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《Amor Imortal: A Escolha de Carlisle》Capítulo 1

Londres, 1663.

Passos apressados ecoavam pelas ruas molhadas de uma noite sombria. A lua, reduzida a um fino arco no céu, desaparecia entre nuvens densas que arrastavam consigo uma névoa inquietante, envolvendo a cidade na hora mais profunda da madrugada.

Pequenos focos de tochas eram a única fonte de luz, tremulando entre sombras distorcidas, enquanto multidões avançavam pela escuridão, guiadas mais pelo medo e pela imaginação do que por qualquer certeza.

— Matem todos! — gritou uma voz distante, escondida em algum beco.

As palavras eram frias, carregadas de uma determinação cruel, impregnadas de medo… e de uma estranha indiferença.

A outrora orgulhosa cidade havia sucumbido à violência e ao desespero diante do desconhecido. Já não era possível distinguir vítimas de algozes. Não importava status, origem ou fé — havia apenas uma palavra ecoando incessantemente no ar, mais poderosa do que qualquer oração:

Matar.

Carlisle segurava sua tocha à frente, iluminando o caminho na escuridão. Ao seu lado, um pequeno grupo de homens — seguidores fervorosos de seu pai — mantinha a mesma postura rígida.

Eles obedeciam a cada palavra sua.

Mesmo que ele nunca tivesse pedido.

Mesmo que jamais tivesse desejado aquela lealdade.

Diferente dele, aqueles homens eram fechados, brutais. Caçadores de um mal que muitas vezes nem existia — mas que, ainda assim, insistiam em encontrar.

— Foi aqui que você os viu? — perguntou um deles, com um entusiasmo quase perturbador, voltando-se para Carlisle.

As chamas das tochas dançavam sobre seus rostos, projetando sombras profundas que os faziam parecer… infernais.

E talvez fosse apropriado.

Porque Londres havia se tornado exatamente isso.

Um inferno na Terra.

Ironicamente… guiado por um pastor e seu filho.

— Tenho certeza — respondeu Carlisle, firme.

Desta vez… não havia engano.

Eles realmente estavam caçando monstros.

Ele ergueu a tocha, apontando para a entrada de um esgoto a poucos metros.

— Eu os vi entrando e saindo daqui. Eles não são como nada que eu já tenha visto… são rápidos. Implacáveis.

— Quantos são? — perguntou outro homem.

Carlisle hesitou por um instante.

— Não sei ao certo… mas eles estão aqui.

Seus olhos percorreram o céu encoberto e a escuridão sufocante ao redor.

— Eles vão sair antes do amanhecer. Tenho quase certeza. E, se não hoje… voltaremos amanhã.

— Vai ter sangue hoje à noite! — gritou um dos homens ao fundo. — Apareçam, seus malditos! Covardes! Vamos ver se têm coragem de enfrentar homens de verdade!

Carlisle lançou um olhar por cima do ombro.

Franziu o cenho.

Aqueles homens… não eram melhores do que os monstros que diziam caçar.

Talvez fossem até piores.

Quantos inocentes já haviam sido mortos em nome do medo? Quantas vidas apagadas por acusações vazias?

Aquilo não era justiça.

Era… maldade.

Os gritos continuaram, carregados de ódio, pecado e julgamento. Provocações cuspidas na direção da escuridão do esgoto.

Até que uma tocha foi lançada lá dentro.

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E então…

Veio a resposta.

Um rosnado baixo e profundo reverberou pelas galerias subterrâneas, subindo até a rua como um eco vindo do próprio inferno.

O buraco iluminado pelas chamas parecia uma entrada para o mundo dos condenados.

O silêncio caiu sobre o grupo.

Carlisle deu um passo para trás, mas manteve o braço estendido, iluminando a abertura. Atrás dele, alguns homens ergueram paus e lanças improvisadas — embora seus pés já recuassem, traindo o medo que tentavam esconder.

Por um breve momento…

Tudo o que se ouviu foi a respiração pesada e ansiosa da multidão.

Até aquela noite, tudo havia sido fácil.

Os piores dentre eles encontravam prazer em executar outros humanos, acusando-os de serem demônios.

Mas aquilo…

Aquilo era diferente.

Eles estavam diante de algo muito além da carne frágil de um homem.

— Apareça! — gritou um deles, avançando ao lado de Carlisle.

No instante seguinte…

Ele foi lançado ao chão.

Algo caiu sobre ele com uma força brutal.

Os gritos explodiram.

O sangue escorreu pela rua antes mesmo que qualquer mente humana pudesse compreender o que havia acontecido.

Em questão de milissegundos…

Um homem deixou de ser um líder arrogante…

Para se tornar alimento.

A criatura sugava seu sangue com uma ferocidade aterradora.

Carlisle não conseguia desviar o olhar.

Mesmo tendo sido ele a descobrir aquelas criaturas…

Nada poderia prepará-lo para aquilo.

A figura parecia humana.

Mas não era.

Seus olhos… vermelhos.

Seus movimentos… rápidos demais para serem acompanhados.

Seus ataques… precisos como os de um predador.

Como um leão.

O grupo, finalmente despertando do choque, se dividiu.

Metade fugiu.

Os verdadeiros covardes.

Os outros tentaram lutar.

Nenhum teve sucesso.

Um por um, em duplas ou sozinhos, foram arremessados contra o chão com estalos horríveis — ossos se partindo com o impacto.

Esses…

Eram os sortudos.

A criatura se ergueu lentamente.

Peito nu.

Calças rasgadas.

Pés descalços.

O cabelo selvagem, assim como os olhos.

Os dentes expostos.

O sangue escorrendo pela boca, pelo corpo… pelos braços.

Carlisle ficou frente a frente com ela.

Imóvel.

Atônito.

Sua boca se abriu levemente.

Era o fim.

Sem aviso…

A criatura avançou.

Seus dentes perfuraram a pele de Carlisle.

Um rosnado grave escapou de sua garganta.

A tocha caiu de sua mão.

— Seu demônio! — gritou alguém ao longe.

Os olhos de Carlisle se abriram parcialmente.

A criatura desviou a atenção por um instante.

Foi o suficiente.

Ele tentou fugir.

Olhou para trás — outro homem era derrubado.

Os gritos agudos ecoavam pela noite, ricocheteando nas paredes de pedra.

Carlisle correu.

Desesperado.

A mão pressionando o local da mordida.

A dor veio imediatamente.

Assim que o veneno entrou em suas veias.

Era insuportável.

Paralisante.

Ele tropeçou para dentro de um prédio destrancado.

Não sabia se estava abandonado.

Não se importava.

Nada importava.

Ele havia sido mordido.

E ninguém podia saber.

Refúgio.

Era tudo o que restava.

Ele se escondeu entre caixas velhas, enterrando-se sob sacos de comida e batatas.

O ambiente era escuro.

Vazio.

Com cheiro de mofo e lixo.

Mas, comparado à dor que tomava seu corpo…

Poderia muito bem ser o aroma de lavanda.

Ou de maçãs recém-colhidas.

Seus punhos se cerraram.

Ele ergueu a cabeça, lutando contra a vontade de gritar.

A sensação era como fogo.

Como se estivesse queimando vivo.

Carlisle olhou para as veias tensas em seus braços.

Fechou os olhos.

Rangeu os dentes.

Forçou o silêncio.

Enquanto…

Sua vida humana…

Se esvaía por completo.

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