O autocontrole de Rosalie começava a vacilar à medida que a silhueta da casa surgia à vista. Carlisle e Esme já corriam para fora quando ela invadiu a propriedade.
"Rosalie," disse Carlisle, aflito, "o que aconteceu?" Seu primeiro pensamento foi que ela havia perdido o controle, como Esme anos atrás quando ainda era recém-transformada.
"Não fui eu," foram suas primeiras palavras. "Eu o encontrei. Ele estava sendo atacado por um urso enorme."
A emoção em sua voz tocou profundamente Carlisle e Esme. Ficava claro que aquele homem significava algo para ela.
"Você pode salvá-lo?" ela perguntou, quase engasgando ao conter o impulso de se alimentar.
"Rosalie..." a voz de Carlisle falhou.
"Carlisle, por favor," implorou ela. "Eu preciso que você faça isso. Salve ele. Faça o que fez por mim… por Esme." Sua mão se estendeu na direção dele.
Carlisle olhou para Esme. Não havia arrependimento em sua decisão de tê-la transformado — apenas o antigo medo do que poderia haver depois da vida. Ele era feliz. Completo. E, por algum motivo, aquele homem havia acendido algo nos olhos de Rosalie. O desespero dela era suficiente.
"Por favor," sussurrou Rosalie, desta vez com urgência.
A mão de Esme subiu até a garganta, e ela fechou os olhos. "Carlisle…" disse, balançando a cabeça.
Carlisle segurou o rosto dela com ambas as mãos. "Vá com Rosalie. Vá caçar."
O olhar de Esme queimava no dele, depois passou para o homem ensanguentado.
"Olhe para mim," pediu Carlisle com suavidade. "Esme, por favor."
Ele a beijou, e ela saiu por um instante do transe causado pelo cheiro de sangue.
"Ok… tudo bem," disse ela.
"Carlisle…" insistiu Rosalie.
"Vá com Esme," ordenou ele. "Eu farei o possível para salvá-lo."
Ela o encarou com olhos endurecidos.
"Eu prometo, Rosalie," disse ele, ainda tocando o rosto de Esme. "Vão caçar enquanto eu cuido dele."
Esme segurou a mão de Rosalie. "Vamos. Venha comigo."
Rosalie manteve o olhar fixo em Carlisle por mais alguns segundos antes de sair correndo com Esme em direção oposta. O cheiro de sangue ainda estava no ar, mas foi desaparecendo conforme se aprofundavam na floresta.
—
Carlisle olhou para o homem e ouviu seu coração ainda batendo. Da mesma forma inexplicável que havia sentido algo por Esme, agora percebia que aquele homem significava algo para Rosalie.
Ele entrou rapidamente na casa e levou o ferido até o escritório. Olhou para a cruz e fez uma breve oração, pedindo força, antes de cravar os dentes na pele frágil do desconhecido.
—
Carlisle permaneceu ao lado da mesa enquanto o jovem se contorcia, soltando gemidos de dor. Seu corpo estava tenso, os punhos cerrados, mas sua mente parecia inconsciente.
Uma hora depois, Esme e Rosalie retornaram e foram direto ao escritório, ansiosas.
Carlisle foi ao encontro delas.
"Vocês estão bem?"
Elas assentiram. Esme parecia envergonhada pelo desejo intenso que sentira.
Carlisle colocou um braço sobre seus ombros e olhou para Rosalie.
"Estamos bem," disse Esme.
"Onde você o encontrou?" perguntou Carlisle.
Rosalie levou a mão à boca, lembrando-se de quanto teve que resistir. "Devia estar a centenas de quilômetros daqui."
Os olhos dele se arregalaram. "Você trouxe ele até aqui… nesse estado?"
Ela assentiu, olhando para o corpo ainda imóvel, mas em recuperação.
"Ele vai ficar bem?"
Carlisle ainda parecia impressionado. "O veneno já está agindo. Ele deve acordar em um ou dois dias."
Rosalie demonstrou alívio e não conseguia tirar os olhos do rosto dele.
"Ele parecia tão… inocente. Foi horrível vê-lo daquele jeito."
Ela encontrou o olhar de Carlisle — e, pela primeira vez, entendeu sua decisão de tê-la transformado.
Carlisle também percebeu.
Algo havia mudado.
—
Esme olhou para o rapaz na mesa.
Uma ideia surgiu.
Talvez… ele fosse alguém especial para Rosalie.
Destino, pensou ela. O mesmo destino que a uniu a Carlisle.
Mas então pensou em Edward… e sentiu um leve aperto.
—
Carlisle beijou a bochecha de Esme e sussurrou:
"Você foi muito forte."
Ela balançou a cabeça, mas sorriu levemente.
—
Os dois observaram Rosalie se aproximar da mesa e tocar suavemente o rosto do homem.
Esme olhou para Carlisle.
Ambos pensaram a mesma coisa.
Temos um novo membro na família.
Um sorriso surgiu no rosto dela.
—
"Como será o nome dele?" perguntou Rosalie, sem desviar o olhar.
"Vamos descobrir em breve," disse Carlisle. "Agora é só esperar."
"Um ou dois dias?"
Ele assentiu.
Dois dias… pensou Rosalie. Parece uma eternidade.
—
"Vamos ter novidades para Edward," disse Esme.
Rosalie continuou olhando para o rapaz.
Carlisle tocou levemente Esme, sugerindo que dessem privacidade.
Eles saíram para a varanda.
—
Esme apoiou-se no corrimão. Carlisle a envolveu por trás.
"O que você está pensando?"
"Muitas coisas… Talvez ele seja importante para Rosalie."
Ele percebeu seu suspiro.
"E mais?"
"Como você consegue?" perguntou ela. "O sangue ainda me afeta tanto…"
Carlisle sorriu. "Décadas de prática."
"Já deveria ser mais fácil para mim."
"Não seja tão dura consigo mesma," disse ele. "Eu levei muito mais tempo."
Esme virou-se para ele.
"Você está muito mais avançada do que eu estava na sua idade."
"Não é verdade."
"É sim."
Ela não sabia se ele estava apenas tentando confortá-la — mas funcionou.
Carlisle beijou perto de sua orelha.
"Além disso… eu perco o controle em outras coisas."
Ela sorriu.
"Eu quase lutei com você hoje," disse ela. "Quase ataquei aquele homem."
Carlisle riu. "Lutar comigo?"
Esme ficou horrorizada consigo mesma.
Ele a beijou para interromper.
"Pode lutar comigo qualquer dia… ainda será um dos melhores dias da minha vida."
Ela sorriu, cedendo ao momento.
—
"O que vai acontecer agora?" perguntou ela.
"Não sei," disse Carlisle. "O que você acha?"
Esme olhou para ele.
"Acho que vamos ganhar mais um membro na família."
Carlisle sorriu.
"Espero que sim."
—
Eles ficaram ali, absorvendo o momento.
Ambos ansiosos pelo que viria.
Ele vai se adaptar?
Vai aceitar nossa vida?
Ele e Rosalie vão se apaixonar?
E Edward?
Perguntas sem fim.
Mas, no fundo, sabiam a resposta.
Só o tempo dirá.