Duas horas depois, o relatório de análise ficou pronto.
"Senhor, o sangue definitivamente não é seu, e o banco genético da Aliança não possui correspondência para esse DNA. Mas pela sequência, é possível identificar que pertence a uma mulher."
"A Médica Fantasma é uma mulher?" Rafael estreitou os olhos.
Naquele momento, fragmentos vagos começaram a piscar na memória dele.
Dizia-se que pessoas com uma força de vontade ou percepção aguçada, mesmo inconscientes, mantinham algum nível de consciência.
Ele se lembrava vagamente, durante o desmaio, de sentir a Médica Fantasma trabalhando nele, e depois ela tinha mandado todos saírem.
Até que...
Rafael fechou os olhos. Nos ouvidos, o som de alguém vomitando sangue.
A Médica Fantasma estava gravemente ferida?
Ele abriu os olhos de repente: "Verifiquem o uso dos medicamentos na sala cirúrgica."
Logo veio o relatório: "Senhor, faltam algumas substâncias. Combinadas, parecem ter o efeito de catalisar o potencial humano de forma acelerada, mas com danos sérios ao organismo."
Rafael ficou abalado por dentro. Fez sinal para todos saírem.
Então era consistente com os fragmentos na sua memória.
Mas se a Médica Fantasma estava gravemente ferida, por que teria o salvo?
Quem seria a Médica Fantasma?
Rafael estava usando os melhores medicamentos da Aliança, e a recuperação seria rápida.
Com muita coisa para resolver em casa, uma semana depois Rafael recebeu alta.
O avião preto entrou discretamente no espaço aéreo da cidade e pousou num aeroporto privado.
Rafael ainda estava com o corpo um pouco fraco. Entrou no carro onde Gabriel o esperava e fechou os olhos para descansar.
Gabriel viu o estado dele e não fez relatórios.
Quando o carro entrou nas luzes da cidade, Rafael perguntou: "Como o Henrique ficou esses dias?"
Gabriel respondeu: "O senhorinho está ótimo na casa da senhorita Serena. Hoje, como soube que o senhor voltava, ela pediu para eu esperar ele dormir antes de buscá-lo."
"Ele ainda está na casa dela?" Rafael pensou por um segundo: "Vai lá buscar."
No apartamento de Serena.
Os três pequenos já tinham tomado banho e estavam bebendo leite morno.
Serena ainda estava sem muita energia, então coisas como esquentar leite tinham ficado por conta de Heitor.
Quando o copo de Henrique ficou vazio, Heitor estendeu o braço para pegar.
Mal tocou no copo, cruzou o olhar gelado de Henrique.
Heitor já estava acostumado. Quase dez dias convivendo com aquela criança, e ela não tinha dito uma única palavra para ele.
Hm.
Ele soltou uma risada interna. Quando eu conquistar a mãe você, vai ter que me chamar de alguma coisa.
Heitor terminou tudo o que tinha para fazer e foi ao banheiro tomar banho.
Lá fora, Serena estava se preparando para fazer o tratamento de Henrique.
Foi então que a campainha tocou.
Heitor foi abrir a porta enxugando os cabelos curtos.
Na porta, Rafael estava de camisa e calça preta, o cabelo impecável, a presença toda afiada e fria.
Mas só de pensar que ia ver o filho logo, e aquela mulher diferente das outras, os cantos da boca tinham relaxado por conta própria.
No segundo seguinte, a porta se abriu.
Os dois homens se encararam.
As pupilas de Rafael contraíram num instante.
O olhar ficou de gelo, travado em Heitor: "Quem é você?"
Heitor tirou a toalha do cabelo de propósito, o rosto de traços marcados ganhando um sorriso despachado e preguiçoso.
Com uma provocação calculada: "Você vem na minha casa e ainda pergunta quem sou eu?"
Rafael ficou com o olhar cortante. Virou para Gabriel: "É mesmo aqui?"
Gabriel acenou que sim, e o suor começou a aparecer na testa.
Por que o chefe estava com aquela cara de quem chegou na hora errada?
Os dois homens se encaravam, o ar entre eles prestes a pegar fogo.
Heitor parecia completamente alheio à tensão. Apoiou-se na porta e chamou para dentro: "Serena, querida, você conhece esse homem aqui fora?"