Valentina costumava ter muita paciência. Em muitos experimentos, ela repetia o processo vezes e mais vezes até atingir a perfeição.
Mas agora, sem nenhuma resposta de Serena, a paciência começou a se desgastar.
Mais cinco minutos. Ela franziu levemente o cenho e ligou para Serena.
A chamada tocou oito vezes antes de ser atendida.
Do outro lado chegou uma voz ligeiramente preguiçosa: "Quem é?"
"Sou Valentina Viana." A voz de Valentina era neutra: "Quanto tempo mais a senhorita Thea precisa para se preparar?"
Serena bocejou: "O quê?"
Valentina segurou a irritação com delicadeza: "Você deve ter visto a mensagem. Estou esperando há vinte e cinco minutos. Meu tempo é bastante valioso."
Serena não conseguiu segurar o riso ao ouvir aquilo. Respondeu com toda a leveza:
"Ah, então aquela mensagem não era spam?"
Valentina engasgou. A frase ficou presa bem no meio da garganta.
Mas ela manteve a compostura de moça bem educada: "Então, você pode descer agora?"
"Não posso." Serena disse. "Vou dormir. E estou ocupada. Se quiser me ver, marque hora com antecedência."
Valentina finalmente começou a perder o fio da meada. Ela se levantou: "Tudo bem, então eu mesma vou ao seu quarto."
E desligou.
Serena estava passando hidratante no rosto. Nem olhou para o celular. Ficou dando leves tapinhas nas bochechas diante do espelho.
A pele dela era boa, especialmente depois do banho, com um rosado suave nas maçãs do rosto, como se tivesse um brilho de dentro para fora.
O medicamento tinha chegado às mãos. Quando voltasse para a cidade, ela precisava se fechar para preparar o composto.
Nesse próximo ano, pelo menos ela voltaria ao estado de antes.
Naquele momento bateram na porta.
Serena levantou uma sobrancelha e foi abrir.
Valentina apareceu na porta impecável, nem um fio de cabelo fora do lugar, como se estivesse pronta para uma festa.
Serena estava com o roupão largo do hotel, o cabelo solto, e uma preguiça absoluta no rosto.
"Conversar comigo é caro." Serena disse com aquela calma dela: "Dez mil por minuto. Quantos minutos você quer marcar, Valentina?"
Valentina nunca tinha encontrado nada parecido com aquela abordagem. O desprezo por Serena dentro dela subiu mais alguns degraus.
Aquela mulher, tirando a aparência, não tinha nada.
"Cinco minutos." Ela segurou a compostura com esforço.
Serena acenou, pegou o celular e abriu o QR Code de recebimento: "Paga primeiro. Obrigada."
Valentina ficou genuinamente admirada com a operação.
Respirou fundo, pegou o celular e transferiu cinquenta mil sem dizer uma palavra.
Serena abriu o cronômetro e balançou na frente de Valentina:
"Sou justa com todo mundo. Pode falar o motivo da visita."
Ela foi sentar no sofá e ficou esperando com os olhos levantados para Valentina.
Valentina ficou de pé diante do sofá, sem nenhuma intenção de sentar, como se algo ali não fosse do agrado dela.
O olhar varou o quarto, e ela encontrou a caixa de sândalo largada casualmente na escrivaninha do lado.
Um fogo subiu por dentro dela.
Serena tinha alguma ideia do valor do que estava ali dentro?
Um item tão raro, e ela estava deixando jogado daquele jeito. Para uma farmacologista, era o maior insulto possível.
"Vim falar sobre o Fogo do Centro da Terra." Valentina fez um esforço para se manter serena: "Me diz um valor. Quanto você aceita para me vender?"
Ela conhecia o jeito de Serena. Já tinha cobrado cinquenta mil por uma conversa.
Não sabia como Serena tinha convencido Rafael a arrematar aquilo por ela.
Mas se ela oferecesse cem milhões, mesmo com prejuízo, Serena com certeza toparia vender.
Afinal, os trezentos milhões tinham saído do bolso de Rafael.