Carlisle esteve ausente por muitas horas ao longo dos dias seguintes. Edward sabia exatamente o que ele estava planejando, mas Esme estava convencida de que os dois não estavam sendo totalmente honestos sobre onde ele realmente estava.
As expressões discretas de Edward, tentando esconder algo, apenas aumentavam a desconfiança de Esme.
— Ele está trabalhando — disse Edward com um sorriso. — Eu realmente não sei mais o que te dizer.
Esme ficou parada diante dele, com as mãos na cintura.
— Então, se eu for até o hospital agora, vou encontrá-lo lá?
— Sim — respondeu Edward, mentindo, ainda sorrindo, sabendo que ela não iria realmente até lá.
Ela suspirou e se sentou, continuando a observá-lo enquanto ele folheava um livro. Edward sentia o olhar dela sobre si e sabia que Esme podia ser persistente.
— Eu já te dei parabéns? — perguntou Edward, tentando mudar de assunto.
Esme balançou a cabeça.
— Edward…
Ele suspirou e fechou o livro.
— Carlisle está mesmo no hospital?
Edward torceu o nariz e balançou a cabeça.
— Você está me colocando em uma situação muito difícil… sabia disso?
Ele jogou a cabeça para trás e riu ao captar os pensamentos dela — ideias completamente erradas sobre o que Carlisle poderia estar fazendo.
— O que foi? — perguntou Esme.
— Você está completamente enganada — disse ele, rindo.
Graças a Deus… pensou Esme.
— Confie mais nele — disse Edward, provocando.
Esme absorveu aquelas palavras e se repreendeu mentalmente. Carlisle jamais faria algo que pudesse machucá-la ou colocar o relacionamento deles em risco. Sentiu-se mal por sequer ter considerado essa possibilidade.
— Não se culpe tanto, mãe — disse Edward, brincando. — Papai já vai chegar.
Ela balançou a cabeça e jogou um jornal nele de leve.
— É uma coisa boa… se isso ajuda a acalmar você — continuou Edward, sem explicar exatamente o que queria dizer.
— O que é uma coisa boa? — perguntou ela, sorrindo.
— Você vai descobrir — respondeu ele.
— Isso é maldade — disse ela, rindo.
— Eu te levei até isso? — perguntou ele.
— Sim.
— Ah, é?
— Uhum.
— Então a sua curiosidade é culpa minha?
— Exatamente.
Edward riu.
— Vocês mulheres são impossíveis.
— Vocês mulheres?
— Sim… vocês mulheres.
Antes que continuassem, a porta se abriu.
Carlisle entrou.
Edward lançou um olhar para Esme, como se dissesse para ela não comentar nada.
— Olá — disse Carlisle, sorrindo, e deu um beijo rápido em Esme.
Ela o abraçou e, olhando por cima do ombro dele para Edward, perguntou:
— Como foi o trabalho?
— Foi tranquilo — respondeu Carlisle, percebendo um leve tom de suspeita. — E a sua noite?
— Um pouco monótona… fomos caçar e eu li um pouco.
Mas Carlisle percebeu que a expressão dela não combinava com a palavra “monótona”.
Ele olhou discretamente para Edward, que fingia estar concentrado no livro.
Naquele momento, Carlisle desejou poder ler mentes.
— Para ser honesto… — disse ele — passei algum tempo conversando com pessoas fora da cidade.
Esme ficou imediatamente atenta.
— Podemos nos casar daqui a duas semanas.
Edward levantou os olhos e sorriu.
Esme quase pulou de alegria.
— Sério?
— Sério. É isso que você quer? Só nós três.
— Eu não vou — disse Edward, sério… mas claramente brincando.
— Então seremos só nós dois — respondeu Carlisle, entrando na brincadeira.
Eles trocaram um sorriso cúmplice.
— Parece perfeito — disse Esme. — Mas só se Edward estiver lá.
Edward suspirou e se levantou.
— Eu tenho uma reunião muito importante… mas acho que posso cancelar.
Ele abraçou os dois.
— Estou muito feliz por vocês.
Carlisle assentiu.
— Obrigado.
Esme o abraçou com força.
— Obrigada, Edward.
— De nada… — respondeu ele, meio apertado demais.
Ela então beijou Carlisle, incapaz de conter a felicidade.
— Eu conheço Carlisle há anos — disse Edward — e posso dizer que você mudou tudo. Ele está diferente… mais feliz. E isso é por sua causa.
Carlisle olhou para Esme, um pouco envergonhado.
— Ele já pensava em você antes de te encontrar novamente.
Esme sorriu.
Edward deu um leve tapinha nas costas de Carlisle.
— Estou muito feliz por vocês.
Duas semanas depois, Carlisle e Esme estavam diante um do outro, no altar.
O padre recitava as palavras com naturalidade — como se já tivesse feito aquilo milhares de vezes.
Edward observava tudo, sentindo-se verdadeiramente feliz por estar ali, testemunhando aquele momento.
Ele sabia que ninguém merecia felicidade mais do que Carlisle.
Tudo o que ele havia passado… toda a solidão… eram razões suficientes para aquilo.
E mais do que isso — Edward sabia que Carlisle era a pessoa mais pura que já havia conhecido.
Ao longo dos anos, nunca havia visto nele sequer um pensamento malicioso.
Seus julgamentos eram sempre justos.
Sempre respeitosos.
Do lugar onde estava, Edward observava Esme.
Ela também era pura.
E o amor que sentia… era algo raro.
Ela o via como um filho.
E ele a via como uma mãe.
Esse sentimento… dava a ele um senso de pertencimento.
E quanto a Carlisle…
Edward sabia que ninguém poderia amar alguém como Esme o amava.
E que ninguém poderia amar Esme como Carlisle a amava.
O padre terminou.
Eles repetiram os votos.
E então…
— Pode beijar a noiva.
Edward se levantou, aplaudindo.
Abraçou os dois.
Esme sorria sem parar.
Se fosse humana… estaria chorando.
Mas, de certa forma, era melhor assim.
Carlisle agradeceu ao padre várias vezes.
E os três deixaram a igreja juntos.
Edward sorria, contagiado pela felicidade deles.
Era impossível não celebrar aquele momento.
Ao se aproximarem da casa, Esme percebeu algo estranho na expressão de Edward.
— O quê? — perguntou, rindo.
— Eu arrumei as malas de vocês — disse ele. — Carlisle tem um presente de casamento.
Ela olhou para Carlisle.
— O que é?
— Surpresa.
— Lembra quando você achou que ele não estava no hospital? — perguntou Edward.
— Sim…
— Aquilo era só parte do plano.
Ele trouxe as malas.
— Vamos viajar?
— Claro — disse Carlisle.
Ela sorriu… e começou a beijá-lo várias vezes.
— Guarda isso para depois — brincou Edward.
— Isso faz parte do presente?
— Em parte — respondeu Carlisle, sorrindo.
Ele olhou para Edward.
— Vai ficar bem?
— Quando o gato sai… os ratos fazem a festa — disse Edward, rindo. — Vou ficar ótimo. Aproveitem.