A região nordeste do país rapidamente se tornou um lar para Carlisle, Esme e Edward. Em pleno inverno, os dias nublados superavam facilmente os ensolarados, e havia tanta neve no Maine quanto havia em Wisconsin. Assim como a casa em Ashland, Carlisle encontrou uma residência grande, com uma entrada privada que se estendia por mais de quatrocentos metros a partir da estrada principal. Era ainda mais isolada que a anterior, cercada apenas por uma imensa floresta de árvores.
Esme se apaixonou pelo lugar no instante em que o viu. Tudo na casa parecia perfeito para eles, mas ela também enxergava inúmeras possibilidades de decoração — pequenas melhorias que poderiam deixá-la ainda mais acolhedora.
Carlisle começou a trabalhar no hospital pouco tempo depois da mudança. Rapidamente estabeleceu uma rotina, atuando principalmente à noite, embora, quando precisava trabalhar durante o dia, simplesmente saísse antes do sol nascer completamente.
Edward pôde retomar seus estudos, fingindo ser um aluno do penúltimo ano do ensino médio para garantir mais tempo para a família naquela região. Apesar de querer seguir diretamente para a universidade, compreendia a importância das orientações de Carlisle. Mesmo deixando a decisão final nas mãos dele, Edward concordou em terminar aquele ano e o último ano escolar antes de pensar em ingressar no ensino superior.
— Eu queria poder cozinhar para vocês — disse Esme, caminhando pela cozinha que havia passado horas organizando e decorando.
Carlisle e Edward, sentados na sala lendo, levantaram o olhar em sua direção.
Esme se aproximou deles. — Não seria maravilhoso uma xícara de chá com pão de canela quentinho e manteiga? — seus olhos se voltaram para a janela, observando a neve cair.
Carlisle sorriu. — Seria mesmo. Já faz muito tempo… sinto falta de sentar para jantar. — Ele se levantou e foi até ela.
Edward assentiu. — Eu também sinto falta dessas coisas.
— E vocês, estão gostando daqui? — perguntou Carlisle. — Ficamos tão ocupados que nem tive tempo de perguntar direito.
— As primeiras semanas na escola foram tranquilas — disse Edward. Ele olhou para Esme e sorriu. — Estou fazendo toda a minha lição de casa.
Esme riu baixo e se encostou em Carlisle, que passou o braço ao redor de seus ombros. — Alguma… tentação? — perguntou ele.
Edward balançou a cabeça. — Não… — então acrescentou, provocando — quer dizer, não muito.
O sorriso de Carlisle diminuiu. — “Não muito”?
Edward riu. — Não, nada disso. Está tudo bem. Só um grupo de garotas na sala tentando convencer uma delas a me chamar para sair. Imagine só. — Ele ergueu as sobrancelhas.
— Eu gosto de mulheres ousadas — comentou Esme, sorrindo.
— E se eu trouxesse uma garota humana para casa? — perguntou Edward, rindo.
Carlisle ergueu as sobrancelhas e olhou para Esme, que também sorria.
— Prefiro nem imaginar a complicação disso — disse Carlisle.
Edward deu de ombros. — Não se preocupem. Ainda não apareceu ninguém interessante. E, sinceramente, nem estou pensando nisso agora.
Esme começou a pensar se Carlisle havia conhecido alguma vampira que pudesse ser uma boa companhia para Edward, mas rapidamente percebeu que Edward captava seus pensamentos.
— Eu estou bem — disse ele, rindo. — Não precisa tentar me arranjar alguém. Eu já tenho mais do que o suficiente com vocês dois e esse clima romântico constante.
— Você não consideraria? — perguntou Esme.
— Quando eu me sentir sozinho, eu aviso — respondeu ele.
Carlisle parecia confuso, mas compreendia o rumo da conversa.
— Eu só estava pensando em você — disse Esme — mas tudo bem, vou deixar isso de lado.
Edward assentiu, sorrindo. — Obrigado.
— Tem lição de hoje? — perguntou ela, mudando de assunto.
Edward atravessou a sala e levantou um papel. — Pronto.
