Carlisle e Esme viajaram por grande parte da Europa. Ele sentia prazer em mostrar a ela os lugares onde cresceu e, ao tê-la ao seu lado nesse percurso que representava seu passado, sentia uma espécie de completude. Embora ainda fosse uma fase marcada por sombras, ele encontrava conforto no fato de que agora Esme fazia parte dessas memórias. Aquelas terras deixavam de ser apenas lembranças de dor, perda e solidão — tornavam-se também o cenário de uma viagem ao lado de sua esposa.
Para sua alegria, Carlisle acabou encontrando Alistair, que continuava vivendo na região. Ao longo dos anos, ele sempre o visitava ocasionalmente, apesar de Alistair insistir que não precisava de companhia.
Carlisle já havia falado dele a Esme e a avisara que ele não era exatamente amigável. Ainda assim, queria muito que ela o conhecesse. Apesar da aparência fria, Carlisle sabia que havia bondade nele — talvez porque Alistair tenha sido o primeiro vampiro que ele encontrou, fazendo-o perceber que não estava sozinho no mundo.
Esme também percebeu essa bondade, mesmo com as tentativas constantes de Alistair de esconder isso. Ela foi extremamente amigável e demonstrou entusiasmo ao conhecer outro vampiro fora de sua família.
Como Carlisle previra, a conversa foi breve. Alistair se despediu rapidamente. Esme chegou a pensar que sua empolgação o afastara, mas Carlisle garantiu que aquilo era apenas o jeito dele.
“É o modo dele de evitar vínculos,” disse Carlisle. “Mas ele é uma boa pessoa.”
Mesmo assim, Esme expressou suas dúvidas — embora não estivesse realmente incomodada. Pelo contrário, ficou feliz por ter conhecido alguém como eles. O fato de ele ser ainda mais antigo que Carlisle a impressionava.
Ela gostou especialmente de suas palavras de despedida.
“Vocês são claramente feitos um para o outro,” disse Alistair com um sorriso sarcástico.
Apesar do tom, Esme sorriu. Ela adorava ouvir aquilo.
—
Eles passaram alguns dias na Inglaterra antes de seguir viagem, acabando por chegar à Irlanda.
“Vamos deixar a Itália por último?” perguntou Esme. “Tenho muita curiosidade sobre lá. Você falou tanto de Aro, Marcus e Caius…”
Carlisle hesitou.
“Acho melhor não irmos para a Itália.”
Esme ficou surpresa, mas assentiu.
“Eles são… um clã sombrio,” explicou ele. “São inteligentes, mas gostam de se intrometer.”
Ela assentiu.
“Eles tentariam nos provocar. Com sangue humano… e outras coisas.”
“Outras coisas?” perguntou ela.
Carlisle assentiu.
“Mulheres?” ela perguntou, curiosa.
Ele riu. “Você não precisa se preocupar com isso.”
“Eles já tentaram antes?”
Carlisle sorriu ao notar um leve ciúme. “Sim… mas nunca aceitei.”
“Não é grande coisa,” disse ela, fingindo indiferença.
“Você é a única mulher que eu já amei,” disse ele.
Esme suavizou a expressão. “Desculpa.”
“Não precisa se desculpar,” ele riu. “Só quero que saiba que nunca mentiria para você.”
Ele ficou mais sério. “Eles são perigosos. Não quero que tentem te manipular.”
Esme colocou um dedo nos lábios dele. “Eu confio em você.”
Carlisle sorriu e a beijou.
“Se você insistisse muito, eu provavelmente cederia, mas—”
Ela o beijou novamente, interrompendo-o.
“Não precisa explicar.”
“Eu te amo.”
“Eu também.”
—
Eles caminharam pela Irlanda sob o céu noturno.
“Quero voltar aqui um dia,” disse Esme. “Eu amei Londres e Paris.”
Carlisle sorriu. Aquela viagem era um descanso necessário após anos ajudando Rosalie a se adaptar. Mas, ainda assim, ambos sentiam falta de Edward e Rosalie.
“Obrigado por vir comigo,” disse ele.
“Obrigada por me trazer.”
“Desculpa por não irmos à Itália.”
“Está tudo bem.”
“Eu só quero que você esteja segura.”
“Eu sei.”
Ele apertou sua mão e a envolveu pelos ombros.
—
Foi então que ambos sentiram o cheiro.
Outros vampiros.
Eles se olharam, curiosos. Esme, empolgada, acelerou o passo — praticamente puxando Carlisle.
“Devemos seguir?” ela perguntou.
Ele sorriu ao ver o brilho nos olhos dela.
“Sim.”
Eles seguiram o rastro.
“São—” começou Carlisle.
“Três,” completou Esme.
Ele riu.
“Eles já sabem que estamos aqui,” disse ele.
“E você está certo.”
Uma voz feminina ecoou na escuridão.
Ao chegarem a uma ponte de pedra em um parque, viram três figuras: um homem, uma mulher e uma jovem.
Seus olhos eram vermelhos — mas estavam calmos.
Carlisle posicionou-se levemente à frente de Esme.
“Olá. Eu sou Carlisle, e esta é minha esposa, Esme.”
A jovem assentiu e sorriu.
“Sou Siobhan. Esta é Maggie e meu companheiro, Liam.”
“Prazer em conhecê-los,” disse Esme.
“Também,” respondeu Siobhan.
Carlisle percebeu Liam observando Maggie — como se ela tivesse algum dom.
“Esta é nossa casa,” disse Liam. “Vocês estão de passagem?”
“Sim,” responderam os dois ao mesmo tempo.
Siobhan observou atentamente.
“Seus olhos… são diferentes.”
“Não bebemos sangue humano,” explicou Carlisle. “Vivemos de sangue animal.”
Siobhan e Liam olharam para Maggie. Ela assentiu.
“Outro membro do nosso clã lê mentes,” disse Carlisle. “Ela também?”
“De onde vocês são?” perguntou Siobhan, desviando.
“América,” respondeu Esme.
“Nova York,” acrescentou Carlisle.
Maggie sorriu.
“Eu consigo perceber a verdade,” disse ela. “Vocês estão dizendo a verdade.”
“Como?” perguntou Liam. “Eu não consigo nem resistir a pensar nisso.”
“Foi difícil no começo,” disse Carlisle. “Mas aprendemos a controlar.”
“Agora convivemos facilmente com humanos,” disse Esme.
O clã irlandês parecia impressionado.
“Bom… pelo menos não vão competir pela nossa comida,” disse Siobhan, com um leve humor.
Liam assentiu, ainda incrédulo.
“Admiro vocês,” disse ele. “Eu penso nisso todos os dias.”
Esme sentia uma mistura de fascínio e desconforto. Eles pareciam gentis… mas ainda matavam humanos.
Era difícil conciliar isso.
Siobhan e Liam trocaram um olhar.
“Se quiserem,” disse Siobhan, “podemos mostrar o resto da Irlanda.”
“É lindo,” disse Maggie.
Carlisle olhou para Esme — e viu o entusiasmo em seu rosto.
Ele assentiu.
“Adoraríamos,” disse Esme.
Siobhan sorriu pela primeira vez.
Liam estendeu a mão.
“Prazer.”
Carlisle apertou sua mão.
Esme observou Maggie por um instante, curiosa sobre sua relação com os outros — mas preferiu não perguntar.
“Oh, e… bem-vindos à Irlanda,” disse Liam com um sorriso.