localização atual: Novela Mágica Outras Amor Imortal: A Escolha de Carlisle Capítulo 6 — Alistair

《Amor Imortal: A Escolha de Carlisle》Capítulo 6 — Alistair

O ânimo de Carlisle começou a crescer à medida que ele avançava em seus estudos noturnos na universidade. O trabalho que realizava na biblioteca caminhava lado a lado com seu progresso acadêmico, criando uma rotina que lhe trazia um raro senso de estabilidade.

Todas as noites, ele permanecia acordado, lendo sem parar. A quantidade de informação que conseguia absorver era algo que o surpreendia profundamente. Quando ainda era humano, já se considerava inteligente, principalmente por seu interesse em certos temas. Mas agora, a velocidade com que aprendia era tão extraordinária quanto sua força e sua velocidade.

Não demorou muito para que tivesse lido todos os livros da biblioteca. As aulas que frequentava tornaram-se quase uma repetição do que ele já havia aprendido sozinho durante as noites silenciosas da cidade. Enquanto os outros dormiam… ele aprendia.

Alguns livros ele leu inúmeras vezes, aperfeiçoando seus conhecimentos em ciência e medicina. Seus professores chegaram a elogiá-lo e passaram a sugerir que ele seguisse carreira nessas áreas. Alguns até mencionaram que, no futuro, ele poderia se tornar um instrutor.

Carlisle se sentiu motivado por aquelas palavras. Talvez aquele pudesse ser seu caminho. Talvez pudesse permanecer ali por anos, ensinando jovens e contribuindo verdadeiramente para a sociedade. Ainda assim, a incerteza permanecia em sua mente. Havia sempre a possibilidade de que sua condição tornasse impossível permanecer no mesmo lugar por muito tempo.

Mais uma vez, ele decidiu focar no presente. Não adiantava se atormentar com o que poderia acontecer décadas à frente.

Sentado, folheava um livro que já havia lido inúmeras vezes quando, através da janela da biblioteca, viu a lua cheia. A sede voltou a se manifestar em sua garganta. Ele fechou o livro e saiu para a noite.

Caminhou tranquilamente para fora da cidade até alcançar a linha da floresta. Então, deixou-se levar pela velocidade, avançando pela escuridão como um animal em disparada. Seguiu seus instintos até encontrar o momento certo para atacar. Um grupo de cervos perdeu seu maior membro naquela noite.

Ele derrubou o animal, tentando acabar com seu sofrimento o mais rápido possível. Já havia alcançado um nível de autocontrole em que se preocupava até com a dor daquilo de que se alimentava.

— Escolha interessante de alimento — disse uma voz.

Carlisle sentiu o corpo inteiro se tensionar. Virou-se rapidamente, tentando identificar quem havia descoberto sua verdadeira natureza. Não havia cheiro de sangue humano, o que o confundiu ainda mais.

Estaria enlouquecendo?

Mas então viu.

Um homem estava sentado em um galho baixo, com um falcão pousado em seu braço.

Carlisle o encarou, percebendo imediatamente que ele não era humano. Seus cabelos eram desgrenhados, suas roupas lembravam as de um nômade. Seus olhos… vermelhos. Ainda assim, sua aparência era muito menos selvagem do que os vampiros que Carlisle havia encontrado anteriormente.

— Quem é você? O que é você? — perguntou Carlisle.

O homem sorriu, balançando as pernas no ar.

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— Meu nome é Alistair. Estou te seguindo há algum tempo.

— Me seguindo?

— Sim. Eu sabia que havia outro como nós por perto, só levei um tempo para te encontrar… você se move demais.

Carlisle franziu o cenho.

— E como conseguiu fazer isso?

— É uma habilidade — respondeu Alistair. — Algo com que renasci. Consigo rastrear pessoas… ou coisas.

Carlisle ficou pensativo. Talvez também tivesse alguma habilidade que ainda não descobrira. Mas certamente não era como aquela — ele nem sequer havia percebido a presença do outro.

