《Após renascer, usei a razão para proteger a minha filha.》Capítulo 13

Erika soltou um grito e desviou o corpo, mas Everton foi mais rápido.

Os dedos grossos dele rasparam o pulso dela, deixando uma dor ardente.

Ela cambaleou para trás, bateu as costas na mesa de jantar, fazendo copos e pratos tilintarem.

Num gesto apressado, enfiou o celular no bolso da frente do jeans — mais seguro — enquanto a outra mão finalmente alcançava o chaveiro no bolso de trás, puxando-o com força.

“Me dá o celular, sua vadia!” rosnou Everton, avançando de novo, agora mirando diretamente o bolso dela.

No instante em que os dedos dele quase tocaram, Erika reuniu toda a força e golpeou com a mão que segurava o chaveiro.

As chaves de metal, junto com o pequeno apito de borda afiada, funcionaram como uma soqueira improvisada, carregando todo o medo e a raiva dela, e atingiram com força o braço estendido de Everton.

“Ah—!” ele gritou.

Cortes apareceram imediatamente.

Ele recuou por reflexo, mas a fúria nos olhos ficou ainda mais intensa.

“Você me bateu?!”

Como um touro enfurecido, abandonou o celular e lançou um soco direto contra o rosto dela.

O vento do golpe veio contra ela. Erika chegou a ver os pelos duros dos nós dos dedos, as veias saltadas.

O tempo pareceu esticar, quase congelar. Na outra vida, talvez ela não tivesse conseguido evitar totalmente.

Agora, só havia um pensamento: não deixar ele chegar até a porta de Lili. Ganhar tempo.

Só mais um pouco.

Ela não tentou se esquivar completamente — isso a faria perder o equilíbrio e poderia abrir caminho para ele ir até o quarto.

Apenas virou a cabeça bruscamente e levantou o braço para bloquear.

“PUM!”

O soco pesado atingiu o antebraço. Um som surdo, seguido de uma dor lancinante.

Erika gemeu, sendo lançada para o lado, derrubando uma cadeira.

A visão escureceu por um instante, mas a dor também despertou um instinto mais profundo, quase animal.

Ela caiu de lado, não totalmente deitada, mas encolhida, protegendo com um braço a cabeça e o bolso onde estava o celular.

A outra mão ainda segurava as chaves, e ela, reunindo o resto de força, cravou o chaveiro com violência na canela de Everton que se aproximava.

A ponta metálica, especialmente a borda do apito, afundou na carne desprotegida.

“Porra!!” Everton gritou, mais alto, mais brutal.

A perna cedeu, e ele caiu de joelho. Ao ver o sangue surgindo, seus olhos se encheram de vermelho.

Quando levantou a cabeça, não havia mais nada humano ali — apenas uma intenção pura de destruí-la.

“Eu vou te matar! E depois vou fazer isso com sua filha na sua frente!” ele berrou, tentando se levantar, como uma massa de carne prestes a explodir.

Erika estava caída ao lado da cadeira virada, o braço latejando, a visão cheia de pontos, o ouvido zunindo.

Aquela reação tinha consumido quase toda sua força.

Ao ver o olhar completamente descontrolado dele, o medo voltou, esmagador.

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Ele vai me matar. Aqui. Agora. E depois… Lili…

A polícia… onde está a polícia?!

Nesse momento, do quarto — que até então estava em silêncio absoluto — veio um som.

Não era choro.

Não era um grito comum.

Era uma voz pequena, distorcida pelo medo extremo, mas afiada, decidida, gritando com tudo o que tinha—

“Socorro——!!! Tem um homem mau!!! Mãe——!!!”

Era Lili! Ela estava pedindo ajuda! Pela janela, com toda a força que tinha!

O som cortou o ar da sala como um relâmpago.

Everton congelou por um instante. Um traço de surpresa e nervosismo passou pelo rosto.

Ele claramente não esperava aquilo. O grito ecoaria longe no entardecer. Alguém podia ouvir.

Erika sentiu os olhos arderem.

Quase chorou. Não de medo, mas de algo quente — dor e orgulho misturados.

Sua Lili estava com medo, mas não havia quebrado. Ela estava lutando.

Esse grito foi como uma injeção de força.

Erika não podia cair. Se Lili estava lutando, ela também precisava.

Aproveitando a distração, ela se apoiou com o braço que não estava ferido e se levantou de um impulso. Não tentou atacar nem recuar — correu direto para a porta. Enquanto corria, levou o apito à boca e soprou com tudo o que restava de ar.

“FIIIIIIII——!!!!”

O som foi agudo, penetrante, violento. Explodiu dentro da sala, mais alto que o grito, mais contínuo, um sinal claro e inegável de socorro.

Everton levou as mãos aos ouvidos por reflexo.

A fúria no rosto foi substituída por um pânico real. Tudo estava saindo do controle. Gritos. Apito. Logo alguém viria.

“CALA A BOCA!” ele rugiu, mancando, avançando para silenciá-la.

Erika continuava soprando, tropeçando em direção à porta, os dedos tremendo ao tentar alcançar a maçaneta.

Precisava abrir. Precisava deixar o som escapar. Precisava deixar a ajuda entrar.

No instante em que seus dedos quase tocaram—

Uma força brutal puxou seu cabelo para trás.

“AAH—!”

A dor rasgou o couro cabeludo. Seu corpo foi puxado para trás. O apito caiu. O som cessou.

Everton a agarrou por trás, o braço grosso apertando o pescoço como ferro.

A outra mão tentava cobrir sua boca, arrancar o chaveiro, alcançar o celular.

O ar sumiu.

A visão escureceu.

Os pulmões queimavam.

O corpo dele colado ao dela, pesado, quente, cheirando a suor e violência. Uma sensação repulsiva, mortal.

Acabou?

Mesmo assim?

De novo?

Não… Lili… minha Lili…

Ela lutou com o que restava. Arranhou. Chutou. Inútil. O braço dele não cedia. Só apertava mais.

O mundo começou a girar. Escurecer. Os sons se afastaram.

No último instante antes de perder a consciência—

“BANG!!!”

Um estrondo brutal veio da porta.

Muito mais forte que qualquer impacto anterior.

A porta antiga explodiu para dentro. Madeira voando. O batente cedendo.

Uma luz forte invadiu a sala.

E uma voz—

Autoritária.

Cortante.

Como um trovão:

“POLÍCIA! NÃO SE MEXA! LARGA ELA AGORA!”

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