Rafael ficou paralisado por um instante, e por dentro veio uma alegria que ele nem esperava.
Só que essa alegria durou exatamente um segundo antes de ser substituída pela raiva.
Então aquela mulher tinha feito de propósito?
Sabia que ele estava raivoso e equivocado, ficou calada a viagem toda, e só agora resolveu mostrar o resultado?
Ele estreitou os olhos. A mão foi direto para a cintura dela, e o olhar estava carregado de tempestade: "Serena Viana, você merece uma lição."
Serena não tinha o menor medo: "Quero ver como o Sr. Duarte dá essa lição."
"O jeito de um homem lidar com uma mulher, o que você acha que é?" Os olhos de Rafael tinham um aviso perigoso.
"Mas eu me lembro que o Sr. Duarte não consegue..."
A palavra não saiu, porque a nuca de Serena foi pressionada pela mão de Rafael, e ele cobriu os lábios dela sem cerimônia.
Num instante, o homem avançou como uma tempestade, varrendo tudo no espaço pequeno que era o dela.
Serena tinha descansado no avião, mas a viagem toda mesmo assim tinha deixado um cansaço acumulado.
E aquele homem, que não precisava mais morder para se compensar, tinha uma habilidade que só tinha melhorado.
Então ela sentiu o ar ser roubado, os lábios dormente, a cabeça girando.
Sem forças para reagir direito, qualquer tentativa de resistência saía parecendo dengue.
Rafael ficou satisfeito. Os dedos foram pelo cabelo dela e ele aprofundou o beijo.
Com o doce se espalhando entre os dois, a última fagulha de raiva dentro dele foi se apagando.
Então recuou levemente, a voz saindo mais rouca: "Se quiser mais, a gente continua no hotel."
Serena ficou indignada e lançou um olhar fulminante para ele.
Só que sem forças, e com os olhos levemente úmidos, ficou parecendo mais uma gatinha dando uma garradinha do que qualquer coisa assustadora.
Rafael olhou para aquele rostinho no colo dele, abaixou a cabeça e beijou a pintinha vermelha no canto do olho dela.
Quando levantou a cabeça, viu que todas as mulheres ao redor estavam olhando para eles, e alguns acompanhantes masculinos estavam com os olhos presos em Serena.
O olhar de Rafael esfriou num instante, e algo implacável começou a irradiar dele.
Um homem acostumado ao campo de batalha, com a presença toda liberada, fez a sala de espera inteira prender a respiração.
Ele prensou o rosto de Serena contra o próprio peito, sem deixar nenhuma linha do rosto dela aparecer, e caminhou com ela até o elevador.
O que sobrou para os outros verem foi só a cabeleira comprida de Serena e duas pernas compridas e elegantes.
Quando a porta do elevador fechou, Rafael a colocou no chão.
Maldição, a ferida ainda não tinha cicatrizado completamente, e segurar ela por um tempo já tinha doído.
"Em público, não me provoca." Rafael disse para Serena.
Serena estava com uma vontade imensa de xingar: "Foi você que perdeu o controle sem hora nem lugar!"
"Ah." Rafael levantou uma sobrancelha. "Então você está na segunda metade do ciclo?"
Serena abriu os olhos arregalados. Ele estava insinuando que ela era uma cadela?
Porque cadelas na segunda metade do ciclo entram no cio e emitem um cheiro que atrai os machos.
"Hm, somos dois."
Rafael ficou satisfeito: "Então você está me elogiando?"
Serena decidiu que não valia a pena continuar aquela conversa.
No dia seguinte, o leilão acontecia no Palácio Felo.
Serena e Rafael foram direto para a cabine privativa no terceiro andar.
Só quando entrou Serena percebeu que a cabine tinha sido decorada especialmente para Rafael.
Havia o chá que ele bebia, e até as almofadas do sofá eram do mesmo modelo que ele tinha em casa.
Ela olhou para ele ao lado, curiosa: "Sr. Duarte, você vinha a esse leilão todo ano?"
Por que ela nunca tinha prestado atenção antes?
"Ah, antes eu mandava o assistente." Rafael la olhando para Serena com aquele sorriso que não era bem um sorriso: "Esse ano vim pessoalmente pela primeira vez, especialmente para te acompanhar. Não se sente honrada?"