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《Vingança do Marido Traído》Capítulo 13

13

A noite estava escura como nanquim, e o vento soprava uma frieza quase imperceptível.

Vesti um terno escuro de corte impecável e empurrei as portas pesadas daquele clube privado e discreto. A voz baixa de Vitória ressoou no meu ponto eletrônico oculto, confirmando que tudo estava em posição.

Dentro da sala reservada, Fabiana Lemos — ou melhor, Letícia Lin — estava sentada atrás de um biombo de seda. Ela usava o mesmo terno feminino elegante de sempre e os óculos de armação dourada, mantendo uma aparência culta e serena. Ao me ver entrar, ela se levantou com um sorriso milimetricamente calculado.

— Diretor Bernardo, é uma honra que tenha encontrado um tempo em sua agenda lotada para me agraciar com sua presença.

Ela mudou o tratamento. Não me chamava mais de "Senhor Bernardo", mas usava o título do meu cargo no Grupo Fontes. Sentei-me seguindo o gesto dela, sentindo um frio sarcasmo crescer no peito.

— A doutora é muito gentil. Você me ajudou a recuperar tudo o que me pertencia; este jantar é o mínimo que eu poderia oferecer em agradecimento.

Enfatizei deliberadamente as palavras "tudo o que me pertencia". Letícia não alterou a expressão e serviu-me uma xícara de chá com movimentos graciosos.

— O senhor é um homem inteligente. Sabe que bens materiais são apenas o prólogo de uma história muito maior.

Ela retomou seu lugar, e seu olhar por trás das lentes parecia profundo e indecifrável.

— Já se habituou ao Grupo Fontes? Aquele lugar sempre deveria ter sido seu.

Minha mão apertou a xícara, mas mantive a voz carregada de uma falsa nostalgia.

— É verdade. Se não fosse por essa reviravolta na minha vida, eu nunca saberia do que sou capaz. Mas as relações internas no Grupo Fontes são complexas; ainda sou apenas um novato.

Letícia ajeitou os óculos, e um sorriso enigmático surgiu em seus lábios.

— Novatos costumam ver os pontos cegos que os veteranos ignoram. Por exemplo... as contas do Departamento de Operações Internacionais.

Ela mudou o rumo da conversa abruptamente, lançando uma bomba de efeito imediato. Meu coração afundou. O Departamento Internacional era a antiga base de poder de Ricardo Lin, e foi a área onde Isabela mais investiu esforços para "limpar" e reestruturar após assumir o comando.

— Minha irmã supervisiona pessoalmente essas contas. A doutora parece ter um interesse especial nela? — perguntei, mantendo uma curiosidade profissional no rosto.

Letícia não respondeu diretamente. Em vez disso, tirou um maço de documentos de sua maleta de couro.

— Diretor Bernardo, estes são alguns dados cruzados que descobri acidentalmente enquanto cuidava da liquidação dos bens da Heloísa Cavalcante.

— Inicialmente, pensei em usá-los como provas suplementares no tribunal de divórcio, mas agora vejo que eles têm uma utilidade muito maior.

Ela deslizou os papéis sobre a mesa. Sob a luz do lustre, as folhas emitiam um brilho gélido. Folheei os documentos e minhas pupilas se contraíram bruscamente: ali estavam registrados fluxos de capitais de valores astronômicos. A origem eram subsidiárias estrangeiras do Grupo Fontes, e o destino era uma conta

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extremamente oculta.

— O que você quer me dizer com isso? — Minha voz esfriou, abandonando a cortesia hipócrita.

Letícia inclinou-se levemente para a frente, e sua voz baixa pareceu serpentear pela sala.

— Quero dizer que Isabela Fontes não é a protetora perfeita que o senhor imagina. Essas transferências ocorreram exatamente no ano em que ela assumiu o poder total. E a conta que recebeu esse dinheiro pertence, segundo minhas fontes, a alguém que o senhor conhece muito bem.

Fiquei fixado naqueles dados enquanto meu cérebro trabalhava em alta velocidade. Se aquilo fosse verdade, Isabela poderia não ter agido apenas pelo bem da família durante a "limpeza" dos aliados de Ricardo Lin. Ela poderia ter aproveitado a oportunidade para desviar ativos que pertenciam ao clã.

Mas então, raciocinei: quem era Letícia Lin? A filha do homem que tentou nos destruir. Cada movimento dela ao meu lado não poderia ser motivado por um senso de justiça. Aquilo era, muito provavelmente, o primeiro passo para criar uma discórdia entre mim e minha irmã.

— Dra. Fabiana, se você acha que algumas planilhas impressas podem abalar minha confiança na minha família, você é extremamente ingênua — fechei a pasta e recostei-me na cadeira.

Letícia não se irritou. Pelo contrário, tomou um gole de vinho com elegância.

— O senhor me interpreta mal. Não estou tentando separá-los; estou oferecendo uma moeda de troca para uma cooperação. O Grupo Fontes parece glorioso, mas os alicerces estão começando a ceder.

— Sua irmã tem punhos de ferro, mas ela tem uma fraqueza fatal: o senhor.

Ao dizer isso, seus olhos travaram nos meus, tentando capturar qualquer sinal de pânico. Senti a respiração de Vitória no meu ponto eletrônico ficar mais pesada por um segundo. Eu sabia que ela estava ouvindo cada palavra daquela conversa perigosa.

— Se a minha existência é uma armadura ou uma fraqueza para ela, quem decide sou eu — levantei-me, decidido a encerrar aquele teste. — O jantar acaba aqui, Dra. Fabiana... ou melhor, Letícia Lin.

Finalmente pronunciei o nome que estava enterrado no passado.

A mão de Letícia congelou com a taça no ar. O ar na sala pareceu solidificar instantaneamente. Ela ergueu o rosto, e a camada de doçura e profissionalismo desapareceu, dando lugar a uma expressão sombria e predatória.

— Desde quando você sabe? — Ela parou de fingir. Todo o seu ser exalava uma aura gélida, como a de uma serpente pronta para o bote.

— Desde o momento em que você se mostrou perfeita demais — respondi, olhando-a de cima para baixo. Por dentro, eu era um turbilhão, mas por fora, mantive a serenidade absoluta. — Os Fontes não acreditam em presentes que caem do céu sem motivo.

Letícia soltou uma risada fria que ecoou de forma estridente na sala vazia.

— Já que você descobriu, não preciso mais atuar. Bernardo, você acha mesmo que a liberdade e o poder que conquistou são seus?

— Eu apenas lhe emprestei essas cartas para que você pudesse se sentar no núcleo do Grupo Fontes com facilidade.

Ela levantou-se lentamente e caminhou até mim. A pressão que ela exercia era sufocante.

— Se escolher cooperar agora, continuará sendo o grande Diretor Bernardo mesmo após a queda dos Fontes. Mas, se recusar... estes documentos estarão amanhã nas mesas do fisco e da polícia federal. Não será apenas sua irmã; todo o Grupo Fontes será enterrado junto com o seu "orgulho".

Olhei para ela com desprezo e respondi apenas uma frase:

— Então nos vemos no tribunal.

Virei as costas, abri a porta e saí do clube sem olhar para trás.

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