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《Amor Imortal: A Escolha de Carlisle》Capítulo 4 — O Que Não Pode Ser Tocada

A queimação era insuportável. Dominadora. Manipuladora. Carlisle sabia exatamente o que deveria fazer, mas aquela sensação o puxava na direção oposta. Foi ela que o levou até o topo de uma árvore, de onde podia observar sua antiga casa.

Mas a dor que sentia não vinha da garganta. Vinha do peito. Era o amor que ainda nutria por seu pai, queimando dentro dele e o guiando até um lugar ao qual sabia que nunca poderia realmente retornar.

Um homem lutava para cortar lenha. Suas mãos estavam cansadas, envelhecidas, assim como seu corpo e os cabelos desgrenhados que caíam em todas as direções. Ao lado do tronco, havia apenas uma pequena pilha de madeira.

Carlisle observava o pai. Sabia que poderia cortar uma floresta inteira em questão de minutos. Queria ajudá-lo. Queria sair de seu esconderijo e se revelar — dizer que estava bem, que havia vencido o monstro.

Mas doía.

Doía ver o velho homem tão frágil, mais cansado do que ele jamais lembrava. Todo aquele sofrimento poderia acabar… se ele apenas aparecesse.

Purgatório, pensou Carlisle. Isso só podia ser algum tipo de purgatório.

Seu pai estava tão perto… e ao mesmo tempo, tão distante. Não havia nada que ele pudesse fazer. Revelar-se só traria mais dor do que o alívio de saber que ele estava vivo. Não havia como um pastor, tão fiel às próprias crenças, aceitar o que ele havia se tornado.

O machado subia e descia repetidamente. A madeira se partia e a pilha crescia aos poucos, ao longo de vários minutos.

A cada golpe, parecia mais pesado. Carlisle observava os braços do pai tremerem e quase perdeu o controle, quase abandonou seu esconderijo. Sentia que era seu dever ajudá-lo.

Felizmente, o homem parou. Apoiou-se no cabo do machado, deixando a lâmina descansar no chão. Respirou com dificuldade, suspirou e então deixou a ferramenta sobre o tronco.

Retirou um lenço do bolso e limpou a testa com lentidão, antes de recolher alguns pedaços de madeira e entrar em casa.

Carlisle se aproximou da casa e espiou pela janela. A noite já caía, e ele concluiu que o pai logo se recolheria, como sempre fizera.

Ele se dirigiu até o quarto que um dia fora seu e percebeu que tudo permanecia exatamente igual. Nada havia sido alterado. Nada havia mudado. Exceto por uma pequena cruz, posicionada no centro da cama.

Carlisle abaixou a cabeça e se afastou da janela, escorregando pelas paredes da casa até sentar-se no chão, encostado nela.

Apoiou a cabeça e cobriu o rosto com as mãos. Dentro da casa, ouviu o pai murmurando consigo mesmo, caminhando lentamente pela sala.

Sim… isso só podia ser purgatório.

Carlisle queria ficar ali para sempre. Queria proteger o pai de todos os perigos do mundo. Queria trabalhar por ele, ser incansável, para que ele nunca mais precisasse erguer um machado.

Mas, acima de tudo, queria que ele soubesse.

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Que estava vivo.

Que havia vencido.

Que não era um monstro.

Que não era um assassino.

Ele fechou os olhos e permaneceu ali, em silêncio, desejando secretamente que o pai abrisse a porta e o encontrasse. Assim, não precisaria tomar a decisão mais difícil de sua vida.

Lentamente, afastou as mãos do rosto. Por um instante, achou ter visto o pai ali, ao seu lado… mas era apenas ilusão. Apenas árvores. Apenas vazio.

Então, um som diferente chamou sua atenção.

Um som sutil.

Desconhecido.

Ele se virou, atento.

Carlisle jamais havia visto o pai chorar. Mas agora… tinha certeza de que ouvia um soluço vindo de dentro da casa.

Levantou-se devagar e se posicionou de modo que pudesse ver o interior.

O pai estava sentado em uma velha cadeira de balanço.

Envolto em um cobertor.