— Nunca vi alguém como nós se alimentar de animais — comentou Alistair. — Por que não vai até a cidade? Há sempre bêbados ou solitários à noite. Nem perceberiam.

Carlisle respondeu calmamente:

— Não acho correto tirar a vida de um humano.

Alistair riu… até perceber que ele falava sério.

— Você está dizendo que não caça humanos?

— Não.

— Há quanto tempo você é assim?

— Menos de um ano… e nunca me alimentei de um humano.

— Nunca?

— Nunca. Não é certo… pelo menos não para mim.

Alistair repetiu as palavras com descrença.

— Você é algum tipo de homem justo?

Carlisle ignorou a provocação.

— Quantos existem como nós?

— Muitos. Mais do que você imagina.

— Algum deles vive entre humanos?

— Nunca conheci um vampiro que quisesse isso.

Carlisle hesitou, mas decidiu ser sincero.

— Eu trabalho na biblioteca da cidade… e estudo na universidade.

Alistair o encarou, claramente incrédulo.

— E como consegue?

— Eu aprendi a controlar minha sede. Vivo de animais.

— E o sol?

— Trabalho à noite. Durante o dia, fico na floresta.

Alistair ficou em silêncio por um momento, absorvendo aquilo.

— Quanto tempo você vive assim? — perguntou Carlisle.

— Trezentos anos… ou mais.

Carlisle arregalou os olhos.

— Você ainda tem muito a aprender — disse Alistair, com um sorriso leve.

— Nós mudamos com o tempo?

— Não.

Carlisle assentiu.

— Não vou te impedir de ir — disse.

— Ainda bem — respondeu Alistair, saltando da árvore.

— Posso te perguntar mais coisas?

— Não gosto de gente — respondeu seco.

Carlisle pensou por um instante.

— Posso te ensinar a viver entre humanos.

— Não tenho interesse nisso — respondeu ele. — Prefiro a solidão da floresta.

— Não é solitário?

— É… da melhor forma possível.

Carlisle olhou para o animal morto.

— Já pensou em caçar animais?

— Não me atrai.

Carlisle percebeu que não o convenceria.

— Podemos morrer?

— Ainda não descobri como.

Alistair virou-se para ir embora.

— Meu nome é Carlisle Cullen.

— Prazer… — respondeu com sarcasmo, desaparecendo em seguida.

Na noite seguinte, Carlisle não conseguia parar de pensar naquele encontro. Alistair não era como os outros — mas também não era como ele.

Ainda assim, foi o primeiro de sua espécie com quem conseguiu conversar.

Durante o trabalho, Carlisle anotou perguntas. Esperava encontrá-lo novamente.

— Boa noite, Carlisle — disse John.

— Boa noite.

— Minha esposa quer te dar um presente por me deixar chegar mais cedo em casa.

Carlisle riu.

— Não precisa. Já me ajudou muito.

— Tem esposa?

— Não.

— Namorada?

— Também não.

— Tenho uma sobrinha…

Carlisle sorriu.

— Podemos ver isso depois.

Após a saída de John, seus pensamentos voltaram ao tema.

Relacionamentos.

Seria possível?

Ele jamais poderia condenar uma humana à mesma existência.

Talvez existissem outras como ele…

Mas a ideia não o agradava.

Ainda assim, percebeu algo importante:

Ele precisava entender o mundo dos vampiros.

Não apenas o humano.

Quando a noite terminou, ele correu para a floresta.

— Alistair! — chamou.

O vento soprou forte.

E então ele apareceu.

— O que foi?

Carlisle tentou sorrir.

— Tenho perguntas.

Alistair leu o papel… e devolveu.

— Não vou ser seu estudo.

Carlisle guardou o papel.

— Entendo.

— Você vai aprender sozinho — disse Alistair.

— Só mais uma coisa… onde posso encontrar outros como nós?

— Em todo lugar. Mas… há um grupo na Itália.

Carlisle assentiu.

— Obrigado.

Eles apertaram as mãos.

— Até mais, Carlisle.

— Para onde vai?

— Jantar.

E, num instante…

Ele desapareceu.

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