A expressão de Serena era despreocupada, e o que ela disse soou absurdo demais. Rafael instintivamente achou que ela estava inventando.
Mesmo assim, sem razão aparente, aquela palavra "morrer" fez o peito dele dar uma trancada.
Ele ainda ia perguntar mais alguma coisa, quando ouviu uma respiração lenta e profunda ao lado da orelha.
A mulher no ombro dele tinha dormido.
Rafael ficou olhando para a cor levemente desbotada dos lábios de Serena, o cenho se fechando cada vez mais.
Ele estendeu o braço e a puxou, e ela foi toda parar no colo dele.
A respiração era constante, como a de alguém exausta de verdade.
O leilão continuou lá embaixo. Rafael tinha vindo com interesse em alguns medicamentos também, e foi arrematando um a um.
Pouco tempo depois, chegou o lote 27.
O leiloeiro anunciou: "A seguir, esta raiz de Fogo do Centro da Terra com duzentos anos de maturação. Lance inicial: vinte milhões! Incremento mínimo de um milhão por lance."
Todo mundo na sala entendia o que estava em jogo. Uma Fogo do Centro da Terra era um item que aparecia quando queria.
Em mais de dez anos de leilões da Aliança Médica, ela tinha aparecido só duas vezes.
A vez anterior era uma com apenas dez anos. Com duzentos anos, o valor era imensurável.
Mas havia um boato circulando: a T, uma figura lendária do canal público da Aliança, tinha reservado aquele lote.
A maioria suspirou e desistiu antes de tentar, contentando-se em tentar avistar como era aquela raridade.
Na cabine, Rafael abaixou o olhar para a mulher adormecida no colo dele. A expressão ficou difícil de ler.
Ele murmurou quase cerrrando os dentes: "Mulher, o pagamento pelo tratamento é esse Fogo do Centro da Terra."
Ele ia arrematar pra ela. Assim ela parava de ficar falando em "morrer".
Rafael levantou a plaqueta.
Vinte e um milhões.
Vinte e um milhões, uma vez.
Vinte e um milhões, duas vezes.
O leiloeiro ficou surpreso. Por que um item tão raro não estava tendo disputa?
A mesma dúvida na cabine ao lado.
Valentina virou para Renato: "Renato, descobre pra mim quem é o da cabine do lado."
Seria a própria T?
"É o Rafael Duarte." Renato sabia que Serena tinha vindo com Rafael.
"Por que seria ele?" Valentina sabia que Rafael definitivamente não era a T.
Foi então que o leiloeiro perguntou: "Vinte e um milhões, mais alguém?"
Valentina ouviu e levantou a plaqueta imediatamente.
Ela não sabia se Rafael tinha alguma relação com a T, mas como a T não tinha aparecido, ela podia considerar que a própria T tinha desistido.
"Vinte e dois milhões, uma vez!" O martelo caiu.
Rafael franziu o cenho na hora: "Trinta milhões."
Na cabine ao lado, Valentina ficou levemente sem jeito.
Ela pegou o celular e mandou uma mensagem para Rafael:
"Rafael, a T não veio. Você consegue deixar o Fogo do Centro da Terra pra mim? É crucial para um projeto de pesquisa meu."
Rafael sentiu o celular vibrar, pegou e leu.
Respondeu direto:
"Desculpa. Não posso."
Valentina leu a resposta, e a serenidade habitual não teve uma só rachadura.
Depois de levantar a plaqueta, ela respondeu:
"Rafael, esse projeto também vai ajudar bastante o nosso instituto a ganhar visibilidade junto à sede da Aliança."
Rafael deixou sua resposta em ação:
Trinta e cinco milhões.
A disputa entre os dois começou a atrair a atenção dos outros participantes.
Alguns começaram a entrar na briga com lances tentando testar os limites.
Cada vez mais placas levantadas, o salão virou um campo de batalha.
Serena dormia no colo de Rafael, completamente alheia ao fato de que o medicamento que precisava para sobreviver estava no centro de uma guerra de lances.
Quarenta milhões.
Cinquenta milhões.
Rafael olhou para o martelo caindo repetidamente nas mãos do leiloeiro, e a paciência chegou ao fim.
Ele disse direto: "Cem milhões."