localização atual: Novela Mágica Moderno Vingança do Marido Traído Capítulo 9

《Vingança do Marido Traído》Capítulo 9

09

Assumir o meu lugar como o verdadeiro herdeiro da família Fontes.

As palavras de Isabela foram como uma pedra lançada em um lago plácido, criando ondas que abalaram as estruturas da minha alma. Nestes últimos três anos, eu quase esqueci quem eu era. Esqueci que já fui o "prodígio" da família, que tinha meus próprios sonhos e um orgulho inabalável.

Eu escondi todo o meu brilho sob o rótulo de "marido de Heloísa Cavalcante". Dediquei-me à cozinha e aos cuidados domésticos, acreditando que aquilo era felicidade. No fim, não passou de uma piada de mau gosto.

Agora, o sonho acabou. É hora de me reencontrar.

— Tudo bem — levantei a cabeça, encontrando o olhar de Isabela, e assenti firmemente. — Eu volto com você.

Isabela sorriu. Foi um sorriso genuíno, como o sol mais quente de um dia de inverno.

— Esse é o meu irmão. Esse é um Fontes — ela deu um tapinha no meu ombro. — Vamos, vamos para casa.

— Mas... o papai e a "tia"... eles vão concordar? — hesitei por um segundo, pensando na minha madrasta.

— Eles? — Isabela soltou uma risada de puro desdém. — Nesta casa, quem manda agora sou eu. A opinião deles é irrelevante.

A autoridade e a força dela me trouxeram uma paz que eu não sentia há muito tempo. Virei-me para o Cadu.

— Cadu, obrigado por me acolher esse tempo todo. A partir de agora, vou voltar para a mansão da minha família.

Cadu, finalmente saindo do seu estado de transe ao admirar a beleza de Isabela, deu-me um abraço apertado.

— Bê, estou tão feliz por você ter caído na real! Vá logo! Vá ser o herdeiro que você nasceu para ser! — Ele piscou para mim. — E não esquece de me passar o WhatsApp da sua irmã!

Eu ri. As sombras que nublavam meu coração finalmente se dissiparam.

Isabela providenciou para que Cadu fosse levado em segurança para casa. Depois, ela mesma assumiu o volante do seu esportivo e me levou em direção àquela mansão que me era, ao mesmo tempo, familiar e estranha.

A mansão dos Fontes ficava no condomínio mais exclusivo da cidade, no alto da colina. O trajeto foi silencioso, enquanto eu lidava com uma mistura de ansiedade e expectativa. Quando o carro parou, a governanta já nos esperava. Ao me ver, o rosto enrugado dela se iluminou.

— Menino Bernardo! Você voltou!

— Oi, Zezé — sorri para ela.

Ao entrar na sala, vi meu pai sentado no sofá, com uma aparência muito mais envelhecida do que eu lembrava. Ao lado dele, minha madrasta exibia um semblante nada amigável.

— Ora, ora... se não é o "dono de casa" dos Cavalcante — disse ela, com uma voz carregada de veneno. — O que faz por aqui? Cansou de lavar louça?

Eu ia responder, mas Isabela se colocou à minha frente. Ela lançou um olhar gélido para a mulher.

PUBLICIDADE

— Tia, parece que a senhora não ficou feliz com a volta do meu irmão?

— Eu... imagina... — a madrasta murchou instantaneamente sob a aura de Isabela. — Só estava brincando.

— Deixe as brincadeiras de lado — sentenciou Isabela. — A partir de hoje, Bernardo volta a morar aqui. Ele assumirá o cargo de Vice-Presidente do Grupo Fontes para me ajudar na gestão. Não estou pedindo permissão, estou comunicando.

Meu pai permaneceu em silêncio, sem contestar. Minha madrasta ficou pálida. Ela sabia que, naquela casa, o poder já não estava mais em suas mãos.

No dia seguinte, minha nomeação como Vice-Presidente do Grupo Fontes foi oficializada. A notícia causou um terremoto no mundo corporativo. Todos achavam que eu seria apenas um "rostinho bonito" ocupando um cargo de fachada.

Contudo, na primeira reunião de diretoria, eu caleiquei todos com um plano estratégico impecável para os próximos cinco anos. Negociei em inglês fluente com parceiros internacionais e apontei falhas fiscais que os auditores haviam deixado passar. Os conselheiros, que antes me olhavam com desdém, agora me encaravam com um respeito profundo.

Eu era Bernardo Fontes, o Vice-Presidente.

Enquanto isso, o processo de divórcio avançou como um trator. Com a intervenção de Isabela e a perícia da Dra. Fabiana, a empresa de Heloísa foi revirada pelo avesso. Crimes de sonegação fiscal e concorrência desleal vieram à tona. Heloísa enfrentou não apenas a falência, mas a possibilidade real de prisão. Para tentar reduzir a pena, ela abriu mão de qualquer resistência na partilha de bens.

Fiquei com tudo o que me era de direito, e muito mais.

O destino de Thiago Costa foi igualmente miserável. Ele foi investigado como cúmplice de Heloísa. Embora não tenha sido preso por falta de provas diretas, sua reputação foi destruída. O apartamento e o carro que ele ganhou foram confiscados como fruto de dinheiro ilícito. Soube que ele teve que voltar para sua pequena cidade natal, derrotado e humilhado.

Quanto à minha mãe, ao saber que os Cavalcante haviam ruído e que eu agora era o homem forte do Grupo Fontes, tentou me ligar inúmeras vezes. Disse que "sempre quis o meu bem" e que "estava arrependida". Não atendi. Apenas instruí meu assistente a depositar uma quantia mensal em sua conta, o suficiente para que vivesse com conforto, mas longe de mim. O laço de afeto havia se quebrado; o respeito, morrido.

Uma tarde, após o expediente, saí do prédio da empresa e encontrei Isabela encostada em seu carro.

— Terminou o turno, Dr. Bernardo? — ela brincou. — Vem, vou te levar a um lugar.

Fomos a um restaurante de altíssimo nível, onde Cadu já nos esperava. Ele acenou com entusiasmo assim que nos viu.

Sentamos e Isabela serviu o vinho.

— Um brinde ao Bernardo, que renasceu das cinzas — disse ela, erguendo a taça.

— E um brinde ao Bernardo solteiro, rico e poderoso de novo! — completou Cadu.

Brindamos sob as luzes da cidade, que brilhavam como um mar de diamantes. Eu sabia que minha nova vida estava apenas começando. Desta vez, eu viveria por mim, brilhando mais do que qualquer um.

Eu não era mais o marido de ninguém, nem o acessório de ninguém.

Eu era apenas Bernardo Fontes. O único e inabalável Bernardo Fontes.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia