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Um ano depois. Início do verão.
O sol do Mediterrâneo era caloroso sem ser abrasador, e as águas azul-turquesa batiam suavemente no casco do iate branco. Eu vestia uma roupa de lazer confortável, usava óculos escuros e estava deitado preguiçosamente no convés.
Cadu aproximou-se trazendo duas taças de champanhe gelado e me entregou uma.
— Um brinde ao nosso mais novo "Empreendedor de Destaque da Forbes", Bernardo Fontes! — Ele deu uma piscadela travessa.
Eu ri e brindei com ele.
— Não comece com as provocações.
O turbilhão de um ano atrás foi como uma forja. Depois do fogo intenso, finalmente alcancei meu verdadeiro renascimento. Usei as ações que meu pai me deu e a fortuna que obtive no divórcio para fundar minha própria empresa de investimentos. Além disso, liderei vários projetos promissores de energia renovável dentro do Grupo Fontes. O retorno foi astronômico.
Meu nome apareceu pela primeira vez na capa de uma revista de finanças. A manchete dizia:
"Fênix dos Negócios: A lendária trajetória de herdeiro subestimado a soberano do mercado".
— É sério, Bê — Cadu sentou-se ao meu lado, observando-me. — Você realmente se tornou o que todos sonham ser. Rico, bonito, bem-sucedido e ainda esmagou aquela gente desprezível. A propósito... o que aconteceu com a Heloísa e a Letícia no final das contas?
Tomei um gole do champanhe, falando com uma naturalidade como se contasse a história de um estranho.
— Heloísa Cavalcante foi condenada a quinze anos por vários crimes acumulados. O Grupo Cavalcante passou por uma liquidação forçada de falência e todos os bens ilegais em nome dela foram confiscados.
— Thiago Costa, como cúmplice, escapou da prisão, mas entrou para a lista negra do setor. Ele nunca mais conseguirá emprego em nenhuma empresa séria. Ouvi dizer que ele vive de bicos em uma cidadezinha do interior, em uma situação bem decadente.
Quanto a Letícia e Ricardo Lin... meu olhar esfriou por um breve instante.
— Letícia foi condenada à prisão perpétua. Além dos crimes corporativos, ela estava envolvida em alguns casos de homicídio no exterior. E Ricardo Lin, a velha raposa que planejou tudo... ao saber na prisão que sua única filha passaria o resto da vida atrás das grades e que tudo o que ele construiu virou pó, teve um infarto fulminante naquela mesma noite. Morreu na cela.
Cinzas às cinzas, pó ao pó. Todos os rancores ganharam um ponto final. Cadu ouviu tudo e deu um grande gole no vinho, satisfeito.
— Justiça! O mundo dá voltas, e dessa vez parou no lugar certo! — Ele de repente se inclinou, fofoqueiro. — E quanto a você? Vossa Alteza não tem nenhum "cavaleiro" por perto? Algum amigo da sua irmã que seja tão absurdamente deslumbrante quanto ela?
Eu ri da piada dele, mas uma silhueta surgiu involuntariamente em minha mente.
Luana.
Fundadora e CEO da "Gênese", a maior empresa de tecnologia do país. Nós nos conhecemos em uma licitação comercial. Na época, a Gênese era a concorrente mais forte do Grupo Fontes. Todos esperavam que lutássemos até a morte.
Mas, na rodada final, eu desisti voluntariamente da disputa e propus a ela um plano de cooperação mútua. Era um projeto ousado e cheio de visão. Após a reunião, ela veio falar comigo pessoalmente. Sem as hipocrisias habituais do mundo dos negócios, ela apenas me olhou com aqueles olhos profundos e brilhantes, expressando uma admiração genuína.
"Diretor Bernardo, sua visão estratégica me impressiona. Mais do que concorrentes, adoraria que fôssemos aliados."
Desde então, nos tornamos parceiros de trabalho sintonizados. Ela é ponderada, brilhante e tem aquela dedicação pura típica de quem respira tecnologia. Somos "amigos-rivais" que se respeitam mutuamente. Ocasionalmente, após o expediente, ela me convida para um drink. Nunca falamos de romance; apenas de tendências do setor e tecnologias do futuro.
Mas esse embate intelectual entre mentes poderosas me atrai mais do que qualquer palavra doce. Talvez esse seja o melhor estado emocional para adultos: igualdade de forças e crescimento mútuo.
— No que está pensando? Ficou até corado — Cadu me cutucou com o cotovelo.
— Em nada — voltei a mim, erguendo a taça e olhando para o horizonte onde o mar encontrava o céu.
No passado, eu achava que a felicidade era me apoiar em uma grande árvore. Depois, achei que a felicidade era ter uma montanha sólida como refúgio. Só agora entendi: a verdadeira felicidade é transformar a
si mesmo
em uma árvore frondosa. É viver de forma a se tornar a sua própria montanha majestosa.
Só assim é possível encarar qualquer tempestade sem medo. Só assim você se torna, de fato, o dono da sua própria vida.
Minha trajetória brilhante está apenas começando.