Esme encarou as belas criaturas diante dela e, de repente, sentiu-se muito mais possessiva em relação a Carlisle do que jamais imaginara ser possível. As mulheres eram absolutamente deslumbrantes, e ela não conseguia conceber que alguém pudesse vê-las de outra forma. Eram como deusas; deusas loiras, com traços perfeitos e corpos ainda mais impecáveis. Elegantes era um termo adequado, embora Esme achasse que não fazia jus a elas. Havia algo quase mágico nelas, e ela apertou a mão de Carlisle com mais força, por puro reflexo.
“Vocês caçam animais.” A voz de Carlisle se misturou à de Tanya no mesmo ritmo, com a mesma suavidade, soando mais como um coro do que duas pessoas dizendo a mesma frase.
“Nunca vimos outros que praticassem um estilo de vida como o nosso,” disse Kate, aproximando-se alguns passos até ficar alinhada com a irmã. Irina permaneceu mais atrás, observando tudo com atenção.
“Somos cinco,” explicou Carlisle. “Acabamos de nos mudar do estado de Washington.”
“Vocês vivem na natureza ou em uma casa?” perguntou Tanya, analisando-os. “Aposto em uma casa, pelo modo como se vestem e pensam. Vocês definitivamente não são selvagens.”
“Vivemos como humanos,” continuou Carlisle. “Trabalho como médico, e nos mudamos com frequência para não chamar atenção.”
“Médico?” disse Irina. “Cercado de sangue?”
Carlisle assentiu.
As três trocaram olhares desconfiados, mas perceberam que ele dizia a verdade.
“Seu autocontrole pode ser até maior que o nosso,” disse Kate com um sorriso provocador.
“Talvez,” acrescentou.
“Há mais alguém com vocês?” perguntou Carlisle.
“Sim,” disse Tanya com um sorriso.
Esme percebeu o leve dilatar de suas pupilas e não sabia se era fome… ou interesse. Um leve ciúme atravessou seu peito.
Carlisle soltou a mão dela apenas para passar o braço por seus ombros, puxando-a para perto. Ele não podia ler seus pensamentos — e ela agradeceu por isso.
“Vivemos com outro casal,” disse Kate. “Carmen e Eleazar. Eles também caçam animais há muito tempo.”
“Mas nem sempre tivemos esse controle,” acrescentou Tanya.
“Eu nunca vou entender relacionamentos entre vampiros,” disse Kate rindo. “Mas parabéns para vocês dois. Carmen e Eleazar só têm olhos um para o outro.”
“Eu prefiro homens humanos,” disse Tanya, sorrindo. “Seu trabalho é admirável… mas você já se envolveu com humanos?”
Carlisle ficou visivelmente desconfortável.
“Não,” respondeu. “Sou casado com Esme, e só tenho olhos para ela.”
Ele a puxou um pouco mais para perto.
“Admiro isso,” disse Irina.
“Há homens solteiros na família de vocês?” perguntou Kate.
“Um,” respondeu Carlisle.
“E os outros?”
“São um casal,” disse Esme.
“E todos vocês se alimentam de animais?” perguntou Irina.
Eles assentiram.
“Esperamos não estar invadindo seu território,” disse Carlisle.
“Desde que não matem humanos, está tudo bem,” disse Tanya.
Irina ficou em silêncio por um momento.
Carlisle percebeu dor ali.
Mas não perguntou.
“Gostaríamos de conhecer o restante da sua família,” disse Kate.
Família… pensou Esme.
Ela gostou disso.
Mas o ciúme ainda estava lá.
“Vocês vão para casa agora?” perguntou Tanya.
Eles assentiram.
“Seguiremos o cheiro de vocês depois da caça.”
“Perfeito,” disse Carlisle.
As três desapareceram na floresta.
—
Carlisle olhou para Esme.
Algo estava errado.
“O que houve?”
“Nada,” ela disse.
Ele a puxou para mais perto.
“Esme…”
Ela suspirou.
Não queria admitir.
Mas não conseguiu esconder.
“Eu… estou com ciúmes.”
Carlisle riu suavemente.
“Ciúmes?”
“Elas são lindas,” disse ela. “E… solteiras.”
“Eu não sou,” respondeu ele.
“Eu não sou como elas,” disse Esme.
Carlisle segurou seu rosto.
“Você é muito mais.”
Ela balançou a cabeça.
“Você é a coisa mais linda que eu já vi em mais de duzentos anos,” disse ele, sério. “Ninguém nunca me afetou como você.”
Ela o encarou.
E acreditou.
“Você é a única pessoa que eu vou amar… para sempre.”
Esme sorriu, tímida.
“Eu acredito.”
Carlisle a beijou.
“Eu te amo.”
“Eu também.”
Ele a levantou em seus braços.
Ela riu.
“Você vai me querer para sempre?”
“Para sempre… e além.”
E naquele momento… todo o ciúme desapareceu.