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《Vingança do Marido Traído》Capítulo 3

03

Eu fui.

Claro que não foi por causa das ameaças dela. Mas porque existiam coisas que precisavam ser ditas cara a cara, de uma vez por todas.

Quando cheguei ao café, Heloísa já estava lá. Sentada na mesa perto da janela, ela parecia impecável, cada fio de cabelo em seu devido lugar. No rosto, ostentava aquela impaciência típica de quem sente que está perdendo um tempo precioso.

Ao me ver, ela franziu o cenho com ainda mais irritação.

— Então você resolveu aparecer? — disse ela, com um tom de voz que soava como uma concessão de alguém em um patamar superior.

Não respondi. Apenas me sentei à frente dela e servi um copo de água com limão para mim.

— Bernardo, não tenho tempo para joguinhos — Heloísa tamborilou os dedos na mesa, adotando sua postura corporativa e fria. — Sobre aquela foto e as mensagens no grupo, você vai desmentir tudo agora. Diga que se enganou, que foi um mal-entendido.

— Quanto ao Thiago, eu já o demiti e paguei uma quantia para ele manter a boca fechada. E quanto aos meus pais, você vai lá pedir desculpas e dizer que agiu por impulso. Assunto encerrado.

Ela falava com uma naturalidade assustadora, como se estivesse gerenciando uma pequena crise interna na empresa. Para ela, eu era apenas uma peça defeituosa que precisava de um ajuste para voltar a funcionar conforme as ordens dela.

Levei o copo aos lábios. O toque ácido e amargo do limão se espalhou pela minha língua.

— Terminou? — perguntei calmamente.

Heloísa estancou, surpresa. Certamente ela esperava que eu chorasse, gritasse ou tentasse implorar por alguma condição. Ela não previa que eu estaria ali, tão inabalável quanto uma estátua.

— O que você quer dizer com isso, Bernardo? — a expressão dela endureceu.

— O que eu quero dizer — comecei, olhando fixamente nos olhos dela — é que eu quero o divórcio.

— Divórcio?

Heloísa soltou uma risada de puro deboche, como se tivesse ouvido a piada mais absurda do mundo.

— Bernardo, você enlouqueceu? Você tem noção do que está dizendo? Divórcio? Você acha mesmo que consegue sobreviver sem mim?

— Nestes últimos três anos, você não trabalhou um único dia, não ganhou um centavo por conta própria. A comida que você come, as roupas que veste, tudo o que você usa... quem pagou fui eu! Sem mim, você não passa de um fracassado inútil!

As palavras dela eram como lâminas banhadas em veneno. Se fosse em outros tempos, elas teriam me estraçalhado. Mas agora, meu coração estava anestesiado.

— Se eu sou um inútil ou não, isso não é mais preocupação da Dra. Heloísa — mantive o tom de voz baixo e firme. — Vamos focar nos detalhes da separação.

— Pela lei, os bens adquiridos após o casamento devem ser divididos meio a meio. Trinta por cento das ações da sua empresa valorizaram durante nossa união, o que as torna patrimônio comum. Além disso, temos as três propriedades em seu nome, os dois carros...

— Chega! — Heloísa bateu na mesa com força, fazendo o café transbordar da xícara. O choque e a incredulidade estampavam seu rosto. — Bernardo, quem você pensa que é para falar comigo nesses termos?

Ela me encarava como se estivesse me vendo pela primeira vez.

— Você acha que entende um pouco de leis e vai conseguir me dar um golpe? Escute bem: você não vai levar um centavo! Vou garantir que você saia com as mãos abanando, para aprender o preço da sua estupidez!

Olhando para aquele descontrole dela, senti apenas pena.

— Heloísa Cavalcante. — Chamei-a pelo nome completo. — Você realmente acreditou que, durante esses três anos, eu fui apenas um homem submisso que não entendia nada do que acontecia ao redor?

Tirei um pequeno pendrive da bolsa e o deslizei pela mesa até ela.

— Todas as movimentações financeiras que você fez pelas minhas costas, os registros de transferências para os seus pais, a casa e o carro que você comprou para o Thiago... — fiz uma pausa dramática. — E tem coisas ainda mais interessantes guardadas aí dentro.

As pupilas de Heloísa se contraíram violentamente. Ela encarou o pendrive enquanto seu rosto perdia a cor, tornando-se pálido como cera.

— Só mais um detalhe — levantei-me, olhando-a de cima para baixo. — Eu já contratei os melhores advogados.

— A gente se vê no tribunal.

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