"Eu sou o quê!?" A voz da mulher ecoou alto, tão intensa que parecia capaz de estilhaçar o vidro das janelas do cômodo onde estava com Carlisle, Esme e Edward.
"Qual é o seu nome?" Carlisle perguntou com gentileza. "Eu só quero te ajudar."
"Me ajudar?" ela repetiu, olhando para os próprios braços com a mesma estranheza que Esme e Edward já haviam demonstrado. "Me ajudar?"
"Por favor," ele continuou, "eu te encontrei na rua, na cidade, ontem à noite. Você tinha perdido muito sangue, e os procedimentos médicos que eu conheço não seriam suficientes para salvar sua vida."
"Então o que aconteceu depois?" ela perguntou, quase rindo da própria incredulidade diante da explicação de Carlisle. "Você simplesmente virou um Nosferatu e cravou os dentes em mim?" Outra risada escapou de sua garganta. "Você nem tem presas. Por favor. Eu não sou idiota."
Edward interveio: "Passe a língua pelos dentes."
A mulher olhou para ele com uma expressão misturada de irritação e curiosidade. A curiosidade venceu, e ela fez o que ele disse, depois levou lentamente a mão ao rosto, cobrindo metade da boca.
"Dê um soco na parede," ele continuou.
"Edward..." Esme advertiu, olhando para ele.
Ele deu uma risadinha. "Ok, talvez seja melhor irmos lá fora testar algumas coisas."
"Testar algumas coisas?" A mulher estava visivelmente irritada. "Eu preciso voltar para minha família." Ela começou a marchar em direção à porta, mas Carlisle se colocou em seu caminho.
"Espere," disse ele, "só um momento. Você não se sente diferente?"
Ela soltou um suspiro pesado e cruzou os braços.
"Olhe no espelho," Edward sugeriu. "Foi assim que eu percebi o que eu era, no começo."
Esme trocou um olhar com Carlisle. Achava que era uma boa ideia, embora não soubesse como a jovem reagiria. Seus olhos se voltaram para um espelho pendurado na parede do outro lado do cômodo.
Edward estendeu o braço na direção do espelho. "Olhe."
A mulher suspirou novamente e decidiu obedecer. Por mais que quisesse continuar protestando, sabia que algo estava diferente nela; algo assustadoramente diferente. Não sentia mais o mesmo controle sobre o próprio corpo. Também sabia do estado em que estava antes... e agora não havia qualquer sinal de dano. E, acima de tudo, sentia as presas na boca — algo que definitivamente não estava ali antes.
Ela avançou lentamente até o espelho, temendo encontrar o rosto de um demônio. Não fazia ideia do que esperar e, por trás da fachada firme que demonstrava, estava completamente apavorada.
Cada passo parecia interminável. Sentia-se leve como uma pluma, mas seus passos carregavam um peso enorme de apreensão.
O que eu sou? pensou.
Fechou os olhos por um instante antes de chegar ao espelho e então os abriu, encarando o próprio reflexo frio.
Meus olhos estão vermelhos. Por quê? Quanto tempo eu fiquei desacordada? Pensamentos corriam rapidamente em sua mente.
"Seus olhos estão vermelhos por causa do sangue que restou da sua fase humana. A transformação levou cerca de dois dias," explicou Edward. "Foi esse o tempo em que você ficou desacordada."
A cabeça dela virou rapidamente na direção dele. "Do que você está falando?"
Ele leu seus pensamentos novamente. "Toda aquela sensação de queimação... era a transformação. O veneno se espalhando para te tornar o que você é agora."
Confusão tomou conta de seu rosto. "Como você está fazendo isso?"
"Eu leio mentes," Edward respondeu.
"Você também voa?" ela fez uma careta.
"Não exatamente." Ele sorriu, o que pareceu irritá-la ainda mais.
"Querida, eu sinto muito," Esme interveio. "Eu sei que tudo isso deve estar sendo avassalador e confuso para você. Foi assim comigo também. Meu nome é Esme Cullen. Este é meu marido, Carlisle, e este é Edward."
O tom suave de sua voz a acalmou um pouco. "Eu..." ela hesitou. "Eu sou Rosalie Hale."
"Rosalie," Esme sorriu, "Carlisle me contou o que aconteceu. Ele achou que estava te salvando ao te transformar em uma..."
"Não me diga que você acredita que eu sou uma vampira também," Rosalie disse, balançando a cabeça. "O que há de errado com vocês?"
Carlisle deu um passo à frente e colocou um braço ao redor dos ombros de Esme. Edward continuava sorrindo.
"Por que você está rindo?" Rosalie perguntou, entre dentes.
"Seus pensamentos são bastante divertidos," Edward respondeu.
"Por que eu não consigo ler os seus pensamentos? Você é especial?"
