"Quer ela?" Serena se levantou, pegou a caixinha de sândalo e foi brincando com ela entre os dedos, com um sorriso de quem está muito satisfeita consigo mesma: "Não quero vender não. É o primeiro presente que o meu Rafa me deu. Tem valor sentimental."
Ela não sabia se Valentina tinha sentimentos por Rafael, mas era uma boa oportunidade para testar.
Como esperado, o olhar de Valentina ficou imóvel por um instante.
Foi rápido. Mas Serena capturou.
Entre mulheres, algumas coisas se entendem sem precisar de palavras.
Serena achou graça. Rafael provavelmente não fazia ideia dos sentimentos de Valentina por ele.
E Valentina era orgulhosa demais para mostrar qualquer coisa de forma direta.
Bom. Se estava atrapalhando o sono dela, que ao menos a irritasse um pouco.
Especialmente porque aquela mulher tinha custado a ela um dinheiro absurdo. Trezentos milhões que ela ainda precisava devolver para Rafael.
Serena tinha o hábito de saldar as contas, sempre. Ela abriu um sorriso de inocência calculada:
"Valentina, por curiosidade, por que você continua no instituto? Você poderia estar na Aliança Médica, onde teria muito mais projeção. Fica aqui porque tem alguém especial por perto?"
O corpo de Valentina tremeu levemente.
Ela detestava conversar com esse tipo de mulher, mas a própria criação mandava que ela se mantivesse elegante em qualquer circunstância.
Ela puxou o assunto de volta à força: "Preciso do Fogo do Centro da Terra. Se não quer dinheiro, posso oferecer outra coisa."
Vendo Serena com aquela expressão de quem está ouvindo com interesse genuíno, ela continuou:
"Posso te apresentar pessoas da alta hierarquia da Aliança Médica. Até da sede central. E isso, sendo uma farmacologista comum no instituto, você nunca alcançaria por conta própria."
Conexões valem mais do que dinheiro. Se essa mulher não aceitasse, era simplesmente burra demais.
"Você quer me ajudar a subir na vida?" Serena fez a cara de quem estava sendo seduzida pela proposta.
Valentina desprezou por dentro, mas manteve a expressão: "Você deve saber o peso do nome Viana e do que a nossa família representa."
Serena respondeu com um sorriso radiante, acenando com a mão:
"Ah, não precisa não. Não tenho ambição de subir. Quero é ficar no instituto, do lado do meu Rafa!"
Valentina ficou com uma expressão que ela mesma teria dificuldade de nomear.
Naquele momento, um clique veio da porta.
Serena virou a cabeça. Rafael tinha entrado.
No instante em que entrou, ele ouviu Serena dizer que queria ficar do lado dele.
Os cantos da boca se curvaram por conta própria.
Aquela mulherzinha. No dia a dia ficava com aquele jeito de não ligar para nada.
Mas conversando com outra pessoa era assim, toda aberta.
E chamou ele de
Rafa
?
A garganta de Rafael se moveu, e a voz saiu um pouco mais rouca: "Esse hotel é meu, por que eu não teria cartão? E você deixou a porta aberta."
Ele disse isso e caminhou para dentro.
Do ângulo da porta não dava para ver Valentina. Só quando se aproximou ele percebeu que ela estava parada perto da mesinha.
Então Serena não estava ao telefone. Estava falando com Valentina.
Valentina, ao ver Rafael aparecer, recuperou a compostura na hora.
Esboçou aquele sorriso calibrado: "Rafael, boa noite."
Serena ouviu aquele cumprimento e não conseguiu segurar um riso.
Valentina com aquela postura de estátua o tempo todo... qual homem ia aguentar?
Homem quer esposa, não santa de altar.
Ela sentiu uma vontade quase irresistível de ensinar Valentina a conquistar alguém.
Mas Rafael, depois de cumprimentar Valentina, pousou o olhar em Serena.
Ele beliscou levemente o cabelo ainda úmido dela e perguntou com toda a naturalidade: "O que foi essa risada?"
"Te conto depois." Serena piscou para Rafael com aquele jeito levinho, e então mostrou o cronômetro do celular para Valentina: "O tempo acabou. Valentina, quer mais minutos?"