Vinte minutos depois, Rafael chegou em casa.
Na sala, as duas crianças estavam brincando de montar blocos.
Ao ver Rafael, Zara lentamente fez um sinal de "silêncio" com o dedo nos lábios.
Henrique Jr. apontou para o andar de cima.
Rafael entendeu. Ele entregou uma das sacolas de compras a Zara e subiu as escadas.
A garotinha era lenta para processar tudo. Só quando Rafael já estava no topo das escadas ela percebeu que segurava acessórios de princesa.
Seus olhos se encheram de surpresa e alegria, e ela disse às costas de Rafael: "Obrigada, tio Rafael."
A voz da menina era suave e doce. Rafael esboçou um leve sorriso e continuou subindo.
Serena adormecera pouco depois de voltar para casa. Henrique Jr. fora quem a cobrira com o cobertor.
Sentindo calor, ela esticou um pé para fora das cobertas.
Quando Rafael se aproximou, viu exatamente a mulher em um estado de preguiça.
Parecia um gato tomando sol à tarde.
Ele olhou para o pé exposto, prestes a colocá-lo de volta sob o cobertor.
Mas, no instante seguinte, lembrou-se de algo, e seu olhar se escureceu.
Abrindo a sacola, ele tirou a tornozeleira.
Era de ouro branco, feita de pequenos elos conectados, com um minúsculo sino de jade pendurado no centro.
O sino era delicado; o mais leve movimento produzia um som cristalino, como pedras de jade se tocando.
Na extremidade da tornozeleira, havia um pequeno cadeado. Rafael usou a chave que vinha separada para abri-lo, curvou-se e se aproximou de Serena.
Ela dormia profundamente. Quando ele passou a corrente ao redor de seu tornozelo, ela apenas se encolheu levemente.
Rafael rapidamente fechou o cadeado e retirou a chave.
Em seu torpor, Serena sentiu uma sensação fria em seu tornozelo.
Ela se mexeu e ouviu um som suave e claro.
"Hmm..." Ela murmurou, tentando mover o pé, mas parecia preso, imóvel.
Serena abriu os olhos de repente.
Imediatamente, viu Rafael apoiado à beira de sua cama, seu olhar sombrio.
"O que você está fazendo?", ela perguntou, instintivamente alerta.
Rafael inclinou-se para baixo, seus lábios se aproximando do ouvido de Serena. "Percebeu alguma diferença?"
Ao ser lembrada, a mente de Serena despertou instantaneamente.
"Meu pé—" Ela esticou a mão e tocou a corrente gelada em seu tornozelo.
Rafael, no entanto, sorriu com os lábios, como se estivesse esperando elogios. "É um presente para você."
Serena levantou a perna, e então ficou completamente chocada. "Rafael, o que é isso?!"
"Uma tornozeleira", Rafael respondeu com naturalidade. "Combina perfeitamente com seu tornozelo."
Seu tornozelo era esbelto, e a corrente também era fina. Em seu pulso branco, os dois se complementavam perfeitamente.
Mas, por que uma tornozeleira?!
Homens normais não presenteariam com pulseiras ou colares?!
"Eu não quero!", Serena disse, tentando tirá-la.
Foi só então que percebeu que não era fechada com um encaixe comum, mas com um cadeado!
"Como se abre isso?", Serena perguntou, rangendo os dentes.
Ela estava sem forças, nem conseguia arrancá-la!
Rafael tirou uma chave do bolso e a estendeu a Serena. "Com a chave."
Serena esticou a mão.
Mas, no momento seguinte, Rafael fechou a palma.
Imediatamente, sua mão foi envolvida pela dele. Com um leve puxão, ela caiu em seus braços.
"Ah, esqueci de dizer, quando dou um presente, nunca aceito devoluções!", Rafael disse, envolvendo a cintura de Serena.
"Seu tarado doente!", Serena não aguentou xingar. A mão livre foi direto em direção ao rosto de Rafael.
Rafael agarrou seu pulso e ergueu-o. Ela foi imediatamente pressionada contra seu corpo.
Seus lábios encontraram exatamente os de Rafael.