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《Vingança do Marido Traído》Capítulo 5

05

Os dois dias seguintes foram de uma calmaria enganosa. Heloísa e sua família pareciam ter evaporado do meu mundo, mas eu sabia que era apenas o silêncio que precede a tempestade. Ela devia estar movendo céu e terra, usando cada contato de sua agenda para tentar descobrir minhas cartas e abafar o escândalo.

Mas eu não estava preocupado. A Dra. Fabiana já havia protocolado todos os pedidos no tribunal com uma agilidade impressionante. Uma rede invisível estava se fechando lentamente ao redor de Heloísa. Não havia para onde ela escapar.

Naquela manhã, enquanto eu e Cadu testávamos algumas receitas na cozinha para um jantar especial, a campainha tocou. Cadu olhou pelo monitor do interfone e sua expressão fechou imediatamente.

— Sua mãe está aqui.

Meu coração deu um solavanco. O que eu temia finalmente havia chegado.

— Deixe-a entrar — eu disse, respirando fundo e me blindando emocionalmente.

Assim que a porta se abriu, Dona Glória entrou como um furacão, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela agarrou minhas mãos com uma força surpreendente para sua idade.

— Bernardo! Seu moleque! O que você pensa que está fazendo?! — A voz dela era aguda, carregada de pranto e acusações. — Você não vai sossegar até manchar o nome da nossa família para sempre?

— Mãe, por favor, me solta — respondi, puxando minhas mãos com firmeza.

— Não solto! Você vem comigo agora mesmo! — Ela apontava o dedo para o meu rosto, tremendo de raiva. — Os Cavalcante estão enlouquecendo! As contas da empresa da Heloísa foram bloqueadas! As mansões deles foram embargadas pela justiça! Você sabe o que estão dizendo por aí? Que você é um homem cruel e ganancioso, que está tentando destruir a própria esposa sem piedade!

Olhei para o rosto dela, banhado em lágrimas, e senti um frio percorrer minha espinha. Em nenhum momento ela me perguntou: "Meu filho, você está bem? Você foi traído?". Sua única preocupação era a reação dos Cavalcante e as aparências sociais.

— Mãe, este é um assunto entre mim e a Heloísa — minha voz era baixa, mas inabalável. — A senhora não deveria se meter.

— Não me meter? Eu sou sua mãe! Vou ficar parada vendo você arruinar sua vida? — ela gritou. — O que a Heloísa fez de tão grave? Ela cometeu um erro que qualquer um poderia cometer! Ela me jurou que, se você retirar o processo, ela nunca mais fará isso. Os pais dela até se ofereceram para passar aquela cobertura de luxo no centro para o seu nome como um pedido de desculpas! Com uma oferta dessas, o que mais você quer?!

Cadu, que ouvia tudo de perto, perdeu a paciência.

— Dona Glória! Como a senhora tem coragem de falar assim com o Bernardo? Ele foi o traído! Ele foi o ferido! A Heloísa errou e agora a senhora vem culpar a vítima? Por que não vai cobrar a sua nora em vez de pressionar o seu filho?

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— O que você entende disso?! — Minha mãe virou-se para Cadu como uma fera acuada. — Assuntos de família não dizem respeito a estranhos! É você, não é? Tenho certeza de que você está colocando essas ideias na cabeça do meu Bê. Ele sempre foi um bom menino, nunca faria algo assim sozinho!

— Mãe! — Interrompi com autoridade. — O Cadu não tem nada a ver com isso. A decisão é exclusivamente minha. E vou repetir: eu vou me divorciar. Nada vai mudar isso.

Dona Glória me encarou com incredulidade, como se estivesse vendo um desconhecido no lugar do filho submisso de sempre.

— Você... você está gritando comigo por causa de um estranho? — As lágrimas voltaram a cair com força. — Bernardo, eu me arrependo de ter te criado! Você acha que é homem agora, é? Que não precisa mais da sua mãe?