"Sou sim," ele respondeu, sorrindo ainda mais.
Esme lançou um olhar para ele, e Edward se recompôs.
"Rosalie, me desculpe," disse Esme. "Todos nós já passamos pelo que você está passando. Preciso que você considere o que vou dizer."
Rosalie cruzou os braços novamente e deixou que ela continuasse.
"Por favor, mantenha a mente aberta. Você não pode voltar para sua família, porque eles estarão em perigo. Carlisle, Edward e eu... nós nos alimentamos apenas de sangue animal. Nunca de humanos."
Rosalie revirou os olhos.
"Você viu seu reflexo. Seus olhos são vermelhos. Sua pele é fria como gelo e dura como mármore, perfeitamente esculpida, sem falhas," continuou Esme. "Se você permitir, podemos te mostrar lá fora a força e a velocidade que você possui."
O rosto de Rosalie permaneceu sério. Ela sabia que Esme estava certa. Sabia que nada era mais como antes.
"Por que os olhos de vocês não são vermelhos?" ela perguntou.
"Porque nos alimentamos de sangue animal," respondeu Carlisle. "Quando você fizer o mesmo, os seus também mudarão de cor."
"Então por que eu não posso ver minha família?"
"Porque, no começo, você não consegue se controlar," explicou Carlisle. "É muito difícil resistir ao sangue humano. Com o tempo, isso melhora."
Ela observou a roupa dele. "Você é médico?"
Ele assentiu. "Trabalho no hospital local. Estava voltando para casa quando te encontrei."
"E isso foi há quanto tempo?"
"Duas noites."
"Impossível," ela balançou a cabeça. "Eu fui espancada quase até a morte por..." Ela parou, tomada pela raiva.
"O veneno vampírico pode curar praticamente tudo," disse Carlisle. "Ele reconstrói o corpo... torna você perfeita e quase indestrutível."
"Então ninguém pode me matar?"
"Humanos não. Apenas alguém como nós... ou fogo."
"Podemos matar humanos facilmente?"
Carlisle olhou para Esme e depois para Rosalie. "Sim."
Edward lançou um olhar para eles. Havia algo que ele sabia, mas não disse. Rosalie percebeu.
"O quê?" ela perguntou.
"Eu sei o que você está pensando. Royce. Foi ele quem quase te matou."
Ela arregalou os olhos. "Quem é você?" Avançou até Edward e o empurrou com força, lançando-o contra a parede do corredor.
A parede rachou com o impacto, mas Edward se levantou sorrindo.
Rosalie olhou para as próprias mãos, incrédula.
"Eu disse que devíamos ter ido lá fora," ele comentou.
"Isso não pode estar acontecendo..." Rosalie murmurou.
Esme tentou acalmá-la.
"Como eu fiz isso?" Rosalie perguntou. "E como você sabe sobre Royce?"
"Eu leio mentes," Edward disse sério. "Pense em um número."
Ela pensou. Ele respondeu corretamente.
"Você é um idiota," ela pensou.
Edward riu. "Idiota?"
"Posso te empurrar de novo?"
"Posso revidar?"
"Não!" Esme interrompeu. "Vamos lá fora."
Rosalie correu para a porta.
Carlisle e Esme correram atrás.
O cheiro de um animal chamou a atenção de Carlisle. Rosalie mudou de direção instantaneamente.
Ela encontrou um leão-da-montanha... e o atacou com uma ferocidade brutal.
Quando terminou, virou-se com sangue no rosto, rosnando.
"Eu matei aquilo..." disse.
"É assim que sobrevivemos," explicou Carlisle.
"Foi... bom," ela disse, fechando os olhos, sentindo o cheiro do sangue.
"Eu quero mais."
Edward se aproximou. "Eu sei o que você quer fazer. Mas não vale a pena."
"Você não sabe nada."
"Eu já matei humanos," ele disse. "Não vale a pena."
"Eu não quero matar humanos," disse Rosalie friamente. "Só alguns monstros."
"Royce King II," disse ela. "Eu ia me casar com ele."
Esme ficou em choque.
"Ele e os amigos dele..." Rosalie murmurou. "Como fui idiota."
"Você não foi," disse Esme.
Rosalie respirou fundo. "Vocês são boas pessoas. E eu não quero matar inocentes."
"Mas vai querer," disse Edward.
"Eu sei onde ele estará hoje à noite."
Carlisle assentiu, preocupado.
"Vou me alimentar aqui... e depois vou até a cidade."
"Depois de provar sangue humano, é difícil voltar," alertou Edward.
Rosalie olhou para Carlisle. "Você vai me ensinar?"
"Claro."
"Mas eu vou me vingar," disse ela friamente.
Ela olhou para o corpo do leão novamente.
"Eu vou me vingar."