Os ombros tremiam.

Aos seus pés, uma garrafa de bebida.

A lareira… apagada.

Os soluços ecoavam pelo ambiente vazio, impregnado de solidão e dor.

O peito de Carlisle se apertou. Seu estômago se revirou. Aquilo era insuportável.

E então ele fugiu.

Fugiu do quintal.

Fugiu da cidade.

Fugiu da própria vida.

Nada jamais o havia machucado tanto. Ele desejou nunca ter voltado ali, não naquela noite. Em vinte e três anos, nunca havia visto o pai chorar. Aquilo foi mais devastador do que encarar os olhos vermelhos do monstro pela primeira vez.

Carlisle continuou correndo. Não importava para onde. Apenas precisava se afastar.

Suas pernas não se cansavam. Ele não precisava respirar. Podia correr indefinidamente — e foi exatamente o que fez.

Pareceram dias, embora soubesse que era impossível. O sol ainda não havia nascido. A noite parecia eterna.

Nunca mais, pensou. Nunca mais.

Ele forçou o corpo a parar. Seus pés deslizaram pelo caminho enquanto ele olhava ao redor.

Havia uma cidade próxima. Ele sentia. O cheiro de sangue humano estava no ar — próximo, mas não sufocante.

Carlisle tentou se recompor. Queria voltar a sentir controle. Ver o pai daquela forma o havia destruído de um jeito que ele jamais imaginara.

Agora, precisava seguir em frente.

Precisava encontrar uma forma de encerrar aquilo dentro de si.

O tempo… ao menos… estava ao seu lado.

Ele aceitou, enfim, que nunca mais poderia se aproximar do pai. Ainda assim, continuou observando-o à distância por semanas, sabendo que o melhor para ambos era não ter qualquer contato.

Seu pai também precisava aceitar que o filho havia partido.

Saber a verdade apenas o destruiria ainda mais.

Na última noite em que o observou, Carlisle caminhou até a pilha de lenha — pequena, insuficiente.

Pegou o machado.

E começou a trabalhar.

Durante horas.

Sem parar.

O som da respiração pesada do pai, enquanto dormia, era seu guia. Quando cessava, ele parava. Quando voltava, ele continuava.

A pilha cresceu.

E cresceu.

E cresceu.

A madrugada avançava, mas Carlisle não sentia cansaço. Trabalhou até o primeiro sinal de luz surgir no horizonte.

Olhou para o resultado.

Montanhas de madeira.

Organizadas.

Altas.

Nenhum homem comum seria capaz de fazer aquilo em meses.

Ele esperava que aquilo ajudasse o pai… ao menos por um tempo.

E então partiu.

Para sempre.

Afastou-se lentamente, olhando para trás, até que a casa desapareceu de vista.

Dentro da casa, o pai despertou com a luz da manhã entrando pela janela. Espreguiçou-se, preparando-se para mais um dia difícil.

Desde que Carlisle havia desaparecido, cada dia era mais pesado.

Levantou-se lentamente, os pés tocando o chão de madeira.

A luz do sol atingiu seus olhos, fazendo-o semicerrar as pálpebras. Ao levantar a mão para bloquear o brilho, viu o quintal.

E parou.

Confuso.

Aproximou-se da janela.

O quintal estava cheio de lenha.

Lenha pronta.

Sem necessidade de corte.

Ele ficou imóvel, tentando entender. Teria bebido demais? Teria feito aquilo sem lembrar?

A ideia desapareceu rapidamente.

Ergueu os olhos para o céu.

— Como isso aconteceu…?

O nome de Carlisle surgiu em sua mente.

Antes mesmo de qualquer oração.

Ele saiu de casa, olhando ao redor, como se pudesse sentir a presença do filho.

E então… viu.

O machado.

Posicionado exatamente como Carlisle sempre deixava.

Para qualquer outra pessoa, aquilo não significaria nada.

Mas para ele…

Significava tudo.

Ele se aproximou lentamente, passando a mão pela madeira, até tocar a lâmina.

Depois…

Retornou para dentro de casa.

Para rezar.

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