Ela começou a fazer uma cena, sentando-se no chão e chorando dramaticamente, batendo nas próprias pernas. Era sua tática de sempre. Desde criança, sempre que eu não obedecia, ela recorria ao vitimismo. E eu sempre cedia. Mas hoje não.

Observei aquele espetáculo em silêncio, sentindo um vazio absoluto. Quando o coração morre para alguém, é exatamente assim que a gente se sente. Cadu tentou ajudá-la a levantar, mas eu o impedi com um gesto.

Depois de algum tempo, ela percebeu que o teatro não surtiria efeito. Levantou-se, limpou o rosto e me lançou um olhar carregado de ódio.

— Muito bem, Bernardo. Você cresceu. Tem suas próprias ideias agora. Não posso mais te controlar. Mas escute bem: se você levar isso adiante, esqueça que tem mãe. Não me procure nunca mais!

Ela bateu a porta com tanta força que as paredes pareceram tremer. O silêncio voltou, mas era um silêncio amargo. Cadu me olhou com preocupação.

— Bê, você está bem?

Eu sorri, um sorriso triste e exausto.

— Estou. Eu já esperava por isso. Romper os laços... talvez seja melhor assim. No momento em que decidi me divorciar, eu já sabia que não teria mais uma "família".

Mas a tarde ainda reservava mais surpresas. Se minha mãe foi a "vanguarda" do ataque, o exército principal de Heloísa chegou logo depois. Ela não veio pessoalmente. Enviou sua advogada e alguém que eu realmente não esperava ver: Thiago Costa.

Ele parecia um pouco abatido, com olheiras profundas, mas ainda vestia um terno caríssimo. Ao me ver, esboçou um sorriso presunçoso, carregado de um desdém mal disfarçado.

— Bernardo, olha só nós dois de novo — disse ele, com o olhar de quem observa um perdedor.

A advogada de Heloísa era uma mulher de meia-idade, usando óculos de armação dourada e com um ar de extrema astúcia. Ela foi direta ao ponto.

— Senhor Bernardo, sou a Dra. Luciana Rocha, representante legal da Sra. Heloísa Cavalcante. Estou aqui para discutir os termos de um divórcio consensual.

— Ah, é? — Arqueei uma sobrancelha. — Finalmente ela resolveu negociar?

— A Sra. Heloísa é uma mulher que preza pelas memórias do passado — disse a Dra. Luciana com uma formalidade cínica. — Ela não quer que as coisas fiquem feias; afinal, vocês foram um casal. Aqui está a minuta do acordo que preparamos. O senhor pode analisar.

Ela deslizou o documento pela mesa. Eu nem toquei no papel. Apenas olhei para Thiago e perguntei calmamente:

— E o que você está fazendo aqui? Que direito um secretário demitido tem de participar de um assunto entre mim e ela?

O rosto de Thiago vacilou por um segundo, mas ele logo recuperou a pose.

— Bernardo, não seja rude. Mesmo que eu tenha saído da empresa, meus sentimentos pela Heloísa são reais. Ela está passando por um momento difícil e, claro, eu estarei ao lado dela.

Ele fez uma pausa, querendo ostentar vitória.

— Além disso, a Heloísa já me prometeu: assim que o divórcio sair, nós vamos nos casar. Então, como futuro marido dela, acho que tenho todo o direito de estar sentado aqui.

— Futuro marido? — Eu ri, achando aquilo genuinamente cômico. — Você é muito ingênuo, Thiago. Você realmente acha que a Heloísa te trouxe aqui porque te ama ou porque quer que você testemunhe a "nobreza" dela?

— Ela só te trouxe para tentar me enojar e me provocar. Ela quer que eu veja vocês "apaixonados" para que, em um momento de raiva ou impulso, eu assine esse acordo ridículo e injusto. Para ela, do início ao fim, você nunca passou de um peão no tabuleiro.

O rosto de Thiago perdeu a cor instantaneamente.

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