《Após renascer, usei a razão para proteger a minha filha.》Capítulo 36

De volta em casa, depois de acalmar Lily, fazê-la comer um pouco e colocá-la para dormir (Júlia se ofereceu para ficar e acompanhá-la), Erika sentou-se sozinha na sala escura, segurando o celular com força.

Na tela, havia uma mensagem que a professora Marina enviara depois, informando que a escola já havia aplicado punição severa aos três garotos, prometido reforçar a supervisão, pedido desculpas novamente e perguntado se Lily precisaria mudar de turma ou estudar temporariamente em casa.

Erika não respondeu.

Seu olhar caiu no canto da mesa de centro, onde havia um envelope branco comum, parado em silêncio.

Sem selo, sem carimbo — claramente havia sido enfiado por debaixo da porta.

Ela o notara ao voltar para casa, mas ainda não tivera tempo de abri-lo.

Agora, o silêncio e o cansaço vieram como uma maré.

Ela estendeu a mão, pegou o envelope.

Era leve.

Rasgou-o. Dentro, apenas uma folha A4 dobrada.

Ela a abriu. Nela, havia um texto impresso, em fonte padrão:

Erika Perez:

Saiba a hora de parar.

Você realmente acha que, com essas suas gravações clandestinas, consegue condenar Everton?

O tio dele tem mil maneiras de arruinar você e sua filha. O que aconteceu hoje na escola foi só um pequeno aviso.

Pense no seu passado. Pense no futuro da sua filha.

Se continuar insistindo, no tribunal, na escola, até no seu trabalho, haverá mais “acidentes” esperando por vocês.

Da próxima vez, talvez não seja só algumas palavras ou um empurrão.

Se for inteligente, diga ao promotor e ao juiz que vocês se confundiram, que foi um mal-entendido, uma briga doméstica.

Retire a acusação ou aceite um acordo com pena mais leve. Assim é melhor para todos.

Caso contrário, você e essa sua filha bastarda vão apodrecer completamente em Araraquara.

Ninguém vai acreditar numa mulher louca e numa mentirosa.

Cuide-se.

— Alguém que se preocupa com a “segurança” de vocês

O conteúdo da carta era como uma serpente gelada, subindo pela coluna de Erika até a nuca, trazendo um frio entorpecente.

Não havia assinatura, mas o veneno nas palavras, a ameaça e o conhecimento detalhado da vida delas (a fábrica, a escola), tudo apontava para a mesma direção.

Raul da Silva. Ou alguém sob suas ordens.

Aquilo não era uma simples intimidação.

Era pressão calculada, precisa. Usando exatamente os pontos mais frágeis delas — a vida escolar de Lily, o trabalho de Erika, a reputação social já abalada — para esmagá-las.

O objetivo era claro: forçá-las a ceder, impedir o processo de continuar, deixar Everton escapar de uma punição severa.

“Saiba a hora de parar…”

“Um pequeno aviso…”

“Apodrecer completamente…”

Cada palavra era como uma agulha envenenada, cravando-se nos olhos e no coração de Erika.

Ela sentiu o sangue subir à cabeça e, no instante seguinte, congelar. Raiva, medo, e um desespero frio e sem fundo se entrelaçaram, quase a impedindo de respirar.

Eles não queriam apenas vencer o caso.

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Queriam destruí-las por completo. Usar os meios mais sujos e baixos para empurrá-las ao abismo, fazê-las desistir — ou pior… quebrá-las por dentro.

As cenas da vida passada se sobrepuseram à ameaça presente. Mas, antes, o perigo era direto, brutal, vindo das garras de Everton.

Agora, era algo mais insidioso, mais sistemático — vindo das sombras, manipulando regras, pessoas, e explorando a fraqueza delas como “vítimas imperfeitas”.

Ela achou que escolher a lei significava resolver tudo dentro de um sistema civilizado.

Mas seu adversário não hesitou em levar a guerra para fora da lei — para dentro da vida cotidiana delas, para tudo que tinham de mais frágil e precioso.

O rosto de Lily chorando na escola.

Os flashes agressivos dos repórteres.

As palavras frias daquela carta. Tudo girava diante dos olhos de Erika.

“Apodrecer completamente…”

Não. Ela não podia permitir isso. Nunca.

Mas o que fazer? Denunciar à polícia?

A carta não trazia ameaça direta de violência, a linguagem era “ambígua” — provavelmente a polícia alegaria “investigação em andamento” ou “falta de provas” e nada faria.

Avisar a promotora? Isso poderia reforçar a narrativa da defesa de que a vítima estava “paranoica”.

Contar ao centro de apoio?

Eles poderiam oferecer suporte psicológico e jurídico, mas diante de uma pressão tão oculta e sistêmica, seu alcance também era limitado.

Uma sensação familiar e gelada de impotência voltou a dominá-la.

Mas, dessa vez, nas profundezas dessa impotência, aquela força sombria que vinha sendo reprimida à força pela razão começou a se agitar violentamente, rugindo.

Se a civilização e as regras não podiam protegê-las…

Se recorrer à lei significava uma destruição ainda maior…

Então, talvez, o último meio de proteção fosse apenas…

Seu olhar, involuntariamente, deslizou em direção à cozinha.

Lá, havia facas. Mesmo que tivesse guardado as mais afiadas, ainda assim…

Não! Erika fechou os olhos com força, abraçando a própria cabeça.

As unhas cravaram no couro cabeludo, tentando expulsar aquele pensamento terrível com dor. Ela não podia.

De jeito nenhum voltar àquele caminho.

Por Lily.

E também… para não se tornar, de fato, a “mulher louca” que todos estavam tentando pintar.

Mas, se não seguisse esse caminho… o que restava?

Assistir, impotente, Lily ser humilhada na escola?

Assistir as duas apodrecerem sob rumores e maldade?

Assistir aquele monstro que tentou violar sua filha escapar da punição merecida por causa de ameaças e manipulações?

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