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《Amor Imortal: A Escolha de Carlisle》Capítulo 24 — Anjo Sombrio

Carlisle e Esme já estavam bastante adaptados à vida em sua casa no Maine. Vários anos haviam se passado, e eles conseguiram manter um estilo de vida discreto, porém levemente social, sem chamar atenção na cidade. Esme apreciava seus breves encontros com algumas mulheres humanas e mantinha uma relação amigável com Dorothy.

Havia, porém, algo que começava a preocupar Carlisle depois que Edward deixou o ensino médio e seguiu para níveis mais avançados de estudo. Ele começou a perceber que a visão de mundo de Edward estava mudando — e que ele se irritava com muito mais facilidade, algo completamente fora de seu comportamento habitual.

— O que está acontecendo, Edward? — perguntou Carlisle, finalmente decidido a tocar no assunto. Ele havia esperado que o próprio Edward se abrisse, mas já havia tempo demais para ignorar aquilo.

Edward estava inquieto, e mal conseguia disfarçar. — As pessoas — disse ele, balançando a cabeça — eu simplesmente não suporto algumas das pessoas sobre quem leio nos jornais… ou que estudamos nas aulas.

— O que quer dizer com isso?

Ele balançou a cabeça novamente. — São horríveis. Assassinos… e pior. Isso me faz querer fazer o mesmo com eles… arrancar suas cabeças, fazê-los sentir o desespero que causam.

Carlisle se lembrou, por um instante, dos pensamentos que tivera sobre Charles, o antigo marido de Esme. Sentira o mesmo quando soube do que ele havia feito com ela. Seus punhos se fecharam, mas ele afastou aquela lembrança e voltou a atenção para Edward.

— Então você entende como eu me sinto — disse Edward, com firmeza.

— Entendo — respondeu Carlisle. Ele lançou um olhar para Esme, que fingia ler um livro para não parecer intrometida. — Mas isso não significa que você deva agir assim.

— Por que não? Eles não merecem viver, Carlisle. É isso que nós somos feitos para fazer.

— Não — disse Carlisle, balançando a cabeça — nós não somos obrigados a nada.

— E se eles merecem? — insistiu Edward, cerrando os dentes. — Uma garota da minha classe foi esfaqueada e quase morreu. Por que o homem que fez isso merece continuar vivo?

Carlisle suspirou. — Eu entendo sua revolta. Não faz sentido… mas eles também responderão por seus atos um dia.

— Talvez não — disse Edward, olhando pela janela. — Talvez nós possamos ser a pior coisa que eles enfrentariam. Quem sabe o que acontece depois da morte? E se não houver nada? Por que esses monstros deveriam viver normalmente enquanto inocentes sofrem?

— Não cabe a nós brincar de Deus.

— Não estou tentando ser Deus — disse ele — só quero dar às pessoas o que elas merecem. Eu já vi pensamentos… planos… coisas horríveis. Você não faz ideia do que é ouvir isso.

Carlisle assentiu. — Eu não sei… e imagino o quanto isso deve ser doloroso.

— Eu quero consertar isso — disse Edward — quero fazer justiça com as minhas próprias mãos.

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Esme agora estava completamente atenta. Queria intervir, mas preferiu deixar Edward falar. Era a primeira vez que o via tão perturbado. Sentia vontade de abraçá-lo, mas sabia que aquele não era o momento.

— Não deixe isso te consumir — disse Carlisle — acredito que as coisas se ajustam como devem… mesmo que demore. — Ele olhou para Esme ao dizer isso, lembrando de como sua vida havia se encaixado perfeitamente ao lado dela.

— Nem sempre — respondeu Edward, lendo seus pensamentos — nem tudo termina bem.

— As coisas se completam — disse Carlisle — eu acredito nisso.

— Eu não sei se acredito — respondeu Edward, discordando pela primeira vez — aprendemos sobre um homem que viveu normalmente depois de cometer crimes terríveis e só confessou no leito de morte.

— Se você acredita como eu, ele responderá por isso depois.

Edward fez uma expressão dura. — Eu nem sei no que acredito. — Ele evitou olhar para Esme, sentindo culpa pelo desabafo. — E se eu fui colocado aqui para fazer essa justiça?

