Carlisle registrou em detalhes sua experiência com a tribo Quileute, acrescentando observações sempre que novas ideias surgiam, inclusive perguntas para as quais ainda não tinha resposta.
Seu fascínio por aquela existência não diminuiu, embora pudesse escrever apenas com base em um encontro tão breve.
Uma parte dele gostaria de voltar até a reserva e conversar longamente com Ephraim Black, ou com qualquer um deles, mas sabia que os Quileute não desejavam contato e Carlisle não quebraria o tratado que haviam feito para manter a paz.
A permanência deles em Washington se estendeu por mais tempo do que o habitual, embora, como sempre, a família continuasse a se mudar para manter discrição.
Edward, Emmett e Rosalie cursaram o ensino médio novamente e depois a faculdade, até que Carlisle decidiu que era hora de partir.
Ele sempre deixava a decisão para todos, mas era ele quem iniciava a conversa quando julgava necessário.
Ninguém discordava, embora fosse difícil deixar um lugar depois de se estabelecer. Washington não foi exceção, e todos passaram a gostar muito da região, principalmente pela pouca luz solar.
Emmett e Rosalie falaram tanto sobre o norte, sobre Canadá e Alasca, que Carlisle sugeriu o Alasca como próximo destino.
Rosalie concordou imediatamente, e Emmett apoiou sua decisão. Esme e Edward também aceitaram, e partiram juntos como uma família.
Esme fazia questão de usar a palavra “família” em vez de “clã”. Para ela, eles eram mais do que isso, e essa ideia passou a fazer parte de todos.
Emmett adotou isso com facilidade, e Carlisle também sempre concordou, já que nunca mais se sentira sozinho desde que todos estavam juntos.
Comprar e vender casas já era algo natural para Carlisle.
Ele encontrou uma nova casa no Alasca, e ao chegarem, sorriu para Esme.
“Lar doce lar.”
Ela apertou sua mão. “Você gosta?”
“E você?”
“Eu amo.”
Eles se beijaram.
Emmett chegou logo atrás, sorrindo. “Nossa vida é incrível.”
Rosalie se encostou nele. “É lindo.”
“Só não destruam essa também,” disse Edward, sorrindo.
Eles riram.
Entraram na casa, e Esme mostrou cada detalhe. Todos insistiram para que ela e Carlisle escolhessem primeiro os quartos. Em poucas semanas, a casa já parecia um lar.
Edward, Emmett e Rosalie voltaram à escola. Emmett não se importava, Rosalie achava entediante, e Edward apenas aceitava.
Carlisle voltou ao hospital, sendo rapidamente respeitado por todos. Ele ainda se surpreendia com os avanços da medicina, questionando o que poderia mudar no futuro, mas continuava apaixonado pelo que fazia.
A vida seguia seu curso, sempre diferente, sempre interessante.
—
A caça também trazia novas experiências.
Alasca tinha muitos animais.
Emmett adorava caçar ursos.
Eles quase sempre caçavam em dupla. Carlisle preferia estar com Esme. Para ele, caçar com ela era como um encontro.
Eles tinham um local fixo — isolado, silencioso, perfeito.
Após uma caça, Esme limpava as mãos e as roupas, às vezes frustrada por sujá-las.
Carlisle sorriu. “Nem todas as roupas podem ser salvas.”
Ela sorriu. “Você me conhece bem demais.”
Ele a beijou.
“Eu gosto daqui,” disse ela, olhando a paisagem.
“Podíamos ter vindo antes.”
“Mas chegamos agora.”
Ele apertou sua mão.
“Tudo o que você quiser é seu.”
Ela sorriu.
Eles olharam o horizonte.
Então, ao mesmo tempo, se viraram um para o outro.
Carlisle imediatamente se colocou na frente dela.
Três mulheres surgiram da floresta.
Lindas. Loiras. Elegantes.
Mas o que mais chamou atenção…
foram seus olhos.
Dourados.
—
Esme permaneceu ao lado de Carlisle.
Nenhuma ameaça.
Apenas curiosidade.
—
“Olá,” disse Carlisle.
As mulheres trocaram olhares.
“Olá,” respondeu uma delas.
Carlisle manteve o tom calmo. “Se estamos em seu território, peço desculpas. Não queremos problemas. Eu sou Carlisle Cullen. Esta é minha esposa, Esme.”
A mulher no centro deu um passo à frente.
Um leve sorriso surgiu.
Ela estendeu a mão.
“Meu nome é Tanya. Estas são minhas irmãs, Kate e Irina.”