《Após renascer, usei a razão para proteger a minha filha.》Capítulo 12

Everton ficou parado alguns segundos, inclinado, escutando.

Além da própria respiração, um pouco pesada, o apartamento estava em silêncio absoluto.

Ele franziu a testa, uma hesitação passou pelo rosto, mas quando seu olhar voltou para a porta fechada do quarto de Lili, essa hesitação foi substituída por um desejo mais forte e por uma irritação ofendida.

“Merda… que azar.” ele murmurou, como se convencesse a si mesmo de que aquilo não passava de um pequeno imprevisto.

Não deu mais atenção ao esconderijo, virou-se novamente para a janela e empurrou o caixilho.

O alumínio velho rangeu, seco e áspero.

A janela se abriu um pouco mais, e o vento frio do entardecer entrou, trazendo consigo o cheiro de poeira da rua.

A mente de Erika girava em alta velocidade dentro de um gelo de medo. Ele vai pela janela.

Se subir naquela saliência estreita e chegar até a janela de Lili… a janela está aberta!

Com o tamanho dele e aquela brutalidade, ele pode forçar, arrombar, entrar!

E então Lili estará completamente exposta, enquanto ela mesma continua presa naquele maldito vão!

Isso não pode acontecer.

A razão gritava: espere a polícia! Eles estão chegando! Fique escondida, grave, junte provas!

Mas o instinto rugia: proteja! Agora! Imediatamente!

Quando Everton já tinha uma perna apoiada no parapeito, tentando empurrar o corpo pesado para fora, um som veio do quarto — um “tcham” abafado, como uma cadeira caindo, seguido de um suspiro trêmulo, com choro contido.

Foi leve, mas naquele silêncio, soou como um trovão.

Everton congelou. Recolheu a perna, virou-se, e o último traço de dúvida no rosto foi substituído por um sorriso excitado e cruel.

Desistiu da janela e caminhou em direção à porta do quarto.

“Ah, então você ficou com medo, né?” ele lambeu os lábios, os olhos brilhando de forma repugnante.

“Calma, o tio vai entrar e brincar com você.”

Ele não tentou mais a maçaneta. Deu dois passos para trás, puxou o ar e lançou o ombro contra a porta.

“BANG!”

A porta fina tremeu violentamente. Poeira caiu do batente. A fechadura gemeu, mas resistiu.

“BANG!” outra vez.

A vibração passou pela parede e chegou até Erika, colada à superfície fria. Cada impacto parecia bater diretamente no coração dela.

Ela conseguia imaginar Lili do outro lado, encolhida num canto, tapando os ouvidos, os olhos cheios de lágrimas, encarando a porta prestes a ceder…

Cadê a polícia?! Por que ainda não chegaram?!

Já passaram três minutos!

Não — talvez só dois, mas parecem uma eternidade!

“Lili! Fica na porta! Não abre!”

Erika não conseguiu mais se esconder. Saiu do vão, correndo, a voz rouca e distorcida pela raiva e pelo medo.

Everton parou imediatamente.

Virou-se devagar.

Ao ver Erika no meio da sala, pálida como papel, tremendo sem controle, ficou imóvel por um instante — depois, a expressão se contorceu com uma fúria violenta, como se tivesse sido enganado.

“Erika?” a voz saiu entre os dentes, carregada de incredulidade e raiva.

“Você não ia pro cinema?! Que porra você tá fazendo aqui?!”

O olhar dele deslizou sobre ela como uma cobra, e parou no celular que ela segurava, ainda aceso.

Os olhos se estreitaram, escurecendo.

Erika forçou a coluna a se manter reta, embora as pernas quase não sustentassem o corpo.

A mão direita, com o celular, ficou ao lado do corpo; os dedos se moveram discretamente, tentando parar a gravação e salvar — já tinha o suficiente, ele batendo na porta e tentando invadir, precisava preservar aquilo.

Ao mesmo tempo, a mão esquerda deslizou para o bolso de trás, onde estavam as chaves.

No chaveiro havia um pequeno apito metálico, duro, desses distribuídos pelo bairro para defesa pessoal.

“Eu mudei de ideia.” a voz dela saiu baixa, fria, apesar do tremor.

“Everton, sai da minha casa. Agora.”

“Sair?” ele riu, como se fosse absurdo.

Deu um passo à frente, o corpo grande impondo pressão, o cheiro de suor e colônia barata avançando junto.

“Isso aqui é sua casa? Erika, para de fingir. Você sabe muito bem por que eu tô aqui. Ou…” ele lançou outro olhar para a porta do quarto, sorrindo de forma suja,

“você quer brincar junto?”

Essa frase foi como romper uma barragem.

Todo o medo, dor, humilhação e destruição, de antes e de agora, explodiram de uma vez.

“Seu animal!” ela gritou, aguda, cortante. “Encosta na minha filha e eu te mato!”

No instante em que falou, ela soube.

Erro.

Não fazia parte do plano.

Aquilo só iria provocá-lo.

E provocou.

O rosto dele escureceu completamente.

O último vestígio de paciência desapareceu.

“Me matar? Você?” ele riu, frio. Deu um passo largo à frente e avançou, a mão indo direto para o celular dela.

“Me dá essa merda de celular! O que você tá filmando?!”

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