Carlisle o observou, sem saber o que dizer. Sabia que aquilo era algo mais profundo do que podia compreender completamente.

— Carlisle — continuou Edward — eu admiro tudo o que você construiu. Você e Esme me guiaram… me ensinaram tudo.

Esme se aproximou deles, ficando entre os dois.

— Eu realmente acredito que vocês dois foram feitos para fazer o bem — disse Edward — vocês são as melhores pessoas que já conheci. Esme, você é como uma mãe para mim… Carlisle, eu respeito tudo o que você faz.

Carlisle quis interromper, mas deixou que ele continuasse.

— Seu propósito já foi cumprido — disse Edward — você mudou o significado de ser um vampiro. Mas talvez esse não seja o meu propósito. Talvez eu não seja feito para ser puro… talvez eu seja um tipo de anjo sombrio.

Carlisle balançou a cabeça. — Você é bom, Edward.

— Eu não me sinto bom — disse ele — me sinto com raiva… e com sede.

Esme olhou diretamente para ele. — Você é bom.

— Quão bom? — perguntou ele — vocês não fariam o que eu penso em fazer há semanas. — Ele imaginou o rosto do antigo marido de Esme. — Eu mataria alguém que tentasse te machucar.

O rosto dela suavizou. — Eu sei… mas isso não vai acontecer.

— Não mais — disse ele, arrependido por trazer à tona memórias dolorosas. — Desculpa…

— Está tudo bem — disse ela — eu já senti raiva também… mas agora estou feliz. Tenho vocês dois. Vocês são minha família.

Edward suspirou. — É justamente isso que torna tudo mais difícil.

— O quê? — perguntou ela.

— Edward— começou Carlisle.

— Eu vou embora — disse ele.

— Ir embora? — exclamou Esme.

— Eu preciso — disse ele — preciso descobrir se isso é certo. Posso viver de sangue humano… mas fazendo justiça.

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Carlisle quis argumentar, mas permaneceu em silêncio.

— Obrigado — disse Edward, percebendo sua decisão.

— Nós não queremos que você vá — disse Esme.

— Eu preciso — respondeu ele — preciso saber se posso salvar pessoas desse jeito.

Carlisle sabia que o coração dele era bom… mas também conhecia o poder destrutivo da raiva.

O silêncio caiu entre os três, enquanto o vento frio trazia o cheiro do outono.

— Sinto muito — disse Edward — mas eu preciso ir.

Carlisle assentiu. — A porta estará sempre aberta. Vamos ficar aqui por mais alguns anos… depois iremos para Rochester.

Esme concordou com um leve aceno.

— Está bem — disse Edward.

Esme o abraçou com força. — Por favor, fique…

— Eu volto — disse ele — mas preciso fazer isso.

Carlisle o abraçou. — Fique seguro.

— Você também.

— Não esqueça quem você é.

Edward assentiu… e desapareceu.

Carlisle e Esme ficaram sentados nos degraus por horas. O tempo passou lentamente… até que a esperança começou a desaparecer.

— Não acredito que ele foi embora — disse Esme.

— Se ele precisa fazer isso… então é o melhor — respondeu Carlisle.

— Espero que ele fique bem.

— Ele é forte… e tem um bom coração.

Carlisle pensou nos vampiros que havia conhecido… e temeu pelo futuro de Edward.

— Você nunca vai me deixar, vai? — perguntou ele, de repente.

Esme arregalou os olhos. — Nunca.

— Eu não suportaria perder você.

— Nem eu você.

Ela segurou seu braço. — Eu prometo… eu nunca vou embora.

Carlisle tentou sorrir… mas seus olhos ainda mostravam preocupação.

— Eu te amo — disse ela.

— Eu também.

Ele a abraçou com força.

— Eu só não conseguiria viver sem você.

— Nem eu.

O silêncio voltou.

— Espero que Edward fique bem — disse ele.

— Ele vai ficar — respondeu ela, tentando acreditar nisso.

Eles entraram em casa…

Mas ainda olharam para trás.

Esperando…

Que ele voltasse.

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