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《Amor Imortal: A Escolha de Carlisle》Capítulo 12 — A Gripe Espanhola

1917, Columbus, Ohio.

— Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

No instante em que seus lábios tocaram os de Charles, Esme Platt deixou de existir… e nasceu Esme Evenson.

Charles era exatamente o tipo de homem que seus pais sempre desejaram para ela: rico, respeitável, perfeito aos olhos da sociedade. Para eles, aquilo representava segurança. Acreditavam que, finalmente, o espírito sonhador da filha desapareceria, dando lugar à esposa ideal.

Mas Esme não sentia isso.

Ela havia aceitado o casamento apenas para agradar seus pais. A pressão havia sido forte demais. Ainda assim, dentro dela, existia uma certeza dolorosa: a vida que sempre sonhara havia sido arrancada… e enterrada.

— Você vai aprender a amá-lo — dissera sua mãe dias antes do casamento.

Esme nunca acreditou nisso.

Ela talvez não soubesse exatamente como o amor funcionava… mas sabia como ele deveria ser sentido.

E aquilo…

Não era amor.

Nunca seria.

Assim começou, silenciosamente, o fim da breve vida humana de Esme Platt Evenson.

1918, Chicago, Illinois.

Carlisle havia se mudado novamente e continuava exercendo a medicina. Mas algo novo assolava a cidade.

Uma doença.

Desconhecida.

Implacável.

A Gripe Espanhola.

Pacientes de todas as idades morriam diante de seus olhos. E, pela primeira vez em muito tempo… Carlisle sentia-se impotente.

A medicina ainda não estava preparada para aquilo.

Ele assistia vidas se apagarem — adultos, idosos…

Mas eram as crianças que o destruíam por dentro.

E não havia nada que pudesse fazer.

A culpa voltou.

A mesma culpa que carregava desde o passado.

Se ele não podia salvar…

Então qual era o sentido de tudo aquilo?

Apesar de respeitado, apesar de admirado…

Carlisle se sentia um fracasso.

Tudo o que podia fazer era aliviar a dor.

Dar conforto.

Nada mais.

As noites se tornaram longas.

Pesadas.

A morte parecia segui-lo por onde quer que fosse.

Ele caminhava pelos corredores do hospital, arrastando os passos, após perder mais um paciente.

— Dr. Cullen…

Uma voz fraca o chamou.

Ele entrou no quarto.

Uma mulher, pálida, lutava para respirar entre acessos de tosse.

— Preciso que salve meu filho… — implorou ela. — Ele está morrendo.

Carlisle encontrou seus olhos.

Desespero.

Dor.

Mas também…

Certeza.

— O que ele tem?

— Gripe Espanhola… o nome dele é Edward Masen.

Havia algo estranho no olhar daquela mulher.

Como se ela enxergasse além.

Como se soubesse.

— Eu sei que você pode salvá-lo.

Aquelas palavras não soavam como esperança.

Soavam como… verdade.

— Qual é o seu nome?

— Elizabeth Masen.

Carlisle hesitou.

Mas decidiu tentar.

— Eu vou fazer o possível.

Ele encontrou Edward.

Um jovem de cerca de dezoito anos.

Suor frio.

Respiração irregular.

A vida…

Escapando.

Carlisle sabia.

Não havia cura.

Edward iria morrer.

Mas as palavras da mãe ecoavam em sua mente.

“Eu sei que você pode salvá-lo.”

Ela sabia.

De alguma forma…

Ela sabia.

Pensamentos começaram a surgir.

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Condenação eterna.

Monstro.

Demônio.

Vampiro.

Mas… e se?

Se ele o transformasse?

Edward não morreria.

Não seria consumido pela doença.

Mas… isso seria realmente salvá-lo?

Ou apenas condená-lo?

Carlisle lutava consigo mesmo.

Mas o tempo estava acabando.

A vida de Edward se esvaía a cada segundo.

E então…

Ele decidiu.

Inclinou-se.

Sussurrou algo ao ouvido do jovem.

E mordeu.

O sangue humano invadiu sua boca.

Quente.

Vivo.

Perfeito.

Era tudo.

Muito mais do que ele jamais imaginara.

Por um instante…

Ele quase perdeu o controle.

Quase esqueceu o motivo.

Edward.

Com enorme esforço…

Ele se afastou.

Mais forte.

Mas também…

Mais vulnerável.

A tentação era avassaladora.

Ele poderia continuar.

Edward iria morrer de qualquer forma.

Mas não.

Ele se conteve.

Precisava terminar aquilo da maneira certa.

Edward começou a se contorcer em dor.

Carlisle o pegou nos braços e o levou para longe do hospital.

Para casa.

Para terminar a transformação.

Quando Edward abriu os olhos…

Tudo havia mudado.

— Onde estou?

Carlisle levantou-se.

— Eu sou o Dr. Cullen… sua mãe pediu que eu o salvasse.

— Minha mãe…?

Silêncio.

— Ela faleceu.

Edward absorveu aquilo.

Confuso.

Perdido.

— O que você fez comigo?

Carlisle hesitou.

Edward olhou ao redor.

Seu corpo… diferente.

Sem dor.

Sem fraqueza.

— O que você me deu?

Carlisle não respondeu imediatamente.

Edward se levantou.

Se moveu rápido demais.

Olhou para o espelho.

E parou.

Seus olhos.

Vermelhos.

— O que aconteceu comigo?!

— Você precisa acreditar em mim…

— Eu estou queimando!

— É a sede.

— Sede de quê?!

Carlisle respondeu, firme:

— Sangue.

Silêncio.

Pesado.

Irreal.

— Você é… um vampiro.

Carlisle não negou.

— E agora você também é.

Edward tentou entender.

Seu corpo.

Sua força.

Sua ausência de respiração.

Tudo apontava para uma única verdade.

— Eu não sou mais humano…

— Não.

— Você mata pessoas?

— Nunca.

— Então como…?

— Animais.

Edward ficou em silêncio.

A sede queimava.

Mais forte.

Mais desesperadora.

— Me leve para caçar.

Carlisle assentiu.

— Eu vou te mostrar.

E, juntos…

Eles caminharam para a floresta.

Onde uma nova existência…

Estava prestes a começar.

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