Alguns repórteres, carregando câmeras e gravadores, não se sabe de onde tinham conseguido a informação, já estavam esperando ali.
Assim que viram as duas saírem, avançaram como tubarões sentindo cheiro de sangue; os flashes estouraram sem parar, e os microfones quase tocaram o rosto de Erika.
“Senhora Perez! Soube-se que sua filha foi vítima de bullying na escola. Isso tem relação com o caso anterior?”
“Como mãe, o que você sente ao ver sua filha sendo ferida novamente?”
“Há rumores de que você também está sendo isolada pelos colegas na fábrica. Isso é verdade?”
“Você tem confiança no veredito final do caso?”
“O advogado de Everton da Silva afirma que seu testemunho não é confiável. O que você tem a dizer sobre isso?”
As perguntas caíam como granizo, carregadas de curiosidade voraz e frieza profissional.
Lily ficou apavorada com aquela situação repentina, soltou um grito e se agarrou com força às pernas de Erika, enterrando o rosto, tremendo violentamente.
“Saíam! Por favor, saiam! Não filmem minha filha!”
Erika protegeu Lily com o corpo, tentando afastar os microfones e câmeras que se aproximavam, a voz distorcida pela raiva e pelo medo.
Mas os repórteres não recuaram; ao contrário, a resistência dela parecia deixá-los ainda mais excitados.
Foi então, naquele momento caótico e sufocante, que uma figura surgiu de repente, colocando-se entre Erika, Lily e os jornalistas.
Era Júlia.
Não se sabia quando ela havia chegado; abriu os braços como uma barreira humana, usando o próprio corpo para bloquear as lentes.
“Parem imediatamente! Isto é a entrada de uma escola! O comportamento de vocês já está interferindo gravemente na vida normal da vítima e de sua família, além de causar dano psicológico secundário a uma menor de idade!”
A voz de Júlia era clara e firme, carregada de uma autoridade incontestável.
“De acordo com o Estatuto de Proteção à Criança e ao Adolescente e com a ética jornalística, vocês não têm o direito de perseguir e filmar uma menor sem o consentimento explícito do responsável, ignorando seu bem-estar psicológico! Se não se retirarem agora, vou chamar a polícia e denunciar formalmente seus veículos ao conselho de ética da imprensa em nome do Centro de Apoio a Mulheres e Crianças!”
Suas palavras, precisas e profissionais, contiveram os repórteres.
Eles trocaram olhares entre si; alguns, constrangidos, baixaram os microfones e câmeras.
Afinal, se envolver com acusações de “violação de direitos de menores” e “quebra de ética jornalística” não lhes seria conveniente.
Aproveitando a brecha, Júlia segurou Erika com uma mão e protegeu Lily com a outra, atravessando rapidamente a multidão até o pequeno carro discreto do centro de apoio estacionado na beira da rua.
Abriu a porta, deixou Erika e Lily entrarem primeiro, depois assumiu o volante, deu partida e saiu dali.
Dentro do carro, reinava um silêncio absoluto.
No banco de trás, Lily continuava agarrada a Erika, chorando em silêncio, o corpo ainda tremendo.
Erika a abraçava, olhando pela janela para a paisagem que recuava rapidamente, o rosto pálido como papel, o olhar vazio.
O bullying na escola, o cerco dos repórteres na porta — dois golpes pesados que não só a atingiram, mas também despedaçaram a frágil esperança que ela mal havia conseguido reconstruir nos últimos dias.
Os rumores já não eram apenas rumores.
Tornaram-se maldade concreta — transformaram-se em palavras sujas e empurrões vindos de outras crianças, em invasão e assédio da mídia.
Como trepadeiras venenosas, cresceram nas brechas do caso e se espalharam por todos os cantos de suas vidas — a comunidade, a fábrica, e agora, até a escola, que deveria ser o lugar mais seguro, não foi poupada.
O veneno que o advogado Raul havia plantado no tribunal já florescia na realidade. E isso… era apenas o começo?
“Senhora Perez,” disse Júlia, olhando pelo retrovisor, com preocupação nos olhos,
“você está bem? Quer ir direto ao hospital, ou passar um pouco no nosso centro?”
Erika balançou a cabeça lentamente, a voz rouca:
“Não… Júlia. Obrigada. Por favor, leve-nos para casa.”
Ela só queria voltar para casa.
Voltar para aquele pequeno espaço simples que, ao menos por enquanto, ainda tinha quatro paredes capazes de bloquear um pouco da maldade do mundo.
Mesmo sabendo que essas quatro paredes eram, na verdade, frágeis demais para resistir por muito tempo.