As câmeras desligadas, o item roubado. Era evidente que não havia coincidência.
Rafael não foi para casa. Foi direto ao instituto.
Serena pegou o Fogo do Centro da Terra e foi para a mansão dos Duarte.
Precisava reunir os outros ingredientes. Amanhã à tarde começaria a preparar o próprio medicamento.
Naquele dia, Serena dormiu bem. Não sabia que o instituto estava passando por uma varredura completa.
No dia seguinte, aeroporto da cidade.
"Mamãe, por que o irmão ainda não saiu?" Zara olhava animada para a saída de chegadas internacionais.
Ela estava a caminho da escola quando ouviu que a mãe viria buscar o irmão, e não titubeou um segundo em querer vir junto.
Era uma fã número um do irmão. Tinha o emblema do time colado na testa e um bandeirinha na mão.
Serena afagou os cabelos da filha e olhou para o relógio: "Já já."
Naquele instante, a multidão no terminal deu uma agitação.
Logo em seguida, alguém desdobrou uma faixa que estava preparada desde antes.
Entre gritos e mais gritos, a faixa se abriu no salão:
Parabéns ao Time Destiny pela primeira conquista no campeonato da Liga!
Parabéns ao capitão "Torre" pelo MVP geral!
Meio ao mar de gritos, da direção das chegadas internacionais vinha um grupo.
Todos de uniforme com o nome Destiny bordado.
O que estava na frente se destacava pelo tamanho: não chegava a um metro e vinte. Usava um boné americano com a aba cobrindo boa parte do rosto, deixando à mostra só uma boca e um queixo com traços nitidamente infantis.
Mesmo mostrando aquele pedaço mínimo, era bonito como um príncipe saído de um conto.
"Lô! Lô é o melhor! Lô arrasou!"
"Lôzinho, olha pra mim! Te espero crescer, tá!"
"Lôzinho, sua mãe-fã está aqui!"
"E o fã-pai também!"
Os fãs gritavam como se o mundo fosse acabar, mas abriam um corredor com uma consideração instintiva.
O Lô deles era incrível, sim. Mas também tinha cinco anos. Não iam pisar no menino.
Lorenzo levantou o braço e acenou para os fãs, sem tirar o boné em nenhum momento.
Mas mesmo assim, o entusiasmo não diminuía.
Esse era o mito dos dez anos de história do jogo
Criando o Mundo
:
O "Torre" de cinco anos, sozinho, tinha reescrito os limites de idade da Liga.
Com uma velocidade de mão de oitocentos ações por minuto e uma cabeça estratégica sem igual, tinha liderado um time que estava fora do top vinte e ido escalando posição por posição.
Saíram do país e chegaram às quatro equipes finalistas do campeonato global da Liga, o primeiro time do país nos últimos cinco anos a chegar tão longe.
A vitória esmagadora daquela noite tinha feito todos os fãs chorar de emoção.
Serena olhou para o filho saindo lá no fundo, e os cantos da boca se curvaram num orgulho calmo que ela nem tentou esconder.
Do lado, Zara pareceu perceber o irmão só naquele momento, e chamou devagarzinho: "Irmão!"
A voz era pequenininha, facilmente engolida pelo barulho.
Mas Lorenzo, que estava na frente do grupo, pareceu ouvir. No meio do aceno para os fãs, fez um gesto discreto com a mão direita.
Serena entendeu na hora. Era sinal de que ia na loja de doces de sempre.
Ela pegou Zara no colo e desapareceu no meio da multidão.
Chegou à loja com a filha poucos minutos antes. Lorenzo apareceu logo depois.
Não sabia como o menino tinha escapado dos fãs, mas ele tinha virado a jaqueta do time pelo avesso, mostrando um Ultraman fofinho no lado interno.
O boné também tinha saído, revelando aquele rosto bonito e delicado que não combinava em nada com o capitão do Destiny.
"Mamãe." Lorenzo chamou, e em seguida foi beliscar a bochecha da irmã: "Sua bobinha, sentiu falta do irmão?"
Alguns segundos depois, Zara respondeu com toda a seriedade, a voz mole: "Senti, irmão. E não sou bobinha."
"É, nossa Zarinha é a mais esperta." Lorenzo deu uma palmadinhas nos cabelos dela e tirou um saquinho da bolsa: "Presente da Zarinha."
A bolinhucha de cream puff lambeu os lábios de creme e pegou com os olhos brilhando: "Obrigada, irmão!"
Serena olhava para a interação dos dois com aquele sorriso quieto.
Foi então que o celular que estava do lado dela tocou. Era o instituto.