Com o som da porta se fechando, o quarto ficou em silêncio.
Rafael verificou a fechadura do banheiro, e então virou e voltou para o quarto.
Pegou uma caneta da escrivaninha, desmontou, esticou a mola e enfiou na fechadura.
Três segundos depois, a porta abriu.
Serena olhou para o homem que entrou e ficou levemente irritada consigo mesma.
Como tinha esquecido que, sendo o líder do Salvation, abrir fechadura era coisa de criança para ele?
Ela se virou, deixando as costas para ele.
No segundo seguinte, um braço veio por trás e a envolveu. Rafael a puxou para o próprio peito.
O queixo dele descansou no alto da cabeça dela: "Ficou com raiva?"
Serena não respondeu. Tentou se soltar, mas não tinha força.
"Só observei que você estava com muito sono, e ela de fato tem uma competência acadêmica notável." Rafael disse.
Serena não conseguiu mais segurar: "Então tá ótimo. Aquele problema seu, manda ela resolver!"
Rafael ia dizer algo quando uma ideia piscou na cabeça dele.
Ele virou Serena de frente para ele, e os cantos da boca se curvaram numa satisfação que ele não disfarçou:
"Então eu vou falar com ela de verdade? Você não vai se importar?"
Serena soltou uma risada irônica: "Não preciso do seu dinheiro de consulta. Passa a sua conta bancária, eu te devolvo os trezentos milhões."
O sorriso de Rafael ficou mais fundo: "Com ciúme?"
"Não exagera no narcisismo..."
A frase não terminou, porque os lábios dela foram cobertos.
Rafael com uma mão prendeu a cintura dela e com a outra sustentou a nuca, e aproveitando que ela estava falando, fez o que queria.
Ele foi com uma força direta e sem rodeios, esvaziando todo o ar que havia nela.
Por instinto ela foi empurrá-lo, e as palmas das mãos pousaram no peito dele, sentindo o coração batendo através da camisa.
Ele pareceu achar incômodo ficar curvado assim por tanto tempo, e simplesmente passou o braço por baixo dela, a levantou e a depositou na bancada do banheiro.
Ele a prensou contra o espelho iluminado, e as luzes de cristal do teto, refletidas no espelho, deixaram os dois envoltos numa auréola de luz.
No meio daquela batida de coração acelerada e intensa, os dedos de Rafael foram subindo pela espinha de Serena centímetro a centímetro.
As pontas dos dedos dele pareciam ter uma temperatura mais alta que a pele dela, aquecendo-a por onde passavam.
Por fim, os dedos deslizaram pelo pescoço dela e pousaram na bochecha.
Ele recuou levemente, a distância entre os dois saindo de zero para dois centímetros.
Os dedos de Rafael pousaram na pintinha vermelha no canto do olho de Serena, os dedos compridos como se estivessem tocando um instrumento.
A garganta dele se moveu, os olhos escuros, a voz rouca:
"Só posso me tratar com você. Porque ele só responde pra você."
Naquele instante, Serena sentiu claramente a mudança no corpo de Rafael.
A respiração dela ainda estava irregular do beijo. A voz saiu irritada mesmo assim:
"Meus pacientes têm que me escolher como primeira opção, não como último recurso. Então você está eliminado."
"Não estou." Rafael disse: "O pagamento já foi feito. É o Fogo do Centro da Terra que você tem na mão."
Ele a olhou com aquele jeito de quem já decidiu o resultado:
"E além disso, você me declarou na frente da Valentina. Eu ouvi tudo."
Serena abriu os olhos.
Rafael levantou uma sobrancelha: "Dizem que mulher gosta de dizer o contrário do que sente."
Serena estava prestes a descer e acertar nele quando o celular dela tocou. Era uma videochamada.
Rafael foi buscar o celular, viu que o nome na tela era
Zarinha
, e atendeu.
Na tela apareceram duas carinhas juntas.
Zara e Henrique sentados um do lado do outro, com um castelo de blocos na frente.
"Mamãe! Tio Rafael!" A voz fofa de Zara chegou pelo celular.
"Os bebês que montaram?" Serena viu os dois e qualquer resquício de raiva foi embora instantaneamente: "Que incrível!"
"Foi o irmão que ensinou Zarinha!" Zara falou devagar, apontando para o próprio canto da boca: "Tio Rafael, você tem marca de dentinho aqui. Por quê?"
Rafael respondeu sem mudar a expressão: "Foi uma gatinha que dorme demais, fica com ciúme de qualquer coisa e explode por nada."