Edward entrou pela porta da frente e fez um aceno para Emmett. Carlisle estava sentado ao lado de Esme e percebeu a troca, entendendo que Edward havia deixado dinheiro e comida suficientes na antiga casa de Emmett.
"Obrigado," disse Emmett. Ele olhou para Rosalie, que estava sentada ao seu lado e se aproximou um pouco mais dele. Um suspiro escapou de seus lábios enquanto olhava ao redor.
"Sinto muito que tenha sido assim," disse Carlisle. "É que—"
"Eu sei," respondeu Emmett suavemente. "Eu entendo."
Carlisle assentiu e passou o braço pelos ombros de Esme.
"Eu sei o que você está passando," disse Rosalie, olhando diretamente para ele. "Eu vou te ajudar."
Um leve sorriso apareceu no rosto de Emmett. Ele olhou para a mão dela e colocou a sua por cima. Rosalie apoiou a outra mão sobre a dele e deslizou suavemente pelo seu antebraço.
Esme olhou para Carlisle, e Edward subiu lentamente para o andar de cima.
"Como está indo a caça, Emmett?" perguntou Esme.
Um sorriso verdadeiro surgiu em seu rosto. "Está fácil demais pegar os animais por aqui. No começo foi difícil, mas agora não chegam nem perto de mim."
Ela sorriu e riu baixinho. "Que bom."
A menção à caça despertou algo nele, e ele levou a mão ao pescoço.
"Vamos," disse Rosalie.
Emmett se levantou e sorriu para ela. "Sim, senhora."
De costas para ele, Rosalie sorriu e saiu, com Emmett logo atrás.
"Até já," disse ele, acenando para Carlisle e Esme.
"Tchau," disse Esme, sorrindo ao sentir a energia de Emmett.
Ela se virou para Carlisle. "Eu gosto dele. Ele é divertido… e se adaptou bem."
Carlisle sorriu. "Acho que você está certa."
"Sobre Rosalie?"
Ele assentiu.
"Eu também acho. Ela está muito melhor desde que ele chegou."
Carlisle riu baixo. "Concordo… e sou muito grato por isso."
Esme se aconchegou nele e beijou sua bochecha. "Acho que tudo vai dar certo."
—
"Eu não sei o que aconteceu…" disse Emmett, balançando a cabeça. Seus olhos carregavam culpa, combinando com o sangue que manchava suas roupas e mãos. "Eu… eu não sei o que dizer. Me desculpem. Eu não sabia que era capaz de…"
Ele olhou para as próprias mãos.
Esme estava alguns passos atrás de Carlisle, com a mão cobrindo o nariz e a boca. Rosalie parecia à beira de chorar, ao lado de Emmett — pronta para ficar ao lado dele, não importava o que acontecesse.
Edward estava ao lado de Esme, desconfortável, mas tentando disfarçar.
Carlisle se aproximou de Emmett e colocou a mão em seu ombro.
"Está tudo bem. Vamos resolver isso."
Emmett o olhou. "Eu estraguei tudo, não foi?"
"Não," disse Carlisle.
"Não," repetiu Rosalie imediatamente.
"Mas vocês não fazem isso," disse Emmett.
"Nós já fizemos," disse Rosalie. "No começo."
Edward assentiu. "Você vai aprender a resistir."
Esme também assentiu, mas não conseguiu falar. O cheiro de sangue era forte demais.
"Onde aconteceu?" perguntou Carlisle.
Rosalie colocou a mão nas costas de Emmett.
"Na estrada de terra… alguns quilômetros daqui," disse ele. "Uma mulher… estava sozinha… eu não consegui parar. Eu estava na floresta e… de repente… estava em cima dela."
Ele fechou os olhos.
"Eu podia ouvir o sangue… não consegui resistir."
"Nós entendemos," disse Carlisle.
Ele olhou para Rosalie. "Onde está o corpo?"
"No quintal dela," respondeu Rosalie. "O que vamos fazer?"
Carlisle pensou.
"Há ursos na região. Vão achar que foi um ataque de animal."
Ele respirou fundo.
"Se chegar ao hospital… eu cuido disso."
—
Rosalie pegou a mão de Emmett.
"Vamos. Você precisa se limpar."
"Carlisle… Esme… Edward… me desculpem."
"Eu já fiz isso," disse Edward.
"Eu também," disse Esme.
Emmett ficou surpreso… mas apenas assentiu.
—
Carlisle olhou para Esme.
"Eu me sinto mal por ele," disse ela.
"Não é fácil."
"Acho que preciso caçar."
"Eu também," disse Edward.
"Eu fico," disse Carlisle. "Quero garantir que ele esteja bem."
Esme beijou sua bochecha.
"Vai ficar tudo bem."
"Tenham cuidado."
"Vamos ter."
Eles se olharam por um segundo… antes de ela sair com Edward.
—
Carlisle voltou para dentro.
Emmett estava terminando de se limpar.
"Eu me sinto mal por aquela mulher," disse ele. "Eu matei ela."
Carlisle abaixou o olhar.
"Vai ficar tudo bem."
"Você já…?"
"Não," disse Carlisle. "Mas quase todos… já mataram alguém."
"Mas você não?"
"Não."
"Como?"
"Você vai aprender."
"Isso passa?"
"Não passa… mas você fica mais forte."
Emmett assentiu.
"O sangue humano… é melhor," disse ele, rindo sem humor. "Eu nunca machuquei ninguém… e agora…"
"Não foi você," disse Carlisle. "Foi o instinto."
"Rosalie está com raiva?"
"Não," disse ela, aparecendo na porta.
Emmett sorriu.
"Sério?"
"Sério. Eu entendo."
"E os outros?"
"Não estão com raiva," disse Carlisle.
"Esme… foi tão boa comigo…"
"Ela não está decepcionada."
"O sangue deixou todo mundo desconfortável."
"Isso faz parte," disse Rosalie.
"Infelizmente," disse Carlisle.
"Então ninguém está com raiva?"
"Não."
Emmett sorriu, com suas covinhas aparecendo.
"Legal."
Rosalie sorriu também.
Carlisle riu e saiu do quarto.
—
"Vamos caçar," disse Rosalie. "Você fica muito mais bonito com olhos dourados."
"Então eu estou feio assim?" disse ele, olhando no espelho.
"Você é bonito de qualquer jeito," disse ela. "Mas com olhos dourados… é irresistível."
Ele sorriu, um pouco tímido.
Carlisle saiu.
—
Rosalie se aproximou.
Havia algo entre eles.
Forte.
Incontrolável.
—
Emmett não desviou o olhar.
—
Ela se aproximou.
E o beijou.
—
Ele fechou os olhos.
Sentiu como se seu coração batesse novamente.
—
Rosalie suspirou.
O toque.
O gosto.
A eletricidade.
Nada daquilo existia com Royce.
—
Era diferente.
Era real.
—
Pela primeira vez…
Rosalie sentiu o que sempre quis.
Ela sentiu amor.