Carlisle estava sentado rigidamente na beirada da cama, olhando para o relógio na parede a cada poucos minutos. Esme estava ao seu lado, massageando suas costas, enquanto Edward permanecia encostado no batente da porta, com os braços cruzados.
“Vocês eram assim quando eu fui embora?” Edward perguntou, encontrando um leve humor na tensão evidente de Carlisle.
“Pior,” respondeu Esme, lançando um olhar para Carlisle. “E por semanas.”
“Você sabe tão bem quanto qualquer um de nós como é quando não se tem controle sobre a própria sede,” disse Carlisle.
“Por que você deixou ela ir?” Edward perguntou.
“Eu não posso mantê-la aqui contra a vontade dela.”
“Por que não?”
Carlisle suspirou. “Eu só posso aconselhar. Não posso obrigá-la a ficar.”
“Ela vai voltar,” disse Esme.
“Depois de quantas pessoas morrerem…” A voz de Carlisle foi sumindo enquanto ele olhava novamente para o relógio, que já se aproximava da uma da manhã.
Edward mudou de posição e olhou para Esme por alguns segundos a mais.
“O quê?” Carlisle perguntou.
Edward suspirou e balançou a cabeça. “Nada.”
“Você sabe de alguma coisa?” insistiu.
Um silêncio pesado caiu sobre os três. Carlisle e Esme olharam para Edward, que parecia lutar para encontrar as palavras.
“Isso tem pesado na minha consciência desde que voltei,” disse ele, olhando para baixo. “Não sei como vocês vão reagir.”
“O que é?” perguntou Esme.
Edward balançou a cabeça novamente. “Eu entendo, até certo ponto, o que Rosalie está sentindo. E acho que ela tem todo o direito de fazer o que está fazendo com aqueles homens.”
Carlisle e Esme permaneceram em silêncio. Ambos concordavam e discordavam ao mesmo tempo. Edward percebeu isso em seus pensamentos, embora notasse que Esme inclinava-se um pouco mais a favor de Rosalie do que Carlisle.
“Esme,” continuou Edward, “quando eu fui embora…”
Ela o encarou intensamente enquanto ele hesitava. Carlisle também aguardava, atento.
“Eu te amo como uma mãe, Esme,” disse Edward. “De verdade. Eu pensei muitas vezes sobre Charles… e senti o quanto ele te machucou através dos seus pensamentos.”
A expressão de Esme mudou. Ela já sabia o que viria a seguir — e, no fundo, queria ouvir.
“Quando eu deixei vocês em 1927,” Edward continuou, suspirando, “a primeira coisa que fiz foi ir até a casa dele.” Ele ergueu os olhos para encontrar os dela. “Desculpa, Esme. Eu estava com muita raiva.”
Carlisle alternou o olhar entre os dois.
“Eu matei ele,” Edward concluiu em tom baixo. “Eu queria te contar… mas tive medo de você me odiar.”
Esme balançou a cabeça. “Eu não te odeio. Nunca poderia te odiar, Edward.”
“Você está com raiva?” ele perguntou.
“Não.” Ela balançou a cabeça novamente, depois olhou para Carlisle, que permanecia em silêncio. Esme tocou o rosto dele e o beijou na bochecha.
Carlisle ficou em silêncio por mais um momento antes de olhar novamente para Edward.
“Desculpa, Carlisle,” disse Edward. “Foi uma decisão impulsiva.”
“Está tudo bem,” respondeu Esme novamente. Ela se levantou, caminhou até Edward e o abraçou, beijando sua bochecha como fizera com Carlisle. Depois voltou-se para o marido. “Eu não estou nem um pouco triste com o que ele fez.”
Carlisle apoiou os cotovelos nos joelhos e entrelaçou as mãos diante do rosto. “Nem eu.”
Edward percebeu o conflito dentro dele. Carlisle odiava a violência, mas sabia que Charles merecia aquele destino. Parte dele até lamentava não ter feito isso ele mesmo.
Edward permaneceu em silêncio, sabendo que aquilo ainda pesaria na mente de Carlisle.
