Fazer com que eu me demitisse era a última missão que o Sistema havia designado para Bianca.
No entanto, quando eu anunciei apenas a suspensão do meu cargo, o Sistema interpretou que ela havia falhado na missão.
Como punição imediata, drenou uma parte considerável de sua vitalidade e beleza, e foi por isso que ela desmaiou.
Mas a situação na empresa era crítica demais para delicadezas.
Ninguém a levou ao hospital; em vez disso, apertaram seus pontos de pressão e jogaram água em seu rosto, forçando-a a acordar para que assumisse o cargo e resolvesse o problema que ela mesma prometera solucionar.
Em questão de poucos minutos, Bianca parecia ter envelhecido anos.
Ela começou a puxar os próprios cabelos, em um surto psicótico, gritando e balançando a cabeça:
"Eu não sei! Não me procurem! Deixem-me em paz!"
"Eu errei! Eu não sei ler tarô de verdade! Foi tudo trapaça!"
"Por favor, imploro que me deixem ir!"
As pessoas ao redor, sentindo-se enganadas, não tiveram piedade:
"O quê?! Você mesma encheu a boca para dizer que era vidente, que ia salvar a empresa, e agora nega tudo?"
"Você nos fez de palhaços, Bianca?! Isso não tem a menor graça!"
Bianca gaguejava, tentando uma defesa vã: "Não! Eu não disse... eu não queria dizer isso!"
Eu observava aquele espetáculo de loucura no meio da multidão com um sorriso irônico.
Ao ouvir meu riso, ela subitamente virou o rosto para mim e começou a se arrastar pelo chão, gritando:
"Foi você! Você sabe de tudo, não sabe?!"
"Você me armou uma emboscada de propósito! Por quê?! Por que fez isso comigo?!"
Ninguém ali entendia o motivo daquele surto repentino, exceto eu.
Bianca estava certa: a falha da missão dela tinha tudo a ver comigo.
Isso porque eu havia hackeado a lógica daquela entidade e vinculado o Sistema a mim.
Agora, ela estava destinada a perder.
Mas, diante de todos, mantive minha máscara de confusão e perguntei com falsa inocência:
"Do que você está falando? Não entendo nada."
"Você afirmou que, se eu saísse, resolveria a crise. Agora diz que eu te armei uma emboscada? O que exatamente eu teria feito contra você?"
Os acionistas, perdendo completamente a paciência, rosnaram para ela:
"Dê um jeito nisso agora ou caia fora da empresa!"
Bianca estremeceu e, quando abriu a boca para se defender, as palavras saíram em um tom confessional e desesperado, como se ela tivesse perdido o filtro entre o pensamento e a fala:
"Eu não vou embora! Por que eu deveria ir?!"
Ela tentava tapar a própria boca, mas seu corpo não obedecia, e a verdade jorrava:
"Eu me esforcei tanto para adulterar os dados! Eu mesma vazei o projeto para a empresa concorrente para que eles nos acusassem de plágio primeiro! Tudo para incriminar a Helena e fazer com que ela fosse escorraçada! Eu não posso falhar agora!"
"Quem tem que sumir é a Helena!"
Um silêncio sepulcral tomou a sala. Todos prenderam a respiração em choque.
Apenas eu permaneci calma.
"Bianca... para tentar me derrubar, você chegou ao ponto de cometer crimes?"
"Adulteração de dados, roubo de propriedade intelectual... cada uma dessas coisas é suficiente para te mandar para a cadeia."
Ela, incapaz de controlar a própria língua sob o comando do meu novo Sistema, continuou berrando:
"E daí?! Se for para te destruir e completar minha missão, eu faço qualquer coisa!"
Era o suficiente.
Eu não pretendia revelar a existência do "Sistema" para ninguém, então ordenei mentalmente que o controle sobre ela fosse liberado.
Bianca desabou no chão, com o rosto cinzento, ofegante como se estivesse morrendo.
A expressão de todos os colegas ficou lívida de fúria.
"Então você nunca soube ler tarô! Tudo o que disse sobre salvar a empresa era mentira!"
"Sua víbora! Para queimar a imagem da Diretora Helena, você ousou brincar com a vida de todos nós!"
Bianca estava em estado de choque, sentada no chão sem reagir, enquanto os colegas, enfurecidos, começaram a avançar sobre ela.
Pegaram aquele baralho de tarô e começaram a rasgar as cartas uma a uma, jogando os pedaços em seu rosto.
A cada carta rasgada, Bianca soltava um grito de agonia profunda, e uma nova pústula inflamada surgia em sua pele.
Aquele baralho era o item que o Sistema lhe dera, vinculado diretamente à sua vida e beleza.
Quando as 78 cartas foram totalmente destruídas, ela mal conseguia se mexer.
Sem o suporte do Sistema, ela não tinha mais nada daquela beleza radiante de antes.
Ao verem seu rosto coberto de marcas e manchas, os colegas explodiram em risadas cruéis.
"Então é assim que você é de verdade? Que horror!"
"A feiura de dentro finalmente saiu para fora! Que nojo! Tivemos olhos para ver beleza nisso? Credo!"
Bianca não aguentou o desprezo. Escondeu o rosto com as mãos e soltou um grito agudo.
"Não olhem para mim! Parem de olhar!"
Em um ato de desespero, ela empurrou as pessoas ao redor e saiu correndo, tropeçando em pânico.
Mas, para ela, o acerto de contas estava apenas começando.