Os outros pesquisadores que tinham ficado assistindo viram Rafael entrar e enrijeceram imediatamente.
Foram saindo murmurmurando um "bom dia, Sr. Duarte" cada um, e desapareceram do local do desastre.
O ambiente ficou de repente quieto.
Rafael fechou a porta com naturalidade e caminhou até Serena.
O chão estava revirado, e a distância entre os dois foi diminuindo devagar.
Serena olhou para o homem que se aproximava com aquele passo tranquilo e vários pensamentos cruzaram a cabeça.
Como explicar a violência?
Ela podia dizer que sendo médica, conhecia a estrutura do corpo humano e por isso conseguia deslocar articulações com facilidade.
Rafael acreditaria?
No meio de toda essa reflexão, Rafael já estava parado bem na frente dela.
Ele estendeu a mão e fechou os dedos devagar na nuca dela.
Serena de repente sentiu que se Rafael aplicasse força, o pescoço dela partiria.
O poder do líder do Salvation, ela tinha visto muitos anos antes.
E Rafael parecia ter ainda outra camada de identidade. Um nível que ia além do que se imaginava.
Mas no segundo seguinte, a outra mão de Rafael desceu e a palma grande pousou no topo da cabeça dela, fazendo uma carinha suave nos cabelos.
"Se machucou em algum lugar?" Ele perguntou.
Serena ficou parada.
Ela ergueu os olhos, confusa, e encontrou o olhar de Rafael.
Ele viu a expressão perdida dela e não conseguiu segurar um sorriso breve.
Então pegou a mão de Serena e examinou com atenção.
Viu uma marca vermelha na lateral da mão esquerda. Rafael franziu o cenho: "O que foi aqui? O chefe de segurança?"
Serena pensou por um segundo e balançou a cabeça: "Foi quando entrei aqui e fui mexer nas coisas, foi sem querer."
"Ah. Mais cuidado na próxima vez." A temperatura da palma de Rafael ficou impressa na nuca de Serena como um carimbo quente.
Ele a examinou e suspirou: "Ainda é uma gatinha que explode por qualquer coisa."
Serena arregalou os olhos: "Onde é que exploди?"
Rafael a olhou com aquele sorriso enviesado: "Agora, tudo está explodido."
Serena ficou um pouco frustrada. Disse: "Hoje de manhã, quando abri o escritório assim... o dia começou mal."
"O que precisa que eu faça?" Rafael perguntou.
"Troca toda a equipe de segurança." Serena não teve a menor cerimônia.
"Certo." Rafael concordou na hora.
"Por que você me obedece assim?" Serena ficou surpresa.
"Já tinha esse plano." Rafael explicou: "Tenho alguns amigos que são perfeitos pra essa função."
Na verdade, o esquadrão de resgate da Aliança precisava de sangue novo todo ano.
Rafael pretendia usar o instituto como uma das etapas de avaliação. Quem se saísse bem receberia a oportunidade de concorrer a uma vaga.
E ao mesmo tempo, os membros que ficaram incapacitados por ferimentos em combate teriam um lugar para continuar sendo úteis, em vez de viver de pensão e se isolar do mundo.
Rafael examinou o rosto de Serena: "Está totalmente recuperada?"
"Estou." Serena acenou.
"O que aconteceu de verdade?" Rafael prendeu o olhar nos olhos dela: "Não pode me contar?"
Serena pensou por um instante e achou que não havia motivo para esconder.
"Envenenamento. Desde muito pequena tenho uma toxina no corpo. Foi o meu mestre que me salvou, mas até hoje o veneno residual não some completamente."
"Envenenamento?" Rafael franziu o cenho: "Quem fez isso?"
"Não sei." E Serena realmente não sabia. Desde que tinha memória, vivia com aquilo.
Todos esses anos, vivendo para adiar a morte.
"Quer que eu investigue?" Rafael perguntou.
"Não precisa. Já investigaram. Faz tempo demais, não sobrou rastro nenhum." Serena disse.
Rafael não conseguia imaginar que alguém pudesse fazer aquilo com uma criança tão pequena.
Com o nível de habilidade de Serena, e anos sem conseguir eliminar o veneno, aquilo não era coisa comum.
Tinha sido deliberado.