"É só para perguntar se ela vai ao leilão de medicamentos da próxima semana", disse Bo Yanfeng.
Rafael respondeu com indiferença: "Entendi. Vou passar a mensagem."
E desligou.
Essa mulher, será que a lista de contatos dela só tem homens?!
...
Ao acordar no dia seguinte, Rafael foi primeiro ao seu quarto principal.
Mas estava vazio, sem sinal de Serena.
Ainda eram sete da manhã, para onde essa mulher foi?
Desconfiado, desceu as escadas, mas um aroma o atingiu.
Rafael seguiu o cheiro e descobriu as duas crianças já vestidas, sentadas à mesa de jantar.
"Papai", Henrique Jr. o chamou, mas seu olhar estava fixo na cozinha.
Ao lado, Zara, com suas belas tranças, também sorriu para Rafael: "Bom dia, tio."
Rafael de repente pensou se seu filho agora o cumprimentava por causa de Zara.
Ele se aproximou, acariciou os cabelos de Jasmin: "Bom dia."
Em seguida, foi até a cozinha.
Serena estava cozinhando macarrão. Quando viu que estava pronto, escorreu, colocou em tigelas, acrescentou a carne refogada e finalizou com cebolinha picada.
Macarrão com tiras de frango e carne moída, acompanhado de um pouco de vegetais verdes, uma combinação perfeita de cor, aroma e sabor.
Ela estava prestes a pegar as tigelas quando uma mão apareceu ao seu lado.
Rafael pegou duas tigelas de uma vez e foi direto para a sala de jantar.
As duas restantes, maiores, eram para Serena e ele. Serena adicionou um pouco de óleo de pimenta à sua.
Mas, quando ela ia pegar a sua, Rafael voltou.
Novamente, pegou duas tigelas de uma vez, com facilidade.
Serena o seguiu, não conseguindo evitar um comentário: "Mãos tão bonitas assim, tome cuidado para não se queimar."
Rafael se virou: "Não estava com febre? Por que se levantou?"
"Eu sou muito cumpridora. Prometi a você ontem, tenho que cumprir", Serena respondeu.
Enquanto conversavam, chegaram à sala de jantar.
Zara tinha problemas de equilíbrio, então Serena pegou uma tigela vazia para ela, colocando primeiro um pouco de macarrão.
Assim, quando terminasse, poderia colocar mais, sem risco de se queimar.
Ela mal entregou os pauzinhos à filha quando Zara, com uma expressão perplexa, se aproximou dela.
A pequena cheirou suavemente com o nariz e então, devagar mas com clareza, disse: "Mamãe, você tem o cheiro do tio Rafael!"
Serena: "..."
A filha tinha um olfato naturalmente aguçado, capaz de identificar com precisão os componentes de ervas e temperos, o que já havia ajudado Serena no passado.
Mas agora...
Serena olhou para Rafael com dor de cabeça.
Rafael sorriu levemente com os cantos da boca, mas não a ajudou a sair da situação.
"A mamãe usou... o sabonete do tio Rafael ontem", Serena só conseguiu dar essa explicação.
Zara meio que acreditou, meio que não, mas Henrique Jr., enquanto comia seu macarrão, esboçou um sorriso discreto.
O ambiente na sala de jantar era bom, mas Serena, ainda fraca, não tinha muito apetite.
Ela comeu metade e largou os pauzinhos.
No entanto, no segundo seguinte, sua mão, pendurada sob a mesa, foi envolvida pela mão grande do homem.
Rafael sentiu a temperatura de Serena e então perguntou: "A febre passou?"
"Sim", Serena assentiu. "Mas não estou com muita fome."
"Perfeito, eu não estava satisfeito", disse Rafael, pegando direto a tigela de Serena.
"Essa é a que eu estava comendo—" Serena protestou rapidamente.
"Hm, não me importo de você passar sua doença para mim. Você deveria se sentir honrada."
Rafael empurrou sua própria tigela vazia para o lado. "Da próxima vez, não faça tão pouco. Não sou como vocês, mulheres."
Serena assistiu, incrédula, enquanto ele começava a comer da tigela dela. Embora comesse rapidamente, seus modos ainda eram elegantes.
"Você come tanto assim?" Ela ficou boquiaberta.
Rafael parecia alguém que acabara de sair da prisão!
Na noite anterior, durante o jantar, ele não estava assim!