— Impressionante — disse Esme.
— Posso sair para “brincar” agora ou você quer conferir? — provocou ele.
— Eu confio em você.
— Então vou caçar. Quase ataquei a garota ao meu lado hoje. — Ele caminhou até a porta e olhou para Carlisle.
— Se você continuar com esse tipo de comentário—
— Eu sei, vai me tirar da escola — respondeu Edward. — Estou brincando.
— Ele sabe — disse Esme.
Edward saiu pela porta dos fundos e desapareceu na floresta.
— Você está feliz? — perguntou Carlisle.
Ela assentiu. — Muito.
— Não se importa de termos vindo para cá?
— Nem um pouco. Com você, qualquer lugar é lar.
Carlisle a beijou.
— Espero que não estejamos deixando Edward desconfortável — disse ela.
— Não — respondeu ele. — Acho que está tudo bem.
— Só quero ter certeza… — disse Esme.
Ele segurou seu rosto. — Está tudo bem. Edward te ama.
Ela suspirou. — Só quero que ele esteja bem.
— Ele está. E eu posso conversar com ele, se quiser.
— Tudo bem.
— Vou falar com ele.
Ela sorriu. — Obrigada.
— Mas preciso admitir… — disse ele — é muito mais difícil me controlar perto de você do que era controlar minha sede.
Esme riu. — Eu entendo perfeitamente.
Carlisle a pegou nos braços e a levou pelo corredor.
— Quando você acha que Edward volta? — perguntou ela.
— Ele está longe daqui — respondeu ele antes de beijá-la novamente.
— Então acho que devemos aproveitar a casa vazia — disse ela.
Carlisle riu e fechou a porta do quarto.
Edward e Esme conversavam sobre a escola numa tarde nublada de sexta-feira. Carlisle estava no hospital e só voltaria perto da meia-noite.
— Essas aulas são tão repetitivas — disse Edward. — Eu poderia tirar nota máxima sem nem ir.
Esme sorriu. — Deve ser difícil ser o mais bonito e o mais inteligente da turma.
— Preferia ser o mais burro numa universidade — respondeu ele.
— Você vai chegar lá.
— Obrigado…
Eles riram juntos, até que alguém bateu na porta. Ao mesmo tempo, ambos perceberam o cheiro humano.
— Quem será? — perguntou Esme.
— Não sei — respondeu Edward, em tom baixo.
— Alguém da escola?
— Não reconheço o cheiro.
Esme foi até a porta.
Outra batida.
Ela abriu.
Uma mulher mais velha, robusta, estava ali com uma cesta de frutas e uma garrafa de vinho.
— Olá — disse Esme.
— Olá — respondeu a mulher — meu nome é Dorothy O’Keefe…
A conversa seguiu de forma cordial, calorosa, típica de alguém gentil do sul. Dorothy explicou que queria dar as boas-vindas.
Esme agradeceu e a convidou a entrar. Edward foi educado, cumprimentando-a.
A visita foi breve, mas acolhedora.
Quando a mulher foi embora, Esme fechou a porta e olhou para Edward.
— Ainda bem que controlamos nossa sede — disse ele, rindo.
Ela riu.
— O que acontece se bebermos vinho? — perguntou ele.
— Melhor não testar — respondeu ela.
Mas Edward decidiu experimentar…
E fez uma careta.
— Horrível.
— Eu disse.
— E se misturar com sangue?
Esme riu.
— Não.
— Eu vou testar.
Ele preparou a mistura, decidido a esperar Carlisle.
— Vamos brindar juntos — disse ele.
Esme concordou.
Quando Carlisle voltou, percebeu imediatamente o cheiro.
— O que está acontecendo?
Edward explicou.
Carlisle suspirou, mas ouviu.
— Quer brindar? — perguntou Edward. — Pela família… e por um novo começo.
Carlisle olhou para Esme.
Ela sorriu.
— Acho que temos um bom motivo — disse ele.
Edward entregou os copos.
Levantou o dele.
— À família… e aos novos começos.
Carlisle e Esme repetiram o gesto.
— À família… e aos novos começos.