Carlisle e Esme sentiam-se igualmente abençoados por ter Edward de volta em suas vidas. Ele havia retomado seu papel como parte da família e frequentemente expressava sua gratidão a ambos. Antes de retornar ao Maine no último Ano Novo, Edward havia readaptado sua dieta para garantir que apenas animais fossem seu alvo. Depois de viver tanto tempo consumindo sangue humano, os estágios iniciais dessa mudança foram desafiadores, mas ele conseguiu se ajustar novamente com relativa rapidez.
Como em seus locais anteriores, Edward concordou em se passar por um estudante do ensino médio novamente, desta vez apenas por um ano. Ele estava ansioso para voltar aos estudos universitários e falava bastante sobre cursar medicina.
Carlisle, naturalmente, achou a ideia excelente e o incentivou, principalmente pela sinceridade de seu interesse. Também passou a estudar com ele em casa, para que Edward tivesse uma base maior de termos e conhecimentos antes de iniciar suas aulas.
Esme estava feliz em ver Edward se adaptando tão bem, mas sentia que havia algo dentro dele que ainda não estava completo. Havia um peso em sua alma que surgia de vez em quando, perceptível em sua expressão, em suas palavras ou no leve curvar de seus ombros.
"Estou indo para a escola," disse Edward a Carlisle e Esme, saindo pela porta da frente.
"Se cuide!" gritou Esme.
Ele inclinou a cabeça de volta pela porta, sorriu e assentiu antes de fechá-la suavemente.
Carlisle entrou na sala usando roupas mais confortáveis, após tomar banho ao retornar de um turno noturno no hospital local.
"Você acha que poderíamos tentar encontrar alguém para Edward?" perguntou Esme.
Carlisle percebeu, pelo olhar dela, que a preocupação era genuína. "Talvez possamos procurar outros como nós. Nas minhas viagens, eu os encontrava meio que por acaso."
"E se você transformasse alguém?" sugeriu Esme. "Não alguém saudável… mas alguém à beira da morte, como Edward e eu."
Carlisle sorriu, soltando um leve suspiro. "Você ainda está preocupada com ele?"
Ela assentiu. "Eu sinto que falta algo. Não sei explicar, mas dá para ver no olhar dele às vezes."
Ele concordou, lembrando-se da solidão que conhecera por tanto tempo. Em alguns momentos, chegou a pensar em transformar uma mulher aleatória na esperança de que pudesse se tornar sua companheira, mas sempre achou isso egoísta demais. Além disso, nunca havia sentido algo verdadeiro por ninguém antes de conhecer Esme.
"Eu não quero forçar nada," disse Carlisle. "Mas sei como é viver sem alguém que você ama. Antes de você, eu não era feliz… eu apenas existia."
Esme assentiu, reconhecendo o mesmo vazio que às vezes via em Edward.
"Não queria trazer algo que te deixasse triste," disse ela.
Carlisle sorriu. "Não estou triste."
"Eu só quero que Edward sinta o que eu sinto por você."
"Eu sei." Ele a abraçou e beijou sua testa. "É algo para pensarmos."
Ele suspirou. "Em mais de duzentos e cinquenta anos, ninguém me fez sentir o que você faz."
Esme sorriu com ternura.
"Muitos tentaram me arranjar alguém… Aro, colegas de trabalho…" Carlisle balançou a cabeça. "Não é que eu não quisesse, eu só nunca senti aquilo de verdade. Com você, simplesmente aconteceu. E com muita facilidade."
Ela o beijou. "Eu entendo perfeitamente."
"Talvez possamos conversar com ele sobre isso," sugeriu Carlisle.
Esme assentiu. "Edward é tão gentil… Ele merece ser feliz."
"Eu sei. Eu também quero isso."
No dia seguinte à tarde, Carlisle foi trabalhar, seguindo sua rotina habitual. Por volta das dez da noite, encerrou seu turno e voltou para casa pelo caminho de sempre.
O cheiro de sangue humano não era estranho para ele. Carlisle passava o dia entre humanos, e não era incomum sentir o cheiro de sangue fresco no hospital. Ainda assim, o aroma sempre despertava algo mais intenso dentro dele — um chamado mais forte do que qualquer outro tipo de sangue.
Seus dedos apertaram levemente o volante enquanto ele prendia a respiração, sentindo o cheiro invadir o ar ao seu redor.
Ele estacionou o carro e escutou atentamente. O som de passos apressados ecoava à distância, acompanhado de sussurros perturbadores e risadas cruéis.
Carlisle seguiu o cheiro, temendo encontrar mais uma tragédia.
E encontrou.
Uma jovem de cerca de vinte anos jazia imóvel na estrada. Seus cabelos loiros estavam encharcados de sangue, tornando-se vermelhos. A cena era devastadora.
A área estava deserta. Nenhuma testemunha. Apenas prédios escuros e silenciosos.
Uma dor apertou o peito de Carlisle. Era inconcebível que um ser humano pudesse fazer aquilo com outro.
Ele pensou que, se tivesse chegado quinze minutos antes, talvez pudesse tê-la salvado.
Suspirou, tentando afastar o cheiro do sangue por um momento. Ajoelhou-se ao lado dela — e percebeu que seu coração ainda batia.
Ela estava viva.
Seus olhos percorreram a rua vazia antes de voltarem para a jovem. Ela merecia algo melhor do que se tornar um monstro… mas aqueles que fizeram aquilo com ela já eram monstros por si só.
Seus pensamentos foram para Esme e Edward.
Eles não eram humanos… mas jamais poderiam ser chamados de monstros.
Carlisle lembrou-se da conversa com Esme no dia anterior — e da solidão de Edward.
A jovem em seus braços parecia ter a mesma idade dele.
Talvez… ela seja para ele.
Foi então que tomou a decisão.
E cravou os dentes no pescoço da jovem.