“Obrigada por me contar, Edward,” disse Esme, quebrando o silêncio.
Ele assentiu.
“Deveríamos ter seguido Rosalie?” perguntou Esme.
“Eu teria tentado impedi-la,” disse Carlisle. “Mas sei que ela não aceitaria.”
“Isso é algo que ela precisa fazer,” acrescentou Edward. “Senão, isso nunca sairia da cabeça dela.”
Carlisle continuava observando Esme.
“Eu estou bem,” disse ela, percebendo o olhar dele.
Carlisle deu um leve sorriso.
“Carlisle… me desculpa,” Edward disse novamente.
Carlisle olhou para o relógio. “Espero que Rosalie esteja bem.”
“Tenho certeza que sim,” disse Edward. “Não posso dizer o mesmo de Royce King.”
—
Rosalie sentia-se quase eufórica com o sangue que descia por sua garganta.
Ela já havia eliminado dois deles. Estavam bêbados — conscientes o suficiente para sentir cada segundo de suas mortes lentas.
Ela saboreava cada detalhe, especialmente a expressão deles quando a viram no beco. Primeiro, choque diante de sua aparência perfeita. Depois, arrogância. Sorrisos sujos. Aproximaram-se, acreditando que poderiam repetir o que haviam feito dias antes.
Rosalie esperou.
Venham… pensou.
Um sorriso surgiu em seu rosto.
O mais ousado quebrou a garrafa e avançou. Antes que pudesse reagir, ela partiu seu braço ao meio.
Os gritos ecoaram.
O outro tentou fugir — inútil.
Ela já estava à sua frente.
O pânico tomou conta do rosto dele.
Rosalie sorriu novamente, fria e elegante.
Ele atacou. Ela segurou seu punho no ar e, com a outra mão, ergueu-o pelo pescoço.
“P-por favor…” ele implorou.
O rosto dela endureceu.
Ela o lançou contra o chão — arrancando sua garganta no processo.
A sede tomou conta completamente.
O outro ainda estava vivo… mas a fome falou mais alto.
“Não!” ele gritou.
Mas Rosalie já não ouvia.
Tudo virou um borrão.
O sangue humano — doce, intenso — dominou seus sentidos.
Edward estava certo.
Depois de provar sangue humano… era impossível ignorá-lo.
—
Quando terminou, olhou ao redor.
Era a mesma rua onde haviam tentado matá-la.
Nunca imaginaram isso, pensou.
A sede diminuiu, mas ela sabia: se alguém aparecesse naquele momento… morreria.
Royce fica para outro dia.
Ela sorriu.
Olhou para o anel e o colar que ele havia lhe dado. Retirou-os e colocou nos corpos.
Ele entenderia.
Você tem mais uma noite.
Ela queria ver o medo nos olhos dele.
—
O caminho de volta foi quase terapêutico.
Mas algo havia mudado.
Ela havia perdido sua inocência.
Matou dois humanos… e não sentia remorso.
E não pararia até matar Royce.
Doce garota de Rochester há dois dias. Agora… uma assassina de olhos vermelhos.
—
Ao chegar em casa, entrou silenciosamente e foi direto ao banheiro se limpar.
Carlisle, Esme e Edward esperaram na sala.
Meia hora depois, ela voltou.
Silêncio.
“Você está bem?” Carlisle perguntou.
“Estou.”
Ela sentiu os olhares sobre si.
“Matei dois deles. Não Royce.”
“Sinto muito por tudo que você passou,” disse Carlisle.
Ela assentiu.
“Vou voltar amanhã,” disse. “Eu preciso terminar isso.”
Carlisle assentiu levemente.
“Mais alguém?” ele perguntou.
“Não,” respondeu ela imediatamente.
O alívio foi visível.
“Eu sei que vocês não aprovam,” disse Rosalie. “Mas não tentem me impedir.”
Havia firmeza em sua voz… mas também um leve tremor.
Carlisle ergueu o olhar.
“Não vamos.”
“Desculpa por tudo isso,” disse Esme.
Rosalie assentiu e virou-se.
Então caminhou pelo corredor escuro.