《Após renascer, usei a razão para proteger a minha filha.》Capítulo 14

A luz forte rasgou a penumbra, e também rasgou a escuridão que tomava a visão de Erika.

O braço de ferro em volta do seu pescoço se afrouxou de repente.

O ar fresco, misturado ao cheiro de poeira do corredor e a um odor frio de borracha e metal, invadiu seus pulmões em chamas.

Ela tossiu violentamente, como um peixe jogado fora d’água, o corpo perdendo toda a força enquanto escorregava para baixo.

Mas ela não caiu. Uma mão firme, usando luvas pretas, segurou seu braço com força, puxando-a para trás, afastando-a do homem que segundos antes tentava estrangulá-la.

No meio da confusão de luz e sombras, ela viu pelo menos dois, talvez três policiais de uniforme azul-escuro avançando com rapidez, como predadores, sobre Everton, que havia congelado no lugar.

“Deita no chão! Mãos na cabeça!”

“Não se mexe!”

Gritos, impactos de corpos, gemidos abafados, o estalo metálico das algemas se fechando… tudo aconteceu rápido demais, como uma sequência acelerada de um filme violento sem som.

Erika foi levada até a parede pelo policial que a segurava, meio apoiada nele, até encostar as costas na superfície fria e áspera.

Só então conseguiu se manter em pé. Ainda tossia com força, lágrimas e secreção escorrendo pelo rosto, a visão turva.

Só distinguia formas azul-escuras pressionando aquele corpo pesado no chão, com os braços torcidos para trás.

A polícia. Eles chegaram.

“Senhora, você está bem? Consegue respirar?”

O policial que a ajudava era jovem, a voz tensa, mas controlada.

Ele soltou o braço dela, mas permaneceu à frente, protegendo-a, com uma mão próxima à arma, atento ao homem imobilizado.

Erika não conseguiu responder.

Apenas assentiu, depois negou com a cabeça, respirando com avidez, cada inspiração queimando a garganta.

Mas mais forte que a dor era a sensação de sobreviver — e uma clareza fria. Ela estava viva. Lili também estava. Pelo menos por agora.

No meio do caos mental, um pensamento atravessou como gelo: a prova. O celular.

Ela ergueu a mão, trêmula, e apalpou o bolso da frente do jeans. O formato rígido ainda estava lá. Ela o puxou com urgência.

A tela estava rachada, cheia de fissuras, mas ainda acesa. Tentou desbloquear, mas os dedos escorregavam, suados e sujos.

“Senhora, por favor, se acalme. Você está segura.”

O policial jovem percebeu o movimento, achando que ela estava em choque.

“Quem é ele? O que aconteceu?”

Ela não respondeu de imediato. Toda sua atenção estava no telefone. Finalmente, conseguiu desbloquear.

Abriu a galeria e encontrou o vídeo mais recente.

O horário: 15:12.

Tremendo, apertou reproduzir, baixando o volume ao mínimo e aproximando do ouvido.

Ruído.

Depois o som da chave na fechadura.

A voz viscosa de Everton: “Ei? Tem alguém em casa? Lili?…”

Os passos. A tentativa na maçaneta.

A voz baixa, manipuladora. Os xingamentos. A ida até a janela. A tentativa de entrar. O barulho da mensagem.

O impacto na porta. O confronto. As mãos no pescoço dela… até o grito final:

“Polícia! Não se mexe!”

O áudio tinha ruídos, respiração, interferência, mas era claro o suficiente. Principalmente as falas dele, carregadas de intenção e ameaça. E as tentativas explícitas de invadir o quarto.

O vídeo ainda continuava.

A imagem tremida, escura na maior parte, mas em certos momentos captava o perfil distorcido dele, o braço forte, a violência.

Gravou. Ela conseguiu gravar.

Uma onda brutal de alívio e euforia atravessou o corpo dela, quase fazendo-a desmaiar.

Apertou o celular contra a mão como se fosse algo sagrado, algo recuperado do abismo.

“Oficial…” ela finalmente conseguiu falar, a voz arranhada.

“Ele… Everton Amaral… tentou estuprar minha filha… Liliana… ela está no quarto… trancada… eu liguei… eu gravei… tenho áudio, tenho vídeo…”

As palavras saíram confusas, mas o sentido era claro.

O rosto do policial mudou imediatamente.

Ele falou algo rápido no rádio do ombro e gritou para os colegas que ainda mantinham Everton imobilizado:

“Informem a central! Tentativa de estupro! Suspeito detido! Menor no quarto, status desconhecido! Precisamos de policial feminina e equipe médica, agora!”

Depois voltou-se para Erika, mais sério ainda:

“Senhora, me entregue o celular. Isso é prova. Vamos cuidar disso conforme a lei. Agora me diga, como está sua filha? Precisamos confirmar se ela está segura.”

Nesse instante, ouviu-se um “clique” leve na porta do quarto.

A porta se abriu um pouco.

Uma pequena mão apareceu, os dedos brancos de tanto apertar a madeira.

Devagar, o rosto de Lili surgiu pela fresta.

Pálido.

Molhado de lágrimas.

Os olhos vermelhos, inchados, ainda cheios de medo.

Mas ao ver os policiais de uniforme azul, e Everton no chão, algemado, derrotado—

No meio do medo, surgiu algo.

Confusão.

E um fio frágil, quase inacreditável… de esperança.

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