Quanto à mudança repentina de Serena, Rafael ainda estava tentando entender.
Afinal, antes ela não tinha dado nenhuma pista de que planejava se mudar.
Mas, de qualquer forma, ela já estava aqui, e ele não acreditava que não conseguiria descobrir suas reais intenções.
O cozinheiro já havia preparado o jantar, e todos se reuniram na sala de jantar.
Serena olhou para os cinco pratos e uma sopa e não pôde evitar um leve sorriso nos lábios.
Uma vida de aproveitar comida e bebida, sem ter que cozinhar... não parecia nada mal.
Ela segurou a mão de Zara, e as duas se sentaram. Rafael e Henrique Jr. sentaram-se em frente a elas.
Henrique Jr., vendo que os bolinhos de polvo que Zara gostava estavam longe, pegou alguns e colocou no prato dela.
Ao ver isso, Rafael ergueu ligeiramente uma sobrancelha. Esse garoto... quando se tornou tão atencioso?
Antes, quando os dois, pai e filho, jantavam juntos, quase não conversavam.
Mas hoje, com mais duas pessoas, o ambiente de repente ficou animado.
Os olhos de Zara brilhavam: "Irmão Henrique, a comida da casa de vocês é muito gostosa!"
Em seguida, ela se virou para Rafael, com a voz suave como algodão-doce: "Obrigada, ti… tio, por dar comida pra mim e pra mamãe."
Serena quase fez uma careta. A escolha de palavras da filha era... no mínimo, curiosa.
Rafael também se permitiu um raro sorriso, e disse de propósito: "Então você e sua mamãe normalmente vivem de esmolas em casa?"
Zara balançou a cabeça com seriedade: "A mamãe sabe cozinhar, a comida da mamãe também é muito gostosa, eu e meu irmão adoramos."
"Ah, é?" Rafael virou-se e fixou o olhar em Serena. "Então me faça o café da manhã amanhã."
Serena estava prestes a dizer que não era cozinheira quando a Sra. Zhang apareceu.
A Sra. Zhang tinha uma expressão um tanto estranha: "Senhor, a Srta. Sousa chegou..."
Rafael franziu as sobrancelhas de forma quase imperceptível.
E Rafaela Sousa , seguindo o aroma, já estava à porta da sala de jantar.
"Irmão Rafael, o que tem de gostoso? Eu também não jantei, será que posso..."
Mas suas palavras foram interrompidas quando ela vê a cena harmoniosa dentro da sala de jantar. O resto da frase ficou preso em sua garganta.
"Serena Viana, vocês..." Ela olhou chocada para Serena e Zara. "O que vocês estão fazendo na casa do irmão Rafael?!"
Serena largou os pauzinhos, e um sorriso se desenhou em seus lábios: "Porque me mudei pra cá, ué."
Rafaela Sousa mal podia acreditar no que ouvia. Seus olhos se encheram de lágrimas imediatamente: "Irmão Yunshen, como você pôde deixá-las se mudarem para cá?"
"É por alguns assuntos que preciso resolver." Rafael resumiu com indiferença.
Serena negou ter sido ela quem o salvou naquela ocasião, então quem o salvou deve ter sido Rafaela Sousa.
Embora não sentisse mais por ela o mesmo de anos atrás, ela era sua salvadora, então ele lhe concedia um pouco mais de tolerância.
"Se ainda não jantou, pode ficar." Rafael disse.
"Tá bom." Rafaela Sousa fungou e puxou uma cadeira para se sentar.
Se Serena podia morar na casa dos Duarte, ela certamente não seria expulsa se resolvesse ficar um pouco mais, não é mesmo?
Enquanto comia, Rafaela Sousa pegou um par de pauzinhos de servir e começou a colocar comida no prato de Henrique Jr.
Mas, assim que ela se aproximou, o menino afastou sua tigela. Um bolinho que ela tentou colocar caiu direto na mesa.
Serena pegou um guardanapo, limpou a mesa, e colocou um bolinho na tigela de Henrique Jr.
Henrique Jr. ergueu os olhos e esboçou um leve sorriso para Serena.
Ao ver aquela cena, Rafaela Sousa ficou tão furiosa que quase deixou os pauzinhos caírem.
Será que é mesmo aquela ligação de mãe e filho?
, pensou, irritada.
Esse garoto, Henrique Jr., já aceitou Serena tão rápido?
O restante do jantar prosseguiu com uma atmosfera estranha. A Sra. Zhang trouxe uma grande tigela de sopa.
A sopa estava longe de Serena. Ela estendeu sua tigela para Rafael: "Sr. Duarte, me ajuda? Eu quero só o fungo bambu e a abóbora japonesa que estão aí, nada mais."
Era a primeira vez que alguém o mandava fazer algo assim. Rafael virou-se para Serena, prestes a dizer para ela se servir sozinha, quando notou que seus lábios estavam mais pálidos do que o normal.
O que há de errado com essa mulher?
Enquanto refletia, suas mãos, quase que por reflexo, já haviam pegado a tigela. Seguindo o pedido de Serena, ele lhe serviu uma porção.