Carlisle, Esme, Rosalie e Edward aguardavam no pequeno escritório enquanto o homem permanecia imóvel. Para todos eles haviam se passado horas — mas para Rosalie, dias. Observavam pacientemente a transformação silenciosa.
Quando ele se mexeu de repente e se sentou de forma muito mais brusca do que qualquer um deles havia feito, Carlisle quase avançou, mas parou ao ver o olhar vazio do homem ao redor do cômodo. Seus olhos estavam arregalados, as sobrancelhas erguidas. Ele olhou para as próprias mãos, depois para o corpo, e então saltou da mesa.
O primeiro olhar que lançou foi para Rosalie.
Ele simplesmente não conseguia desviar os olhos dela.
"Eu consegui?" perguntou, ofegante.
"Conseguiu o quê?" ela perguntou.
Ele tocou o próprio rosto, olhou para as mãos e voltou a encará-la.
"Nós estávamos voando. Você… você é o anjo que me trouxe aqui."
Edward soltou uma risadinha no canto da sala ao ouvir a palavra “anjo”. Mas, ao ler os pensamentos dele, sabia que ele realmente acreditava nisso.
"Eu estou no céu?" disse ele, mais como uma pergunta. Olhou para Carlisle — e, por um instante, cogitou que ele fosse Deus. "Você é…?" Ele balançou a cabeça, sem terminar a frase.
"Não somos quem você pensa," disse Edward rapidamente. "Você não está no céu. Carlisle não é Deus… e Rosalie definitivamente não é um anjo."
O homem falou antes de qualquer reação.
"Se eu não estou no céu…"
"Você ainda está na Terra," explicou Carlisle. "Não passou para nenhuma vida após a morte."
"Mas…" Ele levantou a camisa, olhando o próprio corpo. "Eu estava morrendo… e então…"
Seus olhos voltaram para Rosalie.
"Você me levou voando como um anjo… você não é um?"
Rosalie ficou secretamente encantada com a impressão dele. Queria dizer que sim… mas não queria começar com uma mentira.
"Não," disse ela. "Muito longe disso."
Edward assentiu em silêncio, sorrindo. Esme lançou-lhe um olhar para que não estragasse o momento.
"Qual é o seu nome?" perguntou Carlisle.
"Emmett."
"Eu sou Carlisle. Esta é minha esposa, Esme. Rosalie foi quem te salvou… e aquele ali é Edward."
"Oi," disse Emmett, ainda confuso. "Então… eu estava em coma? Onde está minha família?"
"Algo parecido com um coma," disse Carlisle. "Mas não exatamente o que você imagina."
"Você é um vampiro," interrompeu Rosalie. "Você achou que estava voando porque eu estava correndo com você nos braços. Eu te trouxe por mais de cem milhas até aqui."
Emmett olhou ao redor… e começou a rir.
"Vampiro?"
"Sim," disse Rosalie, assentindo. "É difícil acreditar. Mas observe."
Ela chamou Edward.
Carlisle e Esme recuaram.
"Para fins de demonstração," disse Rosalie.
"Está bem," disse Edward.
Ela sorriu… e o empurrou com toda força.
Edward atravessou a porta e caiu no quarto ao lado.
Emmett ficou boquiaberto.
"Venha," disse Rosalie, puxando-o.
"Rosalie…" começou Carlisle.
"Está tudo bem. Só o quintal."
"Edward, verifique a área," disse Carlisle.
Edward assentiu e saiu.
"Verificar o quê?" perguntou Emmett.
"Pessoas," respondeu Esme.
"Vampiro?" repetiu Emmett, rindo.
"Observe," disse Rosalie.
Ela correu pelo quintal, encontrou uma árvore… e a partiu ao meio com um chute.
"Agora você."
Emmett a encarou, quase encantado.
Então correu.
Rápido.
Muito rápido.
Derrubou várias árvores.
Parou.
"Uau… se isso for um sonho, é o melhor que já tive."
"Não é sonho," disse Rosalie. "É real."
Ele olhou nos olhos dela.
Quase tocou seu rosto… mas não ousou.
"Seu rosto…" disse ele. "É perfeito."
Ele olhou para Carlisle e Esme.
"Iguais."
"Vocês são casados?" perguntou.
"Sim," respondeu Carlisle.
Ele voltou para Rosalie.
"E ele é seu marido?"
"Edward?" ela riu. "Deus me livre. Ele é como um irmão."
"Vocês são parecidos… mesmos olhos… mesma pele."
"Sua pele também é assim agora," disse Carlisle. "E seus olhos vão mudar."
"Mudar?"
"Quando sua dieta se estabilizar."
"Eu explico depois," disse Rosalie.
"Ok…" disse Emmett, olhando para ela.
"Por que eu não estou… respirando?"
"Você não precisa respirar," disse Rosalie. "Nunca mais."
"Sério? Podemos testar?"
"Depois," disse ela rindo. "Agora… sua garganta vai queimar. É sede de sangue."
"Sangue?"
Ela assentiu.
"Mas vocês não matam pessoas."
"Não," disse ela.
"Eu não pensei isso," disse ele rapidamente.
Ele olhou para Carlisle.
"O que vocês fazem?"
"Nos alimentamos de animais," explicou Carlisle. "Mas outros… caçam humanos."
"É difícil resistir," disse Esme. "Você não pode ficar perto de humanos por um tempo."
"Mas você vai aprender," disse Carlisle.
Rosalie assentiu.
"Área limpa," disse Edward, retornando.
Emmett respirou fundo… e sentou.
"Isso é demais."
Esme colocou a mão em seu ombro.
"Vai ficar tudo bem," disse ela com suavidade. "Todos nós passamos por isso."
Ele olhou para ela… e se acalmou.
"Ok…"
Rosalie se aproximou de Carlisle.
"Posso ensiná-lo a caçar?"
Emmett ouviu.
"Caçar? Eu sei caçar."
"Não como nós," disse ela, sorrindo.
Ele franziu a testa.
"Então… não somos humanos?"
"Não," disse ela.
"Eu estava sendo atacado por um urso…"
"Eu matei ele," disse Rosalie.
"Como?"
"Com as mãos."
Ele queria rir.
Mas não riu.
Pela primeira vez… estava com medo.
"Não tenha medo," disse Rosalie, estendendo a mão.
"Venha comigo."
Silêncio.
Ele olhou para ela.
E o medo desapareceu.
—
Esme olhou para Carlisle.
Carlisle a puxou para perto.
Ambos perceberam.
Algo estava acontecendo ali.
—
Emmett olhou para a mão dela.
Depois para os outros.
Carlisle assentiu.
Esme sorriu.
Edward hesitou… e então também assentiu.
—
Rosalie deu alguns passos.
Então os dois desapareceram na floresta.
—
"Devemos nos espalhar," disse Carlisle.
Edward saiu primeiro.
—
Esme sorriu.
"Você viu como ele olhou para ela?"
Carlisle sorriu, mas cauteloso.
"Sim, mas—"
"Carlisle… ele olhou como eu olhei para você."
Carlisle riu suavemente e a beijou.
"Vamos ver."
Esme sorriu.
"Eu já sei o que vai acontecer."