Valentina olhou para Serena e viu que ela estava... bocejando.
Aquela atitude era simplesmente demais.
Ela respondeu pelo telefone: "É a Thea. O presidente talvez não a conheça, ela foi certificada como farmacologista nível um há só um ano."
"Entendido, vou tratar desse caso." Era evidente que Luo Feng realmente não conhecia o nome Thea. Ele disse, tranquilizando Valentina: "Continue o projeto, Valentina. Confio no seu talento. Mesmo que alguém pegue o material, não vai conseguir nada sem a sua capacidade. O seu mestre acredita em você!"
Valentina curvou os lábios: "Obrigada, mestre! Quando o segundo resultado estiver pronto, te contato."
"Ótimo." Luo Feng desligou.
A sala de reuniões ficou completamente quieta.
Todos os olhares foram para Serena, que parecia estar cochilando.
Os pesquisadores que até pouco tempo a admiravam pela aparência e pela reputação começaram a mudar de expressão.
Eram todos pessoas do meio acadêmico. Fazer aquilo e, quando pega, não admitir, era desonestidade de caráter.
E sem caráter, sem vergonha, ainda dormia naquele momento? A impressão que tinham de Serena foi ficando cada vez pior.
Valentina, por outro lado, talvez fosse orgulhosa, mas tinha substância. Numa ligação, a pessoa no topo da Aliança Médica tinha elogiado Valentina abertamente.
E de Serena, nem tinha ouvido falar.
O que a balança pesava ficou evidente sem precisar de palavras.
Valentina olhou para Serena, o tom distante: "Espero que você me peça desculpas. Se a atitude for sincera, Thea, posso pedir ao meu mestre para ser mais leniente com você."
Porque quem fosse banido da Aliança Médica teria o nome publicado oficialmente.
Com o nome na lista, o futuro daquela pessoa estava destruído para sempre.
Serena franziu o cenho. Tinha mandado uma mensagem para Nina pedindo o medicamento de emergência, mas ainda estava a caminho.
Ouvindo o "favor" condescendente de Valentina, Serena estava mal demais para falar.
Então ela olhou para Valentina com a expressão de quem está assistindo a um palhaço.
Valentina cruzou aquele olhar e achou tudo absurdo.
Aquela mulher sem competência alguma ainda tinha a audácia de olhá-la assim?
"Então não vai pedir desculpas?" A paciência e a compostura de Valentina tinham chegado ao fim.
A sala ficou em silêncio. Desta vez Serena nem deu o trabalho de um olhar para ela.
Dois minutos sufocantes depois, alguém não aguentou e soltou comentários:
"Senhorita Valentina, o título de farmacologista nível um de algumas pessoas já veio de favor, cedo ou tarde vai embora mesmo. Quem não tem nada a perder fica assim, sem reação."
"É verdade, a gente aqui valoriza reputação e competência acima de tudo. Tem gente que só tem a aparência."
"Quem sabe a tese dela também não foi copiada de algum lugar? Pelo jeito, é reincidência. Senhorita Valentina, não precisa nem pedir ao mestre. Esse tipo de pessoa sai mais cedo melhor."
"Concordo, antes que estrague o clima do instituto inteiro. Rato na merenda..."
Aquelas vozes todas foram entrando pelo ouvido e na cabeça de Serena, e ela sentiu um gosto de sangue subindo pela garganta.
Ela tentou engolir com esforço, mas a cabeça estava cada vez mais pesada e o chão cada vez mais instável.
Essa sensação, ela só tinha tido uma vez na infância, quando quase morreu.
Naquela vez foi o mestre que a salvou. Dessa vez...
Foi então que a porta da sala de reuniões se abriu.
Serena virou levemente os olhos e viu Rafael entrando em passos largos.
Gabriel, ao ver Rafael aparecer, soltou um suspiro de alívio.
Os outros ficaram confusos. O resultado já estava encaminhado. Por que Rafael ainda veio?
E então todos viram: o olhar de Rafael varreu a sala, travou em Serena, e ele foi direto até ela.