Hoje em dia, o assédio moral no trabalho é comum, mas eu nunca imaginei que aconteceria comigo.
Logo após a Bia me declarar "guerra", fui completamente isolada por toda a equipe.
Reuniões sem o meu nome na lista, almoços de grupo onde ninguém me chamava e, sistematicamente, me empurravam para fora da área central, me deixando com tarefas irrelevantes de logística, como trocar o galão de água.
Eu estava sufocada de raiva, mas não ia me dar por vencida; bati o pé e decidi bater de frente com todos.
O dono da empresa é um homem de confiança do meu pai e sabe da minha verdadeira identidade, por isso ele sempre me tratou com total respeito.
Quando soube da minha situação, ele ficou furioso e quis demitir a Vanessa e a Bia na mesma hora.
Eu o impedi rapidamente.
"Ainda não é o momento."
Eu já havia descoberto como funcionava a suposta capacidade de previsão da Bianca. Se eu não a desmascarasse publicamente, o nó na minha garganta não desapareceria.
Com isso em mente, dei algumas instruções ao Sr. Augusto para que ele me ajudasse a montar uma armadilha para a Vanessa e a Bia.
Naquela tarde, durante a reunião, o diretor seguiu o meu plano e me entregou um novo projeto na frente de todos.
Como esperado, a Bia se levantou imediatamente segurando seu tarô e, com o rosto pálido, deu um aviso dramático ao Sr. Augusto:
"O senhor não pode entregar esse projeto para a Helena! O tarô revelou: ela vai arruinar tudo completamente!"
O ambiente ficou em silêncio por um instante.
O diretor não conteve um riso debochado.
Ao notar meu olhar, ele recompôs a postura e encarou a Bia com ironia:
"E como você prova que sua previsão é real?"
Então, na frente de todos, a Bia me desafiou a fazer um pedido por aplicativo para que ela adivinhasse através das cartas.
Eu mostrei a tela do celular para o grupo: cada detalhe batia exatamente com o que ela disse.
O Sr. Augusto fingiu surpresa e, após receber um sinal meu, pigarreou:
"Sendo assim, a Helena não participará mais deste trabalho."
"Vamos passar este projeto para... a Vanessa Rocha."
Vi os olhos da Bia brilharem de alegria por um milésimo de segundo, para logo em seguida murcharem ao ouvir o nome da Vanessa.
Ri por dentro.
Era exatamente isso...
Bianca, eu descobri o seu segredo.
Agora, prepare-se para o contra-ataque!
Saí da sala fingindo estar arrasada, e a Bia veio atrás de mim como uma sombra, tagarelando:
"Sinto muito, Helena, eu não queria falar aquilo, mas se o projeto ficasse com você, a empresa iria à falência."
"Todos aqui perderiam seus empregos!"
"E tem mais..."
Ela mordeu o lábio, olhou ao redor e, ao notar que todos prestavam atenção nela, soltou a bomba:
"O tarô previu que você causou a morte dos seus próprios pais. Você carrega uma energia pesada que trará infelicidade para qualquer um ao seu redor!"
"Por isso, o melhor é você se manter bem longe de todo mundo!"
Ao ouvir isso, todos recuaram três passos, me olhando com pavor.
Minha pálpebra tremeu de ódio e eu dei um tapa no rosto dela.
"Cala a boca! Meus pais estão vivinhos da silva! Pare de amaldiçoá-los!"
Bianca caiu no chão e começou a chorar escandalosamente.
Os colegas correram para ajudá-la, me encarando com fúria:
"Você passou dos limites!"
"Vamos falar com o diretor agora mesmo para que ele te demita!"
Notei um brilho de satisfação nos olhos da Bia e sorri internamente:
"Pois então, vão em frente!"
Um bando de gente sem cérebro não causaria grandes estragos.
Como previsto, o Sr. Augusto achou que todos estavam loucos.
Após dar uma bronca geral, ordenou que todos os envolvidos fossem suspensos temporariamente.
Fiquei observando de longe e vi a Bia saindo da sala de reunião com suor frio na testa, parecendo sentir uma dor terrível; sua pele parecia ter ficado subitamente áspera.
Não aguentei e ri alto.
Bem feito!
Bianca me viu e, com o rosto desfigurado de ódio, tentou avançar para me enforcar.
Mas acabou tropeçando e caindo de cara no chão.
Saí cantarolando, ignorando os gritos histéricos dela às minhas costas:
"Helena, não comemore! Uma pessoa perversa como você vai ter o que merece!"
Se eu vou ter o que mereço, eu não sei, mas a conta dela estava chegando.
Uma semana depois, o período de suspensão acabou.
Na celebração anual dos funcionários, Bianca correu para o palco e me denunciou publicamente por sujar a imagem da empresa.
Ela projetou uma foto no telão.
Nela, eu aparecia de braços dados com um homem de uns cinquenta anos, sorrindo docemente enquanto fazíamos compras.
Ela estava radiante de arrogância:
"O tarô me revelou: você se casou escondido e não comunicou à empresa. Após investigar, descobri que você tem um caso com o dono da nossa maior concorrente, destruindo o casamento dele!"
"Helena! O que você tem a dizer agora?"
Eu sorri.
"Estar casada ou não é um assunto pessoal que não diz respeito a você nem à empresa."
"Mas, e se eu e esse senhor da foto não tivermos o tipo de relação suja que você está sugerindo? O que você faria?"
Ela hesitou por um segundo, olhou para os lados e rangeu os dentes:
"Impossível! Minhas previsões nunca falham!"
Ergui a sobrancelha e estalei os dedos:
"Você quem disse."
"Pai, mãe, podem entrar."