No dia seguinte, assumi oficialmente o meu cargo na diretoria.
Vanessa Rocha trouxe de volta o projeto que eu mesma havia elaborado com tanto esforço. Com um sorriso servil e curvando-se em desculpas, ela disse que tinha sido "cegada pela ganância".
"Diretora Helena, a senhora pode ficar tranquila! Pessoas como a Bianca Ferreira não terão vida fácil aqui, nós vamos garantir isso!"
Observei aquela encenação de falsa justiça e franzi o cenho.
Bianca certamente nutria maldade contra mim, mas Vanessa não ficava atrás.
Lembrei-me de quando escondi minha identidade e pedi ao Sr. Augusto para me infiltrar na empresa como uma funcionária comum.
Foi assim que conheci Vanessa.
No começo, ela era extremamente solícita; trazia lanches, docinhos e mimos para me "conquistar".
Com o tempo, ela abandonou o teatro e começou a me sobrecarregar com as tarefas dela. Muitas vezes, os projetos que eu passava noites em claro fazendo eram alterados por ela — ficando um lixo — e entregues com o nome dela no topo.
E ela ainda me dizia com um sorriso cínico:
"Querida, faço isso para o seu próprio bem. Você é novata, não sabe que se destacar demais no início atrai inveja. É perigoso."
"Aprenda comigo, vá devagar... eu nunca te prejudicaria."
No entanto, como alguém que viveu anos no meio acadêmico, eu sabia muito bem que "cobras" como Vanessa são o tipo mais perigoso de colega.
Bastava uma contrariedade para ela mostrar as garras.
Se a empresa não fosse da minha família e o Grupo Paiva não fosse tão poderoso, será que ela estaria se desculpando de forma tão submissa agora?
Jamais.
Pessoas medíocres e manipuladoras como ela precisam ser descartadas o quanto antes.
Enquanto eu pensava em uma justificativa elegante para demiti-la, a oportunidade caiu do céu.
À tarde, o RH me informou que Vanessa e Bianca haviam saído no tapa.
Fui ver a confusão por pura curiosidade e as encontrei atracadas pelos cabelos. Descobri que Bianca tentou roubar um projeto do computador da Vanessa e foi pega no flagra.
Ao me ver chegar, os gritos da Vanessa ficaram ainda mais histéricos:
"Sua rata! Sempre querendo roubar o trabalho dos outros! Você devia se enxergar!"
"Achou que no meu computador ainda tinham os arquivos da Diretora Helena?"
"Pois saiba que eu já devolvi tudo para ela pessoalmente!"
Bianca estava paralisada, tentando uma desculpa esfarrapada entre dentes:
"Não é isso! Você entendeu tudo errado, Vane! Eu só... vi que o computador estava ligado e quis desligar para economizar energia.
Foi por boa vontade!"
"Sua mentirosa!"
Vanessa a puxou pelos cabelos e descarregou vários tapas, deixando o rosto de Bianca inchado e vermelho.
"Quem você acha que vai acreditar nessa história?"
"Você queria roubar dados sigilosos! Confessa: você é espiã de alguma empresa concorrente?"
Bianca chorava e negava tudo, fazendo-se de vítima. Alguns colegas, notando que eu não demonstrava nenhuma reação, tentaram intervir:
"Deixa para lá, Vanessa. Ela acabou de ser perdoada pela diretora, não seria tão burra. Deve ter sido um mal-entendido."
"É verdade! E a Bia... bem, ela já provou que não entende nada de relatórios. Como ela conseguiria roubar um projeto técnico?"
Com a pressão dos outros, Vanessa foi obrigada a parar.
Mas, como ela causou desordem e perturbou o ambiente corporativo, precisava de uma punição. Aproveitei a chance e ordenei ao RH que a suspendesse imediatamente.
Quanto tempo duraria a suspensão? Isso dependeria exclusivamente do meu humor.
Assim que Vanessa saiu, Bianca pareceu recuperar as energias e veio saltitante até mim. Acompanhada de um pequeno grupo, ela me pediu desculpas com um tom que soava extremamente sincero:
"Sinto muito, Diretora Helena. Minhas técnicas falharam e acabei usando previsões equivocadas para caluniar a senhora..."
"Por favor, tenha um coração generoso e me perdoe desta vez!"