Serena ficou irritada consigo mesma. Não devia ter falado nada com Rafael.
Ela foi sentar no sofá, serviu uma xícara de chá e ficou tomando aos goles enquanto pensava no problema de Lin Qinglan.
A ordem de caçada não tinha prazo. Lin não podia passar a vida fugindo.
A menos que, como ela mesma tinha feito, fingisse a própria morte...
Foi então que vozes do lado de fora interromperam o pensamento:
"Renato, me acompanha a uma festa amanhã? Não tenho acompanhante..."
"Claro, com prazer."
"Renato é o melhor! O comandante mais bonito do mundo!"
Em seguida, o som da porta da cabine ao lado se fechando.
Serena levantou uma sobrancelha. Os dois irmãos ficaram na cabine do lado?
Logo em seguida o leilão começou.
Serena já tinha visto a lista com antecedência. O único lote que ela precisava a qualquer custo era o número 27.
Calculando pelo tempo do leilão, ainda faltava cerca de uma hora.
Ela foi ouvindo as disputas lá embaixo, e sentiu a cabeça começando a pesar devagar.
Aquela sensação era conhecida demais. Serena respirou fundo com esforço, tentando conter o sangue que queria subir.
Mas acabou se superestimando.
Ela se levantou, disse rapidamente para Rafael que ia ao banheiro, e saiu.
No corredor, perdeu o controle e uma quantidade de sangue saiu pela boca.
Serena cobriu a boca com a mão, se apoiou na parede e foi tentando estabilizar a visão que escurecia em ondas.
Um sorriso amargo escapou de dentro dela. O corpo estava pior do que ela tinha previsto.
Se não conseguisse o medicamento hoje, ela provavelmente não aguentaria mais de um mês.
E mesmo com ele, talvez não fossem mais do que mais seis meses a um ano.
No momento em que a consciência estava prestes a sair, Serena sentiu um braço a amparar.
Depois, uma voz masculina agradável chegou: "Senhorita, está se sentindo mal? Posso chamar um médico?"
Serena virou devagar. A visão ainda embaçada pousou num homem alto e de feições marcadas.
Era Renato Viana.
Ele tinha acabado de notar o vermelho no canto da boca dela e já estava pegando o celular para chamar uma ambulância.
Serena estendeu a mão sem força e segurou o gesto dele.
A voz saiu fraca: "Estou bem. Você pode me ajudar a chegar ao banheiro?"
Renato ficou preocupado: "Tem certeza que está bem? Aqui tem bastante gente da área médica, ou posso chamar minha irmã para dar uma olhada..."
"Eu também sou da área médica." Serena esboçou um sorriso: "Conheço minha situação."
Renato viu que ela insistia e acenou: "Tudo bem."
Ele a amparou até o banheiro, esperou do lado de fora enquanto ela se arrumava, e depois a levou até a porta da cabine de Rafael.
"Obrigada, Sr. Viana." Serena disse.
"Não há de quê. Se precisar de qualquer coisa, é só avisar." Renato respondeu com toda a elegância.
"Obrigada." Serena acenou, abriu a porta da cabine e entrou.
Foi sentar no sofá, mas já não tinha forças para aguentar até o lote 27 ser leiloado.
"Sr. Duarte, pode me fazer um favor?" Serena disse.
"Fala." Rafael olhou para o rosto levemente pálido de Serena. A dúvida de novo. Ele precisava encontrar alguém para examiná-la.
"O lote 27, você consegue arrematar por mim?" Serena disse.
Rafael franziu o cenho: "Não dá."
Aquele lote havia sido reservado publicamente pelo canal da T. Ele queria recrutar T fazia tempo, e não queria disputar com ela nada.
Mas Serena insistiu: "É muito importante pra mim. Preciso desse lote."
Rafael travou o olhar nos olhos dela: "Por quê?" Ele precisava de um motivo.
Serena estava sem energia. Recostou a cabeça no ombro de Rafael.
Com aquele tom meio de brincadeira, ela disse: "E se eu disser que sem ele vou morrer, isso é motivo suficiente?"