"Uma gatinha?" Os olhos grandes de Zara ficaram sérios. Ela aconselhou Rafael com cuidado: "Tio Rafael, precisa tomar a vacina antirrábica rápido. Mesmo mordida de gatinho precisa!"
Rafael torceu o canto da boca, lançou um olhar provocador para Serena e disse para Zara: "Tá bom. A mamãe de vocês é médica, ela me aplica."
Zara ia continuar, mas um braço apareceu do lado e cobriu a boquinha dela com carinho.
Henrique olhou para Serena com uma expectativa que ele tentava disfarçar, e mudou de assunto meio sem jeito:
"Papai volta quando?"
Rafael sabia perfeitamente o que o filho estava fazendo.
Ele estava perguntando para Henrique, mas na verdade estava perguntando para Serena.
"Amanhã à tarde." Rafael disse. "Dormiu bem?"
"Dormiu." Henrique respondeu. "Dona Marta derrubou o incenso sem querer, mas Zarinha me ajudou a fazer de novo."
Ele mesmo ficou impressionado com a habilidade da irmã em cheiros.
Como Zara tinha o equilíbrio comprometido, ela foi cheirando e dando as orientações em voz alta enquanto ele misturava com as mãos.
E o resultado final ficou exatamente idêntico ao incenso de Serena. A mesma fragrância, sem diferença alguma.
"Zarinha é incrível. Quando preparo remédios, ela sempre fica do meu lado me ajudando." Serena disse.
A menina ficou toda corada de orgulho, os olhos virando duas luas crescentes.
Rafael olhou para ela e teve uma sensação estranha, como se algo naquele sorriso lembrasse a avó dele.
Especialmente quando ria assim, a semelhança era surpreendente.
Pena que no dia em que Serena entrou no instituto, a avó tinha saído numa viagem espontânea com as amigas, e ainda não tinha voltado.
Do contrário, ele levaria Zara para a avó, que com certeza adoraria.
Ele afastou aquele pensamento absurdo que surgiu sem aviso, fez algumas recomendações a mais para Henrique e encerrou a chamada.
Serena percebeu: "O que você veio fazer no meu quarto?"
Rafael começou a desabotoar a camisa com toda a naturalidade: "Vou tomar banho primeiro."
Serena pressionou a mão dele: "Vai fazer isso em outro lugar!"
Rafael tinha três botões abertos, deixando a metade do peito à mostra.
Com uma das mãos apoiada ao lado dela, a outra se estendeu e tirou o Fogo do Centro da Terra das mãos dela.
"Está vendo?" Ele a olhou de soslaio. "Do jeito que você está, mal consegue se segurar. Como vai proteger isso?"
A expressão de Serena ficou levemente séria.
Era verdade. Naquele estado, num país estranho cheio de interesses cruzados, ela não conseguiria.
"Guarda pra mim. Me entrega quando chegarmos de volta ao instituto." Ela disse.
"Tudo bem. Vou proteger 24 horas por dia, com dedicação exclusiva."
Rafael disse isso, segurou os ombros de Serena e a girou levemente na direção da porta do banheiro, empurrando com suavidade para fora.
"Ei, você..." Serena virou a cabeça.
Rafael simplesmente largou os braços: "Então quer tomar banho junto?"
Serena ficou furiosa, foi embora e bateu a porta.
Ficou com a imagem do peito de Rafael na frente dos olhos.
A pele de linhas definidas com uma marca fininha de sutura quase invisível se não prestasse atenção.
Ela e o seu perfeccionismo. Tinha exigido que a cicatriz sumisse sem deixar rastro.
Se soubesse, tinha bordado uma tartaruga lá dentro.
Com toda aquela agitação, Serena voltou a ficar sem forças.
O barulho do banho daquele homem era como uma música de ninar, e ela adormecer sem perceber.
Rafael saiu com o cabelo ainda úmido e encontrou a mulher no sofá enrolada num volume pequeno, dormindo fundo.
Nem coberta ela tinha colocado.
Ele foi até ela com um suspiro leve, a levantou com cuidado e a deitou na cama.
Colocou o Fogo do Centro da Terra ao lado do travesseiro dela, e fez uma ligação: "Quarto 5302. Fique atento ao corredor."
Desligou, deitou.
O lençol era escorregadio, e quando o peso dele afundou no colchão, o travesseiro inclinou levemente, e Serena rolou diretamente para dentro dos braços dele.