito.
Edward abriu o armário.
Vestidos.
Sapatos.
Chapéus.
Esme levou a mão à boca… e riu.
Carlisle brincou:
“Vejo que mudou o estilo.”
Edward riu.
“Ela já escolheu o quarto.”
Eles riram juntos.
E perceberam…
que Alice e Jasper seriam uma parte